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Tom Brady e suas histórias no playoffs: veja as seis piores derrotas do quarterback na pós-temporada da NFL

Tom Brady lamenta durante Tampa Bay Buccaneers x Baltimore Ravens Mike Ehrmann/Getty Images

Tom Brady tem 13 derrotas nos playoffs, apenas 4 jogos com menos de 200 jardas aéreas e perdeu duas vezes para o mesmo time em sua história na pós-temporada


*Conteúdo patrocinado por Samsung, C6Bank, Mitsubishi, Ballantine's, Vivo, Advil e Sankhya

Com 45 anos, Tom Brady teve uma de suas piores derrotas em sua história nos Playoffs da NFL no domingo.

Durante os 20 anos de presença na pós-temporada, foram 48 jogos, apenas 13 derrotas, 7x vencedor do Super Bowl, 4x MVP deste jogo e 10x campeão de Conferência (AFC e NFC). É o atleta que reescreveu a história da pós-temporada: se tornou o quarterback com mais vitórias (35). É o jogador com mais touchdowns aéreos produzidos (88), mais jardas (13.400), mais passes completados (1200). É o Quarterback com mais viradas no último quarto (9), que liderou seu time para a vitória (14), com mais passes em um jogo de Playoffs (505), no Super Bowl LII, na derrota para o Philadelphia Eagles.

Até na derrota ele vende difícil. Com mais de 20 anos vestindo o uniforme do New England Patriots e três anos com o Tampa Bay Buccaneers, o currículo do quarterback é a história da pós-temporada desde 2003. De muitas glórias e infelizes 13 situações para um dos melhores jogadores da história. Dentre elas, apenas em cinco ocasiões isso aconteceu por mais de uma posse.

Segunda-feira isso tornou a se repetir. Contra o Dallas Cowboys, mesmo tentando de tudo: lançando 66 passes, completando 35, com 351 jardas, 2 touchdowns, não foi nem perto o bastante para conter o rolo compressor texano. A derrota por 31 a 14 foi a segunda pior que Brady já sofreu nos Playoffs e, por isso, trouxemos aqui com a lista dos piores reveses que o quarterback lendário da NFL sofreu na pós-temporada.


No meio do caminho tinha um Giants... Tinha um Giants no meio do caminho

É inesquecível o que os Giants fizeram... E mais de uma vez!

Em 2007 o New England Patriots foi o melhor time da temporada regular e por muito. Com Randy Moss, Brady conseguiu alcançar patamares incríveis no jogo aéreo e a equipe figurava entre os melhores ataques da história da NFL e estava se encaminhando para ser o segundo time com uma temporada perfeita na história, ao lado do Miami Dolphins de 1972.

Porém, o New York Giants, do quarterback Eli Manning e técnico Tom Coughlin, que não tinham nada a ver com isso, conseguiram uma vitória no Super Bowl, por 17 a 14. Este jogo ficou marcado não só pelo baixo placar, mas por Coughlin e Manning conseguir decodificar a defesa de Belichik no último quarto e conseguir a vitória no momento decisivo, enquanto sua defesa pressionava o quarterback com todo seu poder.

O camisa 12 foi extremamente pressionado e sofreu 5 sacks. No último quarto teve uma posse de bola para aumentar a diferença no placar e conseguiram apenas 3 pontos. Com isso, Eli apareceu no final e virou a partida, faltando 35 segundos. No fim, Brady terminou aquele jogo com 29 passes completados, de 48 tentados (60%), 266 jardas e apenas um touchdown.

Em 2011, na segunda vez, a situação começou parecida. Em uma jogada controversa, Brady lançou a bola para fora, mesmo estando no pocket, o que constatou uma falta de intentional grounding na própria end zone, levando a um safety. A pressão continuava impressionante e o quarterback dos Patriots tentou o que pôde.

