Niners enfrentam os Eagles neste domingo por uma vaga no Super Bowl, às 17h (Brasília), com transmissão pela ESPN no Star+
*Conteúdo patrocinado por Samsung, C6 Bank, Mitsubishi, Ballantine's, Vivo, Advil e Sankhya
Dre Greenlaw estava com a bola de futebol e Fred Warner tinha um plano.
É assim que a maioria das coisas acontecem entre o grupo de linebackers do San Francisco 49ers: Warner, que se descreve como "O irmãozão, o pai do time", é o orador, Greenlaw e Azeez Al-Shaair são os jogadores que esperam por sabedoria. Entendendo como a lógica funciona, Warner trouxe sua última ideia enquanto sentavam no banco de reservas com o resto da defesa dos 49ers, nos últimos minutos daquela grande vitória contra o Tampa Bay Buccaneers na semana 14 da NFL.
"Dre, você vai pedir para que Tom assine essa bola?", comentou Warner.
Greenlaw tinha interceptado Tom Brady um pouco antes na partida e a bola estava ali com ele, pronta para este acontecido. Mas, sem pensar muito sobre isso, disse: "Ah... Não... Eu não quero fazer isso não."
Warner persistiu: "Irmão, você não vacila, você pode fazer isso. Qual vai ser a próxima oportunidade que você terá na sua vida em enfrentá-lo? Você nunca vai ter uma outra oportunidade como essa."
Greenlaw considerou a ideia e todas as ramificações negativas: parecer um fã desesperado; insultar Brady por mostrar para ele o símbolo de sua falha naquele dia; não fazer isso e inevitavelmente perder a chance da sua vida...
Então, de repente, Warner se propôs a pensar nas questões positivas: ter a bola que você interceptou o maior jogador da história da NFL assinada pelo maior jogador da história da NFL naquele jogo em que você ganhou do maior jogador da história da NFL.
"Sabe de uma coisa?", comentou Dre para Fred: "Você está certo."
E assim aconteceu.
Depois do jogo, no próprio Levi’s Stadium, os dois jogadores se aproximaram de Brady, com Warner percebendo a relutância de Greenlaw.
Warner, o mentor, escolhido para o time da temporada, com tudo que é preciso para ter a atenção de Brady, acelerou o passe, ficou na frente de Greenlaw, que segurava a bola, e tudo parecia ir água abaixo.
Enquanto se aproximavam, Greenlaw ficava mais lento.
“Em defesa de Dre”, comentou Fred Warner: “É muito surreal estar próximo de Tom depois de ter visto ele pela TV fazendo tudo o que fez. Estar em frente a ele, ver todos os seus traços no rosto e entender que ele [Tom] é real, um adulto que já fez tudo aquilo jogando futebol americano aqui.”
Antes que Warner perguntasse sobre a assinatura, Brady olhou para Warner e disse: “Fred, você é um baita jogador e eu amo ver você jogando.”
Desarmado, Warner hesitou.
Sua certeza foi se deteriorando naqueles pequenos instantes, conforme ouvia tamanho reconhecimento daquele ídolo.
“Obrigado, Tom”, ele disse, com a voz um tanto pausada: “Mas... Você poderia assinar esta bola de futebol americano do meu amigo aqui?” então Greenlaw se aproximou e Brady assinou: “Ele foi totalmente tranquilo com isso”, comentou Warner.
A história aqui não é sobre Brady. Se trata de compreender o processo dos jogadores irem conversar com o quarterback e quais são os mecanismos preparados para que estes simples segundos fossem de sucesso.
Você pode olhar durante as partidas que são jogadores, com seus equipamentos, com seus salários na conta e que estão ali para fazer seu trabalho. Você não está sozinho se enxerga desta maneira. É fácil se perder no espetáculo e esquecer que, na verdade, são seres humanos jovens ganhando a vida do jeito que escolheram, em um mundo cheio de incertezas.
Mas, vamos aprofundar o olhar.
Estes caras são os mais rápidos, talvez os mais energéticos e até a melhor unidade de linebackers da NFL. Juntos eles se completam pelas diferenças de foco, especialidade, tamanho e forla, além de conseguir expandir seus feitos, complementando entre si as coberturas no meio do campo inteiro.
Não precisa de muito. Talvez em cinco ou seis jogadas você vai entender que tem muito mais do que apenas preparação e talento.
