João Chianca conta bastidores inéditos de grave acidente no Havaí: 'Reabilitação para aprender a andar'

Dono de uma das grandes histórias de superação do esporte brasileiro nos últimos anos, João Chianca, o Chumbinho, abriu o coração sobre o grave acidente sofrido no Havaí. O surfista de 25 anos é o convidado do Bola da Vez, da ESPN, em programa que vai ao ar neste sábado (28), às 20h30 (de Brasília), com transmissão no plano premium do Disney+.

Classificado para ser um dos representantes do Brasil nos Jogos Olímpicos de 2024, em Paris, Chianca era o nº 4 do mundo quando, em dezembro de 2023, sofreu um acidente grave enquanto treinava em Pipeline, no Havaí, precisando ser levado às pressas para um hospital na cidade de Honolulu.

“Eu pouco falo desse dia. Acho que nunca surgiu a pergunta ou chance de eu me aprofundar. Mas isso é uma coisa positiva que eu vou trazer desse dia”, lembrou Chumbinho à ESPN.

“Estava com o John John [Florence], conversando com ele e o irmão. Eu tenho uma amizade muito legal com os irmãos também, o Nathan, o Ivan e o John John. A gente estava compartilhando, eu estava olhando para eles um pouco, encarando ali, um pouco no termo em inglês, spacing out. O Ivan fala que eu estava viajando um pouco olhando para eles. Aí eu falei: 'Pô, estou olhando pra vocês e eu me sinto um pouco desprotegido'. Porque eles já tinham desenvolvido a roupa de borracha que tinha uma flutuação. Então, aquilo te permitia sempre evitar aquele abate com o reef, o coral e a bancada. E eles rindo, falando 'ah, mas você pouco cai, não vai dar nada errado', alguma coisa assim. A gente nunca atrai essas coisas negativas quando está em Pipeline, a gente não gosta nem de falar sobre. Eu acho que, depois do acidente em si, Pipeline, aos meus olhos, tem sido a onda mais perigosa de todos os tempos”.

João foi socorrido desacordado na praia e precisou de pontos na cabeça após corte. Durante os meses seguintes de recuperação, o brasileiro travou uma batalha para recuperar 100% do movimento do lado esquerdo do corpo.

“Aquilo foi um momento horrível. Ter acordado e percebido que... É [não foi rápido]. Foi uma reabilitação para aprender a andar”, relembrando o processo de evolução até voltar a sentir o movimento das pernas.

“Foram movimentos muito pequenos. Eu me lembro que teve um dia que minha mãe chegou na parte da manhã no hospital, porque meus familiares não podiam dormir comigo. Me lembro que falei para ela que eu tinha mexido a ponta do meu dedinho. Só uma vez. Tinha tentado cem vezes, mas só mexi uma vez. Aí, aquilo já era uma vitória para mim, naquele dia, assim, incrível. Desde ali, foi reabilitação, reaprender a andar”.