Conseguindo pontuar nos três primeiros quartos, Brady conseguiu 27 passes completados, em 41 tentativas (65%), acumulando 276 jardas. A interceptação, os sacks (2), hits no QB (7) foram tornaram o jogo sufocante para o camisa 12 e Eli novamente conseguiu um passe milagroso (desta vez para Mario Manningham - WR) na lateral do campo e conseguiu pontuar, faltando 57, mesmo com Ahmad Bradshaw (RB) tentando ganhar mais tempo.

Mais uma derrota para os Giants, de Eli Manning e companhia, em um Super Bowl, por menos de uma posse (21 a 17).


O último jogo com o uniforme dos Patriots

Tom Brady teve seis jogos sem touchdown na pós-temporada. Em cinco ocasiões, sua defesa e ataque corrido na endzone garantiram as vitórias. Porém, em seu último jogo por New England, a situação precisava mais do jogador e parecia impossível.

O jogo em si teve apenas 3 touchdowns totais e quem lançou o único naquela partida foi Ryan Tannehill, que também não foi utilizado tantas vezes (8 passes completos de 15 tentados, 72 jardas). Quem brilhou foi Derrick Henry, que acumulou 34 tentativas de corridas e conseguiu 182 jardas, além de um touchdown.

E como diz um sábio: quando você joga contra grandes quarterbacks, você precisa diminuir o dano, então é necessário que o seu ataque fique o mais tempo possível em campo, para dar pouco tempo ao grande jogador do outro lado. Isso foi garantia para minar o desempenho de Brady.

O camisa 12 do New England completou 20 passes, de 38 tentados, e acumulou apenas 209 jardas. Aquela defesa do Tennessee Titans marcava tão bem o jogo corrido e os passes de Brady, que o impediu de conseguir um com mais de 29 jardas.

Frustrado, irritado e visivelmente descontente, o segundo tempo inteiro foi dominante para as defesas e tudo foi selado na última jogada da partida, quando Brady foi interceptado por Logan Ryan (CB), que hoje está no Tampa Bay, quando retornou para mais 6 pontos e definiu a eliminação dos Patriots, no último jogo da dinastia Bill Belichik-Tom Brady, em New England.


Brady x Manning: Indianápolis

A rivalidade entre Brady e Manning foi criada na primeira década deste século. Pelo foco no lançamento, qualidade e talento que ambos tinham, revolucionaram os ataques da NFL, que passaram requerer mais passes aéreos de seus QBs. A dupla causou um impacto em toda a estrutura de ataque, desde o colegial, universitário e futebol americano profissional, além de encantar o mundo com suas habilidades.

Juntos fizeram vários duelos na temporada regular e três na pós-temporada por estas equipes. Tom Brady venceu dois e teve apenas uma derrota para o Indianapolis Colts de Peyton Manning, na Final da Conferência AFC.

Isso aconteceu na temporada 2006, quando se enfrentaram pela primeira vez no Lucas Oil Stadium, nos Playoffs. Aquele jogo foi um show de ataques e terminou 38 a 34 para os Colts, que depois venceriam o Super Bowl, contra o Chicago Bears. Naquela partida Tom Brady teve números humildes, apenas 21 passes completados, de 34 tentados, 232 jardas e 1 touchdown.

A questão foram os turnovers: um fumble e uma interceptação. No primeiro tempo os Patriots pareciam dominar a partida, mas o segundo tempo contou com apenas um touchdown e vários field goals. Sem traduzir a distância percorrida em pontuação máxima, o Indianápolis de Manning, que terminou a partida com 349 jardas lançadas, contou com ajuda de seu jogo corrido ultrapassando as 100 jardas, continuaram a pontuar no segundo tempo (32 a 13 nos últimos quartos) e conseguiram a virada histórica, rumo ao Super Bowl.


O surpreendente Jets de 2010

Em 2009 o técnico Rex Ryan transformou o New York Jets.

A equipe tentou até trazer Brett Favre, aquele ex-quarterback do Green Bay Packers antes de Aaron Rodgers, mas, com a mudança de técnico, o foco do time mudou e se tornou construir uma ótima defesa.