“É como se houvesse uma telepatia entre nós”, comentou Fred Warner: “Sabe? Antes mesmo de acontecer, cada um sabe onde o outro estará no campo e o que fará.”
Se você pegar várias jogadas aleatórias dos 49ers nesta temporada e juntá-las, você vai conseguir ver essa dinâmica mesmo se fossem partidas diferentes.
Contra o Washington Commanders, na semana 16, isso aconteceu. Primeira descida na linha de cinco jardas, o running back Brian Robinson Jr. tentou ir pela direita, mas foi derrubado por Warner, perdendo uma jarda.
No segundo down, agora com 6 jardas de distância para a endzone, Robinson tentou abrir a corrida, mas percebeu um espaço no meio forçado por Al-Shaair, até que Greenlaw o achou e conseguiu tacklear, parando a jogada faltando o mínimo de jarda possível para o touchdown.
Terceira para o goal, Robinson novamente tenta, só que pela esquerda. Greenlaw chega inteiro na jogada e Warner tenta forçar um fumble. Quarta descida, última tentativa, na linha de 1 jarda, é a vez do running back Antonio Gibson: os três linebackers estão ali, junto com sua linha defensiva, inteiros, sólidos e param a jogada.
Warner sai comemorando, mostrando os bíceps para todo mundo presente no estádio e para os telespectadores.
Tem muita coisa acontecendo neste cenário. Mesmo um ano mais velho que os outros dois, Fred Warner, de 26 anos, é inquestionavelmente o líder da defesa.
“O cara que todos seguem”, comentou Greenlaw.
A presença de Warner é impositiva. É o tipo de cara que se você encontra e tem uma conversa com ele, sua vida se torna diferente dali em diante.
“Ele é um cara que sempre quer fazer tudo certo”, mencionou Greenlaw ao falar de seu companheiro de time.
Os outros dois atacam o jogo como se estivessem liberando todas as suas falhas e estivessem determinados a mudar o curso de suas vidas. Eles eram calouros que dividiam o mesmo quarto e rapidamente aprenderam que ambos cresceram de locais complicados e sabiam como não perder a cabeça na vaidade do sucesso profissional. Eles eram treinados por comandantes que necessitavam mais deles do que eles precisam do treinador.
Olhando para o campo de novo, você pode entender de onde essa energia toda impulsiona este time com velocidade e ferocidade. Talvez você veja alguma das razões que causem desespero quando estes três estão em campo, ao mesmo tempo, e a jogada se inicia. E, se você estivesse ali com ele e pudesse ver cada um deles? Talvez visse algo muito próximo do que acontece na vida real.
“Nós não somos apenas companheiros de times e muito menos irmãos”, comentou Greenlaw: “Nós somos a família um do outro.”
Tem uma razão para que eles joguem dessa maneira.
Greenlaw passou a viver em um orfanato quando tinha 8 anos. Aos 14, em seu primeiro ano no colegial de Fayetteville, seu orfanato fechou e ele seria mandado para outro 80 km da sua escola, do seu time de futebol americano e todos as pequenas coisas que faziam da sua vida muito melhor.
Sua vida mudou quando Brian Early, técnico de Fayetteville, e sua mulher, Nanci, trouxeram Greenlaw para sua casa e criaram ele junto às duas irmãs menores que já tinham. De início, o jovem era tímido e receoso, mas as coisas deram certo e ele conseguiu uma bolsa de estudos na University of Arkansas. A família Early adotou Greenlaw legalmente, quando fez 21 anos.
Al-Shaair passou vários dos seus primeiros anos viajando entre o Estados Unidos da América e a Arábia Saudita. Ele viveu no país árabe dos quatro aos seis anos. Mas, seus pais divorciaram e Azeez se mudou para a Flórida, com sua mãe e seus dois irmãos mais novos.
“Eu lembro de bons momentos na Arábia Saudita”, comentou o camisa 51: “e alguns não tão bons também.”
A família se mudava constantemente na região de Tampa. Quando estava em seu segundo ano de colegial, sua casa pegou fogo e passou o resto de seus anos na escola vivendo como um sem-teto ou em motéis pela região. No último ano ele demorava duas horas para ir para sua escola, pois era o motel mais em conta para o momento em que viviam. Muçulmano convicto, sempre jejuou durante o Ramadã, aprendendo com a experiência dos dias que sua família não tinha comida.
Quando estava em sua primeira viagem de recrutamento, na Florida Atlantic University, ele trouxe sua família e descobriu um novo mundo de fartura e gratuidade.
