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Mais preciso da história da NFL, Justin Tucker se frustrou no draft e encantou Ravens desde 1º treino

Justin Tucker recebeu recentemente um contrato de quatro anos que definiu um novo recorde para os kickers da NFL. Mas se você perguntar para qualquer torcedor do Baltimore Ravens, os US$ 5 milhões anuais que o camisa 9 receberá, em média, por ano, é um valor baixo.

Com o caminho bem pavimentado para ter seu nome entre os maiores de toda a história do esporte, Tucker não poderia pensar nesse sucesso há sete anos, quando nem sequer recebeu um convite para o Combine.

Depois de não ser recrutado no draft de 2012, Tucker impressionou o técnico John Harbaugh logo no primeiro treino, quando acertou um chute de 55 jardas. “Isso é muito bom! Onde encontramos esse rapaz?”, perguntou o técnico.

“Eu estava escondido na Universidade do Texas”, respondeu Tucker, com um leve e proporcional tom de ironia, já que o tão comentado time dos Longhorns tinha o kicker capaz de vencer jogos de muita rivalidade, mas que pouco repercutia.

Se ninguém o via antes, hoje é complicado. Afinal, Tucker é o mais preciso kicker da história da NFL, com 90,1% de aproveitamento nos chutes tentados, e é o mais rápido da posição a alcançar os 900 pontos na carreira.

Como se isso não bastasse, kicker formado em Música, também leva seus shows para os palcos, ganhando até concursos de talentos.

O caminho até Baltimore

Fã de Adam Vinatieri, Tucker viu seu caminho ser aberto nos Ravens justamente por um confronto contra o New England Patriots. Foi na final da AFC da temporada de 2011 que Billy Cundiff perdeu o chute de 35 jardas que levaria a partida para a prorrogação e gerou uma certeza em Rob Roche, seu agente.

“Eu disse para minhas crianças: ‘Justin Tucker estará com os Ravens no ano que vem. ’ Sabe por quê? Justin tem aquela estrutura mental para acertar o chute decisivo”, contou Roche em entrevista à ESPN.

O pai de Justin, Paul Tucker, era um pouco mais cético e contou que ouviu de um amigo que os Ravens seriam o destino do filho. “Sim, leval. Mas, agora, ninguém está batendo nas portas atrás de Justin”, lembrou.

“Como eu faço todos os anos, eu recolho todas as possibilidades de kickers. Vou atrás das estatísticas da NCAA e tento achar todos kickers elegíveis para o draft que tenham números decentes. Justin Tucker tinha isso, e eu coloquei seu vídeo. Seu talento saltou aos meus olhos”, contou Justin Rosburg, então coordenador do time de especialistas dos Ravens.

O kicker contou que Rosburg só foi vê-lo treinar em Austin dois dias antes do recrutamento. “Acho que foi uma boa ideia. Ele não queria dar uma dica e ter outra pessoa pensando ‘Oh, Rosburg, que respeitamos, está treinado com este garoto. Precisamos dar uma outra olhada nele’. Ele esperou até ninguém mais poder fazer testes comigo, o que, olhando agora, foi bem espero”, disse Tucker.

“O treino foi fabuloso. Eu basicamente coloquei todos meus ovos em uma só cesta, honestamente. Sem olhar o resto da lista de kickers daquele ano, eu tinha Justin no topo”, revelou Rosburg.

Naquele draft foram quatro os kickers selecionados: Randy Bullock, pelos Texans; Blair Walsh, pelos Vikings; John Potter, pelos Bills; e Greg Zuerlein, pelos Rams. Tucker apenas assistiu.

“Eu acho que Justin realmente pensou que ele seria selecionado. Não foi uma grande festa para o draft. Era apenas eu, Justin, a mãe dele e Joe Taylor, que fazia a narração para os jogos do colégio. Justin não foi recrutado, então ele estava desapontado”, contou o pai.

“No mesmo instante, ele recebeu uma chamada e foi para o canto. Joe Taylor estava conversando com alguém no telefone e falou, ‘eu acho que está entre Cowboys e Ravens. Acho que vai para os Cowboys’”, completou.

Tucker havia atraído atenção também do Chicago Bears, mas a vontade da franquia de Illinois era de tê-lo como punter, enquanto os Cowboys pensavam em algo “híbrido”, ocupando as duas funções. A vontade era mesmo de ir para Baltimore, e bastava vencer a competição com Cundiff para seguir.

Apesar do chute errado na partida decisiva, Cundiff ainda tinha muita moral na franquia. Eleito para o Pro Bowl dois anos antes, ele não entregaria a posição sem muita competição e era apontado como favorito na disputa.

“Antes do terceiro jogo da pré-temporada nós tivemos uma disputa. Levei os dois para dentro (do campo de treino) e fizemos uma competição de kickoff. Billy era fenomenal, se você se lembra. Ele era muito bom nos kickoffs. Justin venceu aquela competição. Demos à ele o terceiro jogo inteiro”, contou Rosburg.

Na hora de definir o último corte no elenco, John Harbaugh ainda tinha dúvidas sobre quem seria o dono da posição de chutador oficial da equipe. Mas foi dele a palavra final.

“Eu lembro de ir rodar a mesa dos treinadores e perguntar a cada um deles quem eles achavam que devia ser o kicker: Billy ou o garoto novo. Foi basicamente Billy. Não foi uma vitória esmagadora, mas era bem favorável ao Billy. Então, eu disse: ‘Só tem um voto que realmente conta, então Tucker vai ser o kicker’”, contou Harbaugh.

Passados sete anos, é pouco provável que ele, ou qualquer outra pessoa, questione esta decisão.

“Acho que ele é o melhor de toda a história do jogo”, completou o treinador, orgulhoso da decisão que tomou.