Futebol americano no Brasil: como NFL Game contribui para desenvolvimento da seleção brasileira da modalidade

Quarterbacks prontos! Nesta sexta-feira (5), Kansas City Chiefs e Los Angeles Chargers entram em campo na Neo Química Arena, na zona leste de São Paulo, pela primeira semana da nova temporada da NFL. O jogo começa às 21h (de Brasília) com transmissão do Disney+.

Após o sucesso do primeiro jogo no Brasil, a principal liga de futebol americano do planeta retorna ao território brasileiro após um ano e, mesmo antes de qualquer touchdown, já tem um vencedor bem claro: o ecossistema da modalidade no país.

Quem explica esse efeito é a presidente da Confederação Brasileira de Futebol Americano (CBFA), Cristiane Kajiwara. A dirigente concedeu entrevista exclusiva à ESPN e contou como o grande impacto dessas partidas da NFL no Brasil será a médio e longo prazo, mas já sente mudanças positivas desde o ano passado.

“Antes era um ambiente muito nichado, hoje já é mais falado no público em geral. Muita gente às vezes não sabe direito que tem até a modalidade aqui no Brasil, mas por conta de toda essa exposição e de saber que vai ter esse jogo aqui na Arena Corinthians, de aparecer bastante também na TV aberta e com mais pessoas falando sobre o jogo, a gente acaba tendo mais visibilidade".

Essa exposição do futebol americano no Brasil ajuda a desenvolver a modalidade e atrair mais investimentos.

“Isso facilita bastante para começar qualquer conversa, seja, por exemplo, com os órgãos públicos para falar de parcerias de estrutura, ou com as empresas para possíveis patrocinadores. Essa visibilidade maior, desde o ano passado com o jogo aqui, facilita muito a gente iniciar essas as conversas.”, explicou a presidente da CBFA, que também espera consequências ainda melhores em alguns anos.

“Já tem um impacto muito forte e já positivo para nós aqui. A médio e longo prazo, o público que curte NFL e que gosta do futebol americano, vai começar a descobrir que tem o futebol americano praticado aqui no Brasil. Aos poucos, com esses investimentos, vamos melhorar o nosso produto também e que ele também comece a atrair esses fãs".

Muita gente não sabe, mas o país tem uma seleção, apelidada de Brasil Onças e um campeonato nacional de futebol americano que está passando por unificação, um feito comemorado pela presidente.

“Antes, tinha o Brasileirão de futebol americano e a Liga BFA (Brasil Futebol Americano). Hoje virou a Superliga de Futebol Americano. A gente sabe que ainda é um esporte amador, quase ninguém aqui no Brasil consegue viver só do futebol americano. Então, todo mundo tem a sua profissão e é atleta também".

Com a visibilidade da NFL e os novos investimentos, a presidente espera reduzir os gastos de quem pratica o esporte e com esse ‘trabalho de formiguinha’.

“Os times têm muitos custos também para participar dos campeonatos. Então, pouco a pouco, a gente tirando pelo menos esses custos, que assim eles não recebam por enquanto, mas pelo menos eles deixem de gastar e tentar melhorar essa estrutura".

Outro avanço importante da modalidade no Brasil também foi celebrado essa semana com o 1º Fórum Brasileiro de Futebol Americano. Além de analisar o crescimento do esporte e também discutir novas oportunidades, o encontro celebrou o novo status do Flag Football, agora reconhecido como modalidade olímpica.

Flag Football nas Olimpíadas

Além da exposição graças aos jogos da NFL para o Brasil, a confederação também passou a receber recursos do Comitê Olímpico do Brasil (COB) para o Flag Football, versão adaptada do futebol americano que estará presente nas Olimpíadas de Los Angeles, em 2028.

Inclusive, a seleção brasileira de Flag viaja na semana que vem para o Pananá, onde vai disputar o torneio continental da modalidade que classifica para o Mundial do ano que vem.

“Será primeira competição que a gente vai conseguir viajar, atletas e comissão técnica, com todos os custos bancados através do COB. Não vai ser aquela correria, como nos últimos anos, de ficar atrás de recursos, com vaquinhas e outras coisas nesse sentido, onde cada atleta tinha que correr atrás da sua própria viagem, passagem e hospedagem".