“Eu não sabia como funcionava”, Azeez comentou.
O jogador escolheu jogar pela universidade e deixou o campus universitário de estômago cheio e uma mala cheia de Gatorade. Disse a si mesmo: “Eu acho que vou visitar este lugar mais vezes.”
Toda vez que ele comparecida, ouvia a preocupação do técnico Charlie Partridge, da universidade, que perguntaria: “Azeez, por que você está vindo para cá todas estas vezes?”
“Está tudo certo e vou jogar pelo time, técnico”, Al-Shaair disse a ele: “Eu venho para cá e faço estas visitas só para levar alguns alimentos para a minha família.”, e hoje Azeez diz que: “Essa era minha vida. Eu tinha que fazer o que dava para fazer.”
No universitário, Al-Shaair sempre sentou no chão durante os encontros de vídeos, porque não queria perder esta conexão com o chão que seu passado lhe deu: “Assistir outros times jogando é como se pudessem esperar por algo no futuro e tivessem outra chance.”
Até mesmo Warner, que diz sobre sua infância ser “nada comparada a destes caras”, não teve um caminho tão fácil. Sua mãe o criou com seus dois irmãos em San Diego, onde suas conexões da igreja alertaram um recrutador de BYU sobre um jovem alto e magro que estava chamando atenção de algumas universidades da primeira divisão da NCAA.
“Todos nós temos nossas diferenças, com distintas histórias de fundo, mas todos nós amamos a jornada”, comentou Warner: “Nós amamos esta coisa que a maioria dos times e as pessoas não querem fazer, como desenvolver e crescer em toda jogada existente, como se fosse a última, impondo a nossa vontade, uma agressividade necessária neste jogo violento e temos orgulho de conseguir fazer isso. É isso que nos faz diferente quando você nos assiste comparado aos outros. Nós três nos alimentamos com essa energia. Não é algo que precisa ser fingido ou falado. Nós amamos o jogo e amamos cada um de nós e é isso que você vê como produção nossa.”
Warner foi uma escolha de terceira rodada em 2018 e no ano seguinte o San Francisco selecionou Greenlaw na quinta rodada, além de convencer Al-Shaair a assinar com eles como agente livre não escolhido no Draft. No treinamento da pré-temporada, Greenlaw e Al-Shaair se encontraram no mesmo dia em que descobriram que iriam compartilhar o mesmo dormitório. As conversas entre os jogadores de 21 anos, longe de casa, levaram a uma série de revelações.
“Ele me disse sobre sua vida”, comentou Al-Shaair: “E foi a primeira vez que eu poderia dizer ‘Caramba, a sua vida foi tão caótica e difícil quanto a minha’ para alguém. Eu não conseguiria passar por algumas coisas que ele passou e vice versa.”
Eles podem até tentar, mas o passado sempre será uma constituição do presente e do futuro. Pessoas, “que eu [Greenlaw] não ouvia falar desde a quinta série”, tentaram voltar para sua vida neste momento. Afinal, agora tem dinheiro e uma vida que mal sabiam que existiam até que chegou este momento. Mas, tudo que aconteceu antes, foi apenas uma jornada tão dura quanto todas as outras.
“Nós passamos por tanta coisa que ninguém consegue entender”, comentou Greenlaw: “Você não consegue chegar e falar com as pessoas sobre o que você passou, muito menos esperar que elas entendam. Mas eu consigo conversar com Azeez. Quem melhor para conversar do que um cara que passou por algo parecido ou até a mesma coisa? Ele é alguém que eu posso dizer: ‘Ah, agora entendo o porquê de você pensar dessa maneira.’”
Todos os três jogam com uma fúria controlável. Cada um deles se esvazia no começo do jogo e se preenchem com a energia vital de enfurecida, renovada a cada vez que uma jogada começa, sem necessariamente serem tão agressivos ou fazer isso pelo oponente. Seus companheiros de time usam o termo “caçador [headhunter]” para descrever Greenlaw e Al-Shaair, pela maneira que se comportam em campo, mas admitem que não trabalham fora de campo.
Mas, vamos olhar de perto. Toda jogada, todo contato traz um eco de noites péssimas no orfanato, duas horas de demora para sua casa e uma incerteza, confusão e abandono.
