No final do ano passado, Rayssa Leal encantou os brasileiros em São Paulo, com manobras incríveis e conquistou o tricampeonato da SLS Super Crown, a grande final da liga mundial de skate street.
Os obstáculos da pista montada no Ginásio do Ibirapuera, palco da "coroação" da maior expoente do skate brasileiro, agora terão uma nova função: divertir e entreter jovens skatistas amadores.
Assim como nas duas edições anteriores (2022 e 2023), o troféu do Super Crown ficou com Rayssa, mas os corrimãos, hubbas, caixotes e bancos da pista foram doados para quatro locais do Estado de São Paulo que trabalham com projetos que utilizam o skate como ferramenta de inclusão social de crianças e jovens.
A ONG Social Skate, da cidade de Poá, Associação de Skate, Esporte, Cultura, Arte e Lazer “Prafinha”, do bairro Real Parque, Quadrespra “Quadrinha Espraiada” na Vila Congonhas e Clube da Comunidade Arena Radical na Vila Olímpia, essas três na capital paulista.
"O legado que a SLS tem deixado no Brasil mostra como os grandes eventos podem alcançar positivamente a comunidade do skate como um todo. A doação dos obstáculos beneficia toda a comunidade de skatistas.", disse Eduardo Dias, presidente da Confederação Brasileira de Skateboarding (CBSk).
Das quatro pistas que serão beneficiadas pelas doações, a ONG Skate Social já está usufruindo de parte dos corrimãos, hubbas e banco recebidos. Há 34 anos no skate, Sandro Testinha comanda a ONG desde 2011, ao lado da ex-esposa, a pedagoga Leila Vieira, que atende a 150 crianças e adolescentes (entre 6 e 17 anos) de Poá, cidade no estado de São Paulo.
Diferentemente de outros lugares, eles ainda não têm uma pista, mas sim uma quadra poliesportiva que foi adaptada com rampas.
“Levar o skate a todos, independentemente da condição financeira, sempre foi o nosso objetivo. Além do benefício para montarmos um novo circuito, esses obstáculos chegaram para somar e melhorar nossa estrutura. E receber esses obstáculos da liga de skate mais conhecida do mundo, a SLS, nos dá mais visibilidade para sermos vistos e pleiteamos mais recursos também para seguir com nosso trabalho”, ressalta Testinha.
Rayssa Leal visitou a sede do Skate Social pouco dias antes do Super Crown 2024 e foi um acontecimento para a ONG, sobretudo para as meninas que se inspiram na tricampeã da SLS.
“Era para ser uma menina de origem humilde, nordestina e uma fada como a Rayssa para ser a primeira campeã mundial a visitar nosso projeto. Esse acesso a um ídolo é primordial e ela nos possibilitou isso e ficará marcado na nossa história, apenas dois dias antes de ser tricampeã. Rayssa é diferenciada”, finaliza Testinha que iniciou o trabalho social dando aulas de skate na Fundação CASA (antiga Febem), que atende adolescentes que cometeram atos infracionais.
Impacto para a cidade de São Paulo
O legado deixado pela final da liga mundial de skate street é tamanho que a SLS Super Crown vai retornar para a capital paulista pela 3ª vez consecutiva. Segundo um levantamento do Centro de Inteligência da Economia do Turismo (CIET) da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo, em dois dias (14 e 15/12), a competição injetou mais de R$ 23 milhões na economia da cidade.
Com um público recorde de 16,5 mil pessoas, entre eles, muitos vindos de outros estados e países, o evento movimentou a rede hoteleira, bares, restaurantes, a área de transportes e outros serviços, impulsionando o ecossistema de turismo da capital.
Pedro Dau de Mesquita, sócio e diretor executivo da V3A, empresa que representa a SLS no Brasil, afirma que esses números explicam o êxito do evento que a cada edição supera expectativas “O sucesso do evento é refletido não só pelo impacto econômico, mas também pelo crescimento da cultura do skate no país. Nosso objetivo é continuar promovendo iniciativas que fortaleçam a modalidade e beneficiem a comunidade".
Responsável pela construção da pista do Super Crown desde 2022, o arquiteto e skatista Daniel Oristanio, da California Skateparks, destaca também como a contrução tem uma preocupação enorme com a sustentabilidade.
“Em eventos da SLS (Street League Skateboarding) que não são com pistas permanentes buscamos aproveitar ao máximo os materiais, seja para reciclagem ou reutilização para outros projetos. Aproximadamente 70% dos materiais e obstáculos são reutilizados ou doados como está acontecendo agora”, afirma Oristanio.
“No caso do Ibirapuera utilizamos quase 30 metros cúbicos de concreto usinado, que pode ser reciclado para obras de infraestrutura", completou.
