A história é comum e se repete por todo esporte: é preciso fazer uma escolha em busca dos sonhos e deixar o conforto da casa da família para treinar em outra cidade. E isso, muitas vezes, é longe de ser fácil. Morar sozinho sendo tão novo muitas vezes traz histórias curiosas e perrengues, principalmente atrás do fogão. Foi o caso de Luisa Baptista, que trocou Araras, no interior, pela capital São Paulo.
“Fui morar sozinha com 16 anos. Já queimei até macarrão, mas depois aprendi. No começo comia mais coisa pronta, mas aí fui aprendendo”, lembra, rindo.
“Consegui deixar a água evaporar, fui fazer outra coisa e quando vi já não estava nem mais papa, estava queimado. Mas foram perrengues que todo mundo passa. Minha mãe deu risada”, complementa.
A mãe, claro, ficou muito preocupada com a filha deixando a casa. Mas a apoiou. Sabia que ela estava em busca de um sonho. E, em Lima, esse sonho começou a se concretizar. Aos 25 anos de idade, Luísa brilhou no triatlo e foi a primeira medalhista de ouro do Brasil nos Jogos Pan-Americanos 2019. De quebra, ainda volta para a casa com mais uma medalha, no revezamento por equipes. Ambas medalhas inéditas para o Brasil
“Estou muito feliz, emocionada. Trabalho duro para isso, sabia que tinha chances. Tive que controlar o nervosismo nos dias das provas, estava muito ansiosa. Mas o trabalho foi muito bem feito, então, refletiu aqui”, disse.
As medalhas são uma redenção para ela. Há quatro anos, em Toronto, caiu na disputa do ciclismo e ficou longe da briga pelo pódio. Desanimou e precisou de um trabalho dos treinadores para voltar a ter o sonho que havia começado em 2010, pela televisão.
“Eu fazia natação em Araras, no interior de São Paulo. Em 2010 tinha um moço que fazia triatlo lá e me disse que eu tinha perfil de triatleta. Ele me emprestou a bicicleta, fui para o primeiro triatlo e nessa prova estava o técnico Cali, que já era o técnico do Sesi. Ele me convidou e passar a integrar a equipe, estou lá até hoje”, relembrou.
“Eu lembro muito bem em 2010, assistindo ao Fast Triatlo, na TV. Olhei e achei bacana. Comecei já gostando muito e mais tarde, quando fiz a minha primeira prova, disse que era isso que queria para a minha vida”, completa.
“O Reinaldo Colucci ganhou o ouro em 2011 no Pan, olhei para isso e falei que queria fazer também. Espero que também possa influenciar a nova geração”, afirmou.
Luisa não esconde que em princípio queria ser nadadora. Mas diz que entendeu que tinha mais características do triatlo e passou a amar o esporte.
Sorte do Brasil, que ganhou mais dois ouros no Pan!
