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Da amizade de duas décadas às Olimpíadas de Paris: como Bárbara Seixas e Carol Solberg construíram dupla

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Carol Solberg e Bárbara Seixas contam como superaram dificuldades no início da dupla com ajuda de técnica lendária (1:58)

Dupla brasileira do vôlei de praia está classificada para as Olimpíadas de Paris (1:58)

Uma amizade de mais de duas décadas finalmente se transformou em parceria profissional. E de sucesso.

Bárbara Seixas e Carol Solberg iniciaram dupla no vôlei de praia na temporada 2021, e os frutos logo renderam. Para este ano, o ápice está a caminho: elas conquistaram vaga para os Jogos Olímpicos de Paris após boas campanhas em Doha, no Qatar (título), e Tepic, no México (bronze). Sonhos que se uniram e se realizam juntos, conforme elas contaram neste papo exclusivo com a ESPN no EC Pinheiros em janeiro deste ano.

"Fizemos uma trajetória muito parecida de escolhas, né? Jogamos juntas nesses Mundiais sub-18 e na quadra também juntas no Flamengo. Sempre estivemos nos mesmos campeonatos, mas nunca fizemos dupla. Eu joguei muitos anos com minha irmã, a Bárbara fez diferentes duplas também."

"Partiu de mim, há três anos eu liguei para a Bárbara. A gente iniciou essa parceria e estamos aí na luta. Está sendo um barato. A gente está muito feliz", lembra Carol.

A sintonia entre as cariocas começou já ao nascerem: Bárbara (3 de agosto de 1987) é só três dias mais velha do que Carol (6 de agosto de 1987). Mesmo não sendo altas em comparação à geração atual de jogadoras - ambas têm 1,78m -, elas compensam com a experiência, a química e a versatilidade.

"A gente se complementa, mas eu acho que a gente tem uma química ali dentro de quadra, uma confiança, uma energia que... Eu acredito muito nisso, e acho que a Bárbara também, do quanto isso move as coisas dentro de quadra. Quanto isso transforma um momento difícil, o quanto você se olhar ali na hora H e dar a mão e traçar uma tática juntas, acreditando naquilo, o quanto isso faz diferença, sabe?", define Carol.

"Com os treinamentos, a gente também ganhou muita versatilidade. Nós somos duas jogadoras que têm uma recepção muito boa, passamos muito bem, e com isso fomos criando também novas ferramentas para poder equilibrar muito essa questão da altura."

"Porque realmente nós não somos jogadoras extremamente altas, mas se você tem ferramentas ali dentro da quadra, como fazer diferentes jogadas, saber jogar na frente, saber jogar atrás, saber jogar uma bola mais acelerada, isso tudo você consegue taticamente ir neutralizando o tamanho, o que quer que seja, das outras jogadoras", explicou Bárbara, prata no Rio-2016 ao lado de Ágatha.

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Carol Solberg e Bárbara Seixas contam expectativa para as Olimpíadas de Paris em entrevista exclusiva

Dupla brasileira do vôlei de praia está classificada para os Jogos Olímpicos

Para complementar essa química, a dupla tem Letícia Pessoa como técnica. Alguém que entende dos Jogos Olímpicos - são três medalhas de prata - e de pessoas.

"Tudo requer muito trabalho. Você tem que criar um entrosamento, tem que desenvolver realmente essa química, esse entrosamento ali não só dos treinamentos e da parte tática, mas também de sintonia mesmo. Então, o começo é sempre muito assim. A gente tem muitas dúvidas, mas eu acho que esse é o legal do técnico."

"A Letícia, por exemplo, não nos viu como a gente era naquele momento (em 2021), mas como a gente poderia ficar, no que a gente poderia se tornar. Então, a importância de você ter pessoas com você ali, que tem essa visão, que você confia, que tem essa visão de falar 'paciência'...", analisa Bárbara.

"Tudo isso que talvez agora não está se traduzindo em resultados, vai se traduzir. A gente está construindo aqui uma base para poder chegar onde a gente quer chegar".

Carol complementa: "Eu acho que essa vida de atleta, essa vida corrida de circuito mundial, de estar no Tour, tem muitos desafios. Eu acho que conseguir manter essa essa vibe boa mesmo da equipe,a gente tem isso muito parecido também. E principalmente é uma forma de eu acreditar no formato de trabalho. A essência, no sentido de passa por isso, passa por esse amor, passa por esse comprometimento, pela disciplina".