Em um ano, Rex Ryan mudou aquela defesa da água para o vinho. De 16ª na NFL, saltou para a 1ª posição. Sólida na linha defensiva, pesada em seus linebackers e com boas coberturas de passe, foi um time que causava estrago contra os ataques. David Harris (MLB), a dupla de cornerbacks Antonio Cromartie e Darrell Revis, Calvin Pace (EDGE) e Jim Leonhard (SS) eram alguns nomes daquele time sensacional que se criou.

A equipe chegou a Final de Conferência, perdendo para o Indianapolis Colts de Peyton Manning, que perderia o Super Bowl para o New Orleans Saints.

Mas, em 2010 este time, este time melhorou ainda mais. Contratou o lendário Ladainian Tomlinson, running back que fez história pelo San Diego (Los Angeles) Chargers, e foi um dos melhores times da AFC, chegando a 11 vitórias e cinco derrotas na temporada com um ataque diferente, comandado por Mark Sanchez, mas com foco no jogo corrido de Tomlinson e Rashaad Greene.

Os Patriots acumularam apenas duas derrotas e 14 vitórias naquele ano. Eram, novamente, favoritos contra este Jets, depois de vencerem o segundo jogo da temporada regular por 45 a 3, acabando com o mito de ótima defesa.

Até que, na semifinal de divisão, se reencontraram e foi completamente diferente.

A defesa de Rex Ryan foi a equipe que mais conseguiu sacks contra Tom Brady (5) e ainda encostou 7 vezes no quarterback. Lembrando que a regra de roughing the passer era completamente diferente naquela época, então você imagina como estes hits aconteceram.

David Harris (MLB) e companhia não deram descanso e fizeram da vida do quarterback um inferno. Junto ao incrível jogo de Mark Sanchez, que conseguiu apenas 194 jardas, mas em eficiências excelentes de apenas 9 passes errados, acertando 16 e anotando 3 touchdowns.

Além disso, a defesa conseguiu forçar dois fumbles, um deles sobre Brady. Conseguiram uma interceptação e tudo isso em uma dificuldade imensamente sufocante que o camisa 12 teve. No fim, o quarterback terminou o jogo com 29 passes completados, em 45 tentados, 299 jardas, 2 touchdowns, uma interceptação e um fumble.

Tudo isso fez com que a equipe de Nova York fosse novamente para a Final de Conferência, pelo segundo ano seguido, mas desta vez embalada por acabar com o rival de divisão, que vinha de apenas 2 derrotas na temporada.

No fim, perderam novamente a Final da AFC para o Pittsburgh Steelers. Os Steelers seriam derrotados do Super Bowl mais tarde, diante do Green Bay Packers de Aaron Rodgers.


Brady x Manning 2

Depois de uma contusão e por conta da sua idade, o Indianápolis Colts achou melhor trocar Peyton Manning e começar uma reconstrução com um novo quarterback, que estava dando o que falar no College Football, chamado Andrew Luck, de Stanford. Com isso, o quarterback lendário foi negociado e transferido para o Denver Broncos.

Com os Broncos, Manning teve rejuvenescimento e começou a figurar entre os melhores times da AFC novamente. A passagem de Brady para o Super Bowl foi impedida duas vezes: uma em 2014 e outra em 2016 nas Finais de Conferência.

Na primeira vez, mesmo com a derrota, por 26 a 16, Brady conseguiu completar 24 passes, de 38 (63%), 277 jardas, 1 touchdown. Foi pressionado, mas o principal fator foi a falta de um jogo corrido: foram menos de 70 jardas, em 14 tentativas. Além disso, Manning lançou para 400 jardas, conseguiu 2 touchdowns, errando só nove passes de 43 tentados. No Superbowl isso não aconteceu e aquela defesa, conhecida por "The Legion of Boom", garantiu a vitoria esmagadora do Seattle Seahawks, por 43 a 8.

Porém, em 2016, a situação foi completamente diferente. Manning já não estava em seu auge, mas o que fez diferença foi o incrível desenvolvimento e desempenho da defesa dos Broncos. Novamente, a pressão foi incessantemente infernal. Foram 17 hits no quarterback, sem a regra de roughing the passer tão dura quanto é hoje.

