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Alvo de polêmica nas Olimpíadas, Imane Khelif vai à final do boxe e garante ao menos a prata

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Imane Khelif e Lin Yu-ting: por que COI não reconhece testes de gênero das boxeadoras? (2:03)

As duas têm a trajetória nos Jogos marcada por uma grande polêmica de gênero - e muita desinformação. (2:03)

Imane Khelif está na final do boxe feminino até 66 kg nas Olimpíadas de Paris. A argelina, alvo de discursos de ódio e disseminação de fake news, venceu a tailandesa Janjaem Suwannapheng e, ao menos, garantiu a medalha de prata.

Em todos os rounds, Khelif foi melhor que Suwannapheng, vencendo por 10 a 9. Agora, terá pela frente a chinesa Liu Yang valendo o ouro.

Antes do confronto da semifinal, argelinos foram às ruas de Roland Garros com a bandeira do país para cantar e prestar apoio à compatriota.

Em Paris, Imane Khelif atraiu os holofotes logo em seu primeiro combate, quando venceu a italiana Angela Carini em apenas 46 segundos, após a rival abandonar. Nas quartas de final, no sábado (3), o triunfo veio sobre a húngara Anna Luca Hamori, assegurando o lugar no pódio.

A raiz da polêmica em questão envolvendo a argelina está no fato dela ter sido desclassificada do Mundial de boxe de 2023, organizado pela Associação Internacional de Boxe (IBA, na sigla em inglês). Segundo a organização, Imane Khelif não atendia ao "critério de elegibilidade para participar na competição feminina".

"Essa decisão, tomada após uma análise meticulosa, foi extremamente importante e necessária para manter o nível de justiça e mais ainda a integridade da competição", explicou a IBA, em comunicado após o tema ganhar relevância diante da participação de ambas nas Olimpíadas.

A decisão em questão da IBA aconteceu em março de 2023, com base em testes realizados em Imane Khelif em 2022 e 2023. Desde então, contudo, a organização, presidida pelo russo Umar Kremlev, perdeu o status de responsável mundial pela modalidade, por denúncias relacionadas a falta de transparência financeira e também contra seus dirigentes.

Essas diferenças com o COI ficam claras quando a entidade responsável pelas Olimpíadas se manifesta sobre a questão da boxeadora. Uma dessas explicações, de por que não reconhecer os testes realizados em Imane Khelif, foram dadas novamente no último domingo (4).

Porta-voz do comitê, Mark Adams deixou claro que a entidade não vê confiabilidades nos testes da IBA. “Aqueles testes não são legítimos”, afirmou, confirmando que o COI recebeu uma carta da associação de boxe informando sobre a situação da boxeadora.

"A concepção do teste, como o teste foi compartilhado, como o teste se tornou público é tão falho, que é impossível aceitar. Não significa que não pode haver um processo no futuro, nós podemos discutir isso. Mas com a credibilidade da IBA, como é, não há credibilidade nesses testes ou nos métodos sob os quais esses testes foram realizados", encerrou o representante do COI.

Imane Khelif viu uma onda de discurso de ódio e circulação de boatos nas redes sociais surgirem após a luta contra a italiana Angela Carini. Nascida e criada mulher cisgênero, a boxeadora foi apontada como atleta transgênero. O COI lamentou a divulgação das fake news e prestou apoio à argelina.