O 'faz tudo' dos Saints que se tornou único na NFL em jardas corridas, passadas e recebidas

Taysom Hill aplaude torcida após jogo dos Saints Perry Knotts/Getty Images

Muitos atletas se destacam na NFL ou por belos passes, por recepções ou então corridas. Agora pense uma mesmo pessoa brilhar em todos esses quesitos? É muito raro, mas pode acontecer, e esse é exatamente o caso de Taysom Hill. O jogador do New Orleans Saints entrou para a história da liga no último domingo (21), na vitória para cima do New York Jets por 29 a 6.

Hill correu 12 vezes para 42 jardas, lançou um passe de touchdown de 38 jardas para Chris Olave e fez quatro recepções para 36 jardas, somando agora 1.002 jardas recebidas na carreira.

Ele também tem 2.551 jardas corridas e 2.426 jardas passadas, o que o torna o primeiro jogador na era do Super Bowl a ultrapassar a marca de 1.000 jardas em todas as três categorias. Em seus nove anos na liga, Taysom Hill marcou 45 touchdowns e lançou 12 passes para touchdown.

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O atleta de "trajetória diferente" jogou futebol americano universitário como quarterback pelos BYU Cougars e assinou com o Green Bay Packers como agente livre não draftado em 2017. Foi dispensado durante os cortes finais do elenco e assinou com os Saints logo em seguida.

Conhecido por sua versatilidade, Hill já ocupou as posições oficiais de quarterback e tight end, além de desempenhar diversas outras funções no ataque e nos times especiais. Ele é conhecido como "o canivete suíço humano" pela mídia de Nova Orleans.

Hill se tornou tão eficaz como um jogador multifuncional que times da NFL por toda a liga tentaram imitar o sucesso dos Saints com ele. Diversas equipes selecionaram ou contrataram quarterbacks universitários atléticos nas últimas rodadas do draft, tentando criar sua própria versão de "faz tudo", entre eles Jalen Milroe (Seattle Seahawks), Easton Stick (Los Angeles Chargers), Nick Fitzgerald (Tampa Bay Buccaneers), Trace McSorley (Baltimore Ravens) e Eric Dungey (New York Giants). Os Saints até tentaram encontrar uma versão mais jovem dele em 2020, quando selecionaram Tommy Stevens, vindo da Universidade Estadual do Mississippi.

Além de ter entrado na história da NFL, Taysom Hill pode ter feito, no domingo, seu último jogo em casa pelos Saints, já que seu contrato chega ao fim ao término da atual temporada e o time não atua mais nenhuma vez no Superdome, já que enfrenta Tennessee Titans e Atlanta Falcons fora de casa e não tem mais chances de playoffs.

Na coletiva de imprensa após a partida, o jogador se emocionou.

"Com licença", iniciou ele, fazendo uma pausa para se recompor. "Não senti nada em especial esta manhã, mas enquanto dirigia para o estádio hoje, comecei a pensar nos últimos nove anos e no que eles significaram para mim, minha família, esta cidade e tudo mais. Acho que, para mim, pessoalmente, a gente tenta absorver tudo."

A temporada tem sido difícil para Hill, que sofreu uma grave lesão no joelho em dezembro passado e retornou 10 meses depois. Ele correu para um touchdown contra o New England Patriots em seu segundo jogo de volta. Mas as jardas que costumavam vir com facilidade para ele, como conversões de quarta descida para uma jarda, se mostraram mais desafiadoras.

Hill teve três jogos consecutivos antes da última partida em casa, no domingo, nos quais teve menos de 3 jardas corridas e teve problemas para segurar a bola na chuva contra os Bucs. Quando recebeu a bola no início do jogo contra os Jets, sofreu um fumble.

Mas o técnico dos Saints, Kellen Moore, estava claramente determinado a tornar o jogo de domingo especial para Hill. Tanto é que o escalou novamente na campanha ofensiva seguinte e continuou chamando jogadas para ele, admitindo mais tarde que tudo foi orquestrado de propósito.

"As oportunidades certamente estavam a seu favor no final do jogo", disse Moore com um sorriso.

A jogada final dos Saints na partida acabou sendo um passe de touchdown de 38 jardas de Hill para Olave. Após o jogo, se descobriu que o plano inicial dos técnicos era manter Olave no banco com o jogo ganho, mas o wide receiver insistiu para participar do momento especial.

"Eu definitivamente queria fazer parte disso, especialmente porque eu conhecia o Taysom, eles queriam que ele marcasse um touchdown, então eu queria participar", disse Olave. "E era um passe longo também, então eu definitivamente queria estar lá."

Agora, com seu nome na história dos Saints e da NFL, Taysom Hill planeja aproveitar cada momento das próximas duas semanas antes de pensar no que vem a seguir: "Tenho muito amor pela cidade de Nova Orleans e por essa torcida, e pela maneira como eles me acolheram e à minha família. Tem sido realmente especial. Eu não gostaria de jogar em outro lugar, mas também existem muitas circunstâncias que estão fora do nosso controle."