O IFAF Flag Football Americas começa no dia 12 de setembro, com disputas no masculino e feminino, e será um desafio grande para mensurar o nível das equipes brasileiras.

“Será o primeiro ano com essa tranquilidade de pensar exclusivamente nos preparativos no campo. A gente precisa se classificar para o Mundial do ano que vem e precisamos performar, ainda mais porque aumenta a responsabilidade com os recursos do COB. Agora, vamos focar só na parte do esporte, então a gente começa a ter condições de melhorar o nosso desempenho".

O critério de classificação para as Olimpíadas de Los Angeles ainda não foi definido, mas o que se sabe é que serão apenas seis seleções na disputa olímpica. Essa indefinição não atrapalha o foco do Brasil, que sabe que terá uma vida muito difícil.

“De qualquer forma, a gente precisa ir bem e se classificar para o Mundial. Então, a gente precisa ir bem nos próximos torneios para ter alguma chance de brigar por essa classificação, independente de como será. A gente está no continente dos três melhores colocados dos Jogos Mundiais (Competição internacional que reúne esportes não-olímpicos). O México ficou em o primeiro lugar, os Estados Unidos em segundo e Canadá em terceiro".

As três potências estão confirmadas na disputa. No feminino, o Brasil está no mesmo grupo das americanas, além do anfitrião Panamá, Jamaica e Colômbia. No masculino, a seleção brasileira enfrenta na 1ª fase os EUA, Canadá, Guatemala e Colômbia. Os dois melhores de cada grupo avançam para as semifinais.

A seleção brasileira de Flag Football costuma ter alguns reforços de atletas do futebol americano equipado, uma mistura que enfrentava um certo preconceito.

“A comissão técnica começou a ver que faz muita diferença o atleta ter uma experiência no futebol americano equipado porque ele é muito mais atlético, treina mais na academia, porque o Flag era encarado como uma atividade mais recreativa, não tanto de alto rendimento. No começo, isso foi bastante criticado".

“Hoje em dia o pessoal já começou a entender que que faz diferença e essa experiência que esses atletas do futebol americano conseguem trazer para a seleção e nós fazemos uma mescla boa com características diferentes, com atletas rápidos e velozes".

Essa mistura poderá ser vista nas Olimpíadas de Los Angeles, já que a NFL autorizou, com algumas condições, que os atletas da liga participassem das seleções de seus países no Flag Football. Isso não deve impactar o Brasil, mas a presidente está de olho em uma futura promessa brasileira do futebol americano.

“O David Belfort, de repente, se lá na frente tiver essa vontade de fazer parte da seleção, a comissão técnica pensa que pode ser um bom reforço para nós. Ele joga como quarterback, então é possível ele treinar e se adequar às regras e tamanho de campo do flag football, que sãos diferentes”, destacou Cris.

Com o QB da Universidade da Flórida Central (UCF) ou não, o Brasil Onças vai crescer conforme a NFL vai ganhando cada vez mais o corações e atenção dos brasileiros.

“A gente trabalha com ciclos. Então, para 2025, os técnicos convocaram 25 atletas para a seleção de flag, os melhores do país e que performaram bem no ano passado e estavam jogando bem no seus times, tanto de futebol americano e tanto no Flag. Desse grupo, 12 viajam para o Panamá para a disputa do Continental.”, concluiu.

Que esse novo ciclo, olímpico do Flag e reforçado pelos jogos da NFL no Brasil, seja benéfico para a modalidade como um todo.

Onde assistir a Los Angeles Chargers x Kansas City Chiefs?

O duelo entre Chargers e Chiefs na Neo Química Arena nesta sexta-feira (5), às 21h (de Brasília), terá transmissão ao vivo do Disney+.

As equipes rivais na AFC Oeste buscam voltar aos playoffs neste ano, mas ambos esperam um final diferente. Os Chargers tiveram campanha de 11-6 e perderam na primeira rodada da pós-temporada para o Houston Texans. Já os Chiefs chegaram ao Super Bowl, mas foram derrotados pelo Philadelphia Eagles.