Um dos esportes mais populares do planeta, o boxe está fora do programa de competições das Olimpíadas de Los Angeles, em 2028, mas o Comitê Olímpico Internacional (COI) ainda não selou que a modalidade realmente será uma ausência na próxima edição do maior evento esportivo do globo.
Essa indefinição é uma consequência da briga política que o próprio COI trava há anos com a Associação Internacional de Boxe (IBA), responsável por boa parte das lutas do boxe profissional, que são diferentes das disputas olímpicas. Os organizadores das Olimpíadas romperam com a entidade, liderada pelo russo Uma Kremlev, pelas falhas na implementação de reformas de estruturais e financeiras do orgão.
O COI tenta isolar a IBA e organizou, por conta própria, os torneios olímpicos de boxe nos Jogos de Tóquio, em 2021, e de Paris, disputado há dois meses. No entanto, essa novela ganhou mais um capítulo nesta segunda-feira (7).
De acordo com a Reuters, maior agência de notícias do mundo, a IBA convocou as confederações nacionais de boxe para se juntarem à ação legal que move contra o COI na justiça suíça.
Em agosto, a Associação Internacional de Boxe formalizou na Comissão de Concorrência da Suíça uma reclamação formal contra o COI, que tem base no país suíço, acusando que a entidade pratica "a dominância injusta do mercado global por organizar e vender os direitos comerciais dos Jogos Olímpicos."
"O COI está usando sua influência para impedir que boxeadores participem dos Jogos Olímpicos se suas confederações nacionais permanecerem filiadas à IBA, o que viola as leis de concorrência da legislação suíça", completa a ação.
A IBA afirma que o COI tem pressionado os comitês olímpicos nacionais para excluir as confederações de boxes de seus países filiadas à IBA. Essa medida, de acordo com a Associação Internacional de Boxe, é ilegal e, como resposta, convida as confederações de todos os países a participarem dessa ação legal na Suíça contra os organizadores dos Jogos Olímpicos.
Do outro lado, o COI afirma que o boxe ficará fora das Olimpíadas de Los Angeles se as confederações nacionais da modalidade não apontarem um novo orgão global para "substituir" a IBA e gerir a modalidade com transparência.
No início do ano passado, a World Boxing (Boxe Mundial) foi fundada e tenta cumprir esse papel, mas, por enquanto atraiu apenas 45 confederações nacionais. A nova entidade já está, inclusive, organizando campeonatos como as etapas da Copa do Mundo de Boxe. A última foi realizada em Ulaanbaatar, na Mongólia, em setembro, e atraiu 170 boxeadores de 12 países diferentes.
Uma fonte da World Boxing disse à Reuters que a entidade é a única solução para o boxe continuar como uma modalidade olímpica e que está convocando todas as confederações nacionais a se associarem.
Por fim, a IBA salientou que apoiaria processos legais nacionais de suas confederações associadas.
"Nós precisamos tomar medidas sérias para proteger nossos membros, confederações, atletas e técnico. Nós não vamos ficar parados enquanto as nossas pessoas enfretarem pressões ou exclusões", disse o Chris Roberts, CEO e secretáro geral da IBA.
A definição se o boxe estará nos Jogos Olímpicos de Los Angeles deve ser decidido até março do ano que vem, quando o COI se reúne para o 143º Assembleia Geral da entidade em Atenas, nas Grécia. Nesse congresso, além da confirmação do programa olímpico, também será definida a eleição da presidência da entidade.