Von Miller (LB - EDGE), Demarcus Ware (EDGE) e Derek Wolfe (DT) fizeram da vida de Brady um inferno e mesmo assim ele tentou o que pôde. Foram 310 jardas, em seu pior aproveitamento de passes em uma derrota na pós-temporada (48%), onde teve seu terceiro maior número de tentativas de passe em um jogo de playoffs (56) - perdendo apenas para o jogo do final de semana (66), contra o Dallas Cowboys, e naquela final épica contra o Atlanta Falcons (62) - e completando 27 passes em um dos jogos mais hostis que esteve presente.

Essa defesa garantiu também o Super Bowl para Denver. Contra o Carolina Panthers de Cam Newton, Von Miller (LB) foi MVP daquele Super Bowl, se tornando o 10º jogador de defesa a conseguir este feito e o 9º atleta defensivo individual, limitando aquele Carolina em apenas 10 pontos.

Denver Broncos é responsável pelas 4ª e 5ª maiores derrotas de Brady na pós-temporada.


Alinhamentos e pesadelos para Brady

No final dos anos 2000 e começo dos anos 2010, existiu um Baltimore Ravens espetacular, resquício daquela defesa que venceu o Super Bowl em 2000. A equipe contava com Ray Lewis (MLB), MVP deste Super Bowl no começo do milênio, Terrell Suggs (EDGE), Haloti Ngata (DT), Ed Reed (FS), Lardarius Webb (CB) e Bernard Pollard (SS). Estes jogadores eram responsáveis pela defesa que, quando estava saudável e presente, acabava com Tom Brady.

Além disso, era um time completo que tinha Joe Flacco como quarterback, Ray Rice (RB), Anquan Boldin e Torrey Smith como wide receivers, Ed Dickson e Dennis Pitta na posição de tight end. O jogo corrido era principal arma, mas os recebedores e QB de qualidade davam outra dimensão para este time.

Mas todo esse composto unido era realmente difícil, principalmente porque Suggs teve vários problemas de saúde durante os anos. Boldin, Dickson e Webb sofreram com contusões, mas um pouco menores. Então, em três confrontos, Brady conseguiu vencer apenas um, nas outras duas, anotou menos de 15 pontos e perdeu por mais de uma posse de bola duas vezes.

A terceira maior derrota de Brady aconteceu em 2013, na final da Conferência AFC, por 28 a 13. O quarterback, que estava no New England Patriots na época. Conseguiu apenas um touchdown, lançou duas interceptações, foi tocado 6x na pressão de Baltimore e, em seus 54 passes (seu 3º maior número), só conseguiu 53% de sucesso (29), conseguindo 320 jardas.

Joe Flacco, que hoje está no Jets, estava imparável e continuaria sua jornada ao Super Bowl sem uma interceptação sequer nos Playoffs, conquistando o segundo campeonato dos Ravens, contra o San Francisco 49ers de Colin Kaepernick, no último jogo de Ray Lewis e Ed Reed com a camiseta roxa de Baltimore até chegarem ao Hall da Fama.

Mas, a maior derrota de Tom Brady nos playoffs aconteceu em 2010 para este mesmo time.

Naquele jogo Baltimore conseguiu desviar 6 passes, 3 interceptações, além de botar bastante pressão no número 12, que sofreu 3 sacks em 7 hits totais.

O camisa 12 foi anulado por esta defesa: Conseguiu seu pior número em jardas aéreas em uma derrota (154), a pior marca em interceptações em uma derrota (3), pior eficiência no passe (49,1), menor número de jardas aéreas por passe (4,6) e ainda perdeu uma posse de bola em um fumble.

Em pleno Gillette Stadium, casa do New England, o jogo corrido com Ray Rice (RB) e aquela defesa espetacular garantiram a vitória para os Ravens, pela maior derrota sofrida por Brady, 33 a 14.