Uma das modalidades mais tradicionais dos Jogos Olímpicos, o boxe é disputado desde a edição de St. Louis, em 1904, e desde então, ficou de fora apenas em Estocolmo-1912, porque a Suécia proibia a modalidade em seu país. Em Paris, como de costume, está disponível no cardápio de esportes.
O boxe feminino, no entanto, só entrou no programa olímpico em Londres-2012 e com apenas três categorias. A 'nobre arte' foi última modalidade que era exclusivamente disputada por homens nos Jogos Olímpico. Nas Olimpíadas da França, as mulheres disputam em 6 "pesos", enquanto o naipe masculino tem 7.
Além disso, outro marco histórico para a modalidade foi nas Olimpíadas do Rio de Janeiro, em 2016, quando os pugilistas profissionais, que brilhavam nas disputas de cinturão ao redor do mundo, foram permitidos que participassem do boxe olímpico. Até então, campeões mundiais, como Popó, Mike Tyson e outros grandes nomes do esporte eram impedidos de disputar os Jogos Olímpicos por já terem se profissionalizado, sendo pagos paralutar e ganhando bônus em caso de vitórias.
O Brasil conquistou sua primeira medalha no boxe olímpico com Servílio de Oliveira, que ficou com o bronze na Cidade do México, em 1968. O comentarista da ESPN é, inclusive, avô de Luiz Oliveira, o “Bolinha”, que vai fazer sua estreia nas Olimpíadas de Paris.
Após esse feito inédito no final dos anos de 1960, o boxe brasileiro sofreu com um enorme jejum até Adriana Araújo subir ao pódio em Londres-2012 na categoria peso leve. Nessa edição dos Jogos Olímpicos, o Brasil conquistou uma medalha de prata, com Esquiva Falcão, e duas de bronze, com Adriana e e Yamaguchi Falcão.
Na Rio 2016, veio a tão esperada medalha de ouro com Robson Conceição. O campeão olímpico, no entanto, foi único brasileiro que subiu ao pódio nessa edição dos Jogos. Em Tóquio, o Brasil conquistou três medalhas com Hebert Conceição (ouro na categoria até 75kg), Beatriz Ferreira (prata na categoria até 60kg) e Abner Teixeira (bronze no peso-pesado até 91 kg).
Desses três medalhistas, Bia e Abner vão para Paris para tentar subir novamente o pódio, e o técnico da Equipe Olímpica Permanente de Boxe, Mateus Alves, concedeu uma entrevista exclusiva para ESPN e contou as expectativas de medalhas para o Brasil na modalidade.
“A gente tem um prognóstico de conquistar duas medalhas, mas vamos tentar alcançar o número de medalhas de Tóquio. A gente sabe que uma modalidade repetir três medalhas em dois Jogos não é fácil.“
Essa meta do head coach é baseada no desempenho dos pugilistas nos últimos três anos.
“Nós temos na equipe seis medalhistas mundiais desse último ciclo. Temos 7 campeões sul-americanos e 4 campeões pan-americanos. É uma equipe estruturada e consistente. Posso dizer que esses 6 atletas que foram campeões mundiais estão concorrendo a uma medalha, mas isso não quer dizer que eles vão vencer seis medalhas”
Enquanto mantém os pés no chão, Mateus também não fica em cima do muro e aponta quais são os principais nomes do boxe brasileiro que podem subir ao pódio na capital francesa.
“A Bia (Ferreira) é muito forte, o Keno (Marley) é muito forte e foi medalhista de prata no mundial. A Bárbara (Santos) e Carol (‘Naka’ Almeida) foram bronze também no Mundial e as duas são campeãs pan-americanas.”
Além dos nomes citados pelo técnico, Wanderley “Holyfield” Pereira foi prata no último Mundial na categoria até 75kg, mas vai competir no peso até 80 em Paris. Nesse mesmo campeonato, Wanderson de Oliveira, o “Shuga”, foi bronze, mas não conseguiu se classificar para as Olimpíadas após cair “cedo” nos Jogos Pan-Americanos e nos últimos Pré-Olímpicos.
“Nós temos um grupo consistente e desse grupo, acreditamos que duas ou três medalhas são possíveis.”, concluiu o treinador.
Com 10 boxeadores classificados para os Jogos Olímpicos, o Time Brasil será a 3ª maior da delegação da modalidade, atrás apenas da Austrália e Uzbequistão, que viajam para França com 12 e 11 pugilistas. A torcida brasileira só não terá representantes nas categorias até 63,5 kg e até 71kg na masculina e na 75kg na feminina, de todas as 13 do programa olímpico.
A modalidade começa a ser disputada no dia 27 de julho, na Arena Paris Norte, no departamento de Seine-Saint-Denis, na região metropolitana de Paris. Algumas semifinais restantes e as finais serão realizadas no complexo de Roland Garros, a partir do dia 6 de agosto.