“Depois de tudo que Dre passou em sua vida, toda a raiva e paixão e tudo que ele precisou lidar, em campo é tudo sintetizado”, comentou Al-Shaair: “Nós tivemos esta conversa em diferentes ocasiões. Aquela vida que tinhamos antes do futebol americano? Isso não acaba assim do nada. Esse esporte sempre o ajudou e também a mim. É onde encontramos paz em meio ao caos.”
Eu li isso para o técnico de linebacker dos 49ers, Johnny Holland, pelo telefone e o silêncio se instaurou por alguns segundos, antes dele proferir alguma palavra.
“Wow... Nós temos que escrever isso e colocar no vestiário.”
Isso não é um conto de fadas. Não é uma história sobre o poder do esporte para uma comunidade, mesmo que dê para fazer isso. Não é uma história sobre caras que encontraram uma maneira de alcançar um sucesso em suas vidas, mesmo que pudesse ser também. Essa, na verdade, é uma história de sobrevivência e como isso foi construído por cada um, mudando de vários lugares, de circunstância em circunstância, como cada leitura de linebacker e como terminou como cada um gostaria, caso entendesse pelo que cada um deles passou.
“Quando eu estava no colegial, eu dizia coisas como: ‘Ninguém está em uma situação pior que eu, cara, então os outros que se lasquem’, mas, conforme fui ficando mais velho,”, continuava Azeez: “percebi que nenhuma vida é sempre fácil. Mesmo agora, onde as pessoas acham que é o melhor momento de nossas vidas, você tem vários obstáculos para passar. Meu avô sempre me ensinou: ‘Compreenda todos os homens, mas não ultrapasse a linha da compreensão, sempre mantenha a linha do comum.’ Penso nisso porque é um jeito de respeitar todas as pessoas e entender que você não é o único a passar por difíceis problemas na sua vida.”
Os 49ers tem a melhor defesa da NFL, a primeira contra o passe e segunda contra a corrida. Eles operam com uma atitude e linguagem de corporação militar. Quando Robert Saleh, hoje técnico do New York Jets, era o coordenador defensivo, o slogan era “All gas, no brakes”, algo como “Vamos para cima, sem parar.”
Com o atual coordenador defensivo, Demeco Ryans, é SWARM que significa Special Work Ethic and Relentless Mindset (Trabalho Especial Ético e Mentalmente Incansável). Deveria ser SWERM, mas não teria a mesma sonoridade. Voltando ao conceito, a questão é simples: são 11 jogadores com um foco, que é a bola, em toda jogada, com isso o trabalho de todo mundo fica mais fácil.
“Se você erra um tackle”, comentou o cornerback Charvarius Ward: “Você sabe que terá dois ou três daqueles linebackers indo para cima com bastante dureza. Quando eles estão em campo, não pensam em nada. Eles só tem um objetivo: correr e acertar o adversário.”
Al-Shaair estava se recuperando de uma contusão no joelho quando chegou em Santa Clara, no verão de 2019. Holland, técnico da posição, sabia da situação: um jogador jovem em um lugar que nunca esteve e não conhecia ninguém. Como um linebacker estrela por sete temporadas com o GREEN BAY PACKERS antes de se tornar técnico, Holland entendia como a solidão e dúvida sobre si podia infectar o indivíduo mais confiante do planeta, então, junto de sua esposa, convidaram Al-Shaair para sua casa. Holland colocou uma comida na grelha de churrasco e a conversa se iniciou.
“Ele é como um outro avô”, comentou Al-Shaair: “DeMeco (Ryans) é como um pai, mas você sabe como é ir para a casa do vô, porque você consegue voltar com mais coisa? Então, essa situação é com Johnny.”
Em setembro, faltando um mês para as primeiras temporadas de Al-Shaair e Greenlaw na NFL, Holland foi diagnosticado com um câncer de medula óssea, em estágio 3. Não há cura e é considerado o último estágio, mas a vida pode continuar com normalidade. A expectativa de vida é de 10 anos, mas Holland (57) se sente bem mais de três anos depois deste diagnóstico, um fato que ele atribui à medicina moderna e resolve viver a vida em cada momento possível.
O técnico teve que deixar a equipe por um período que incluiu os playoffs e Warner disse que “Isso foi duríssimo. Nós podemos sentar aqui e falar o dia inteiro, sobre o quanto ele significa para nós, pelo que ele está passando e toda a adversidade. Ele é mais do que um técnico de setor, se eu puder colocar assim, de forma simples. Ele sempre tenta nos dar uma lição de vida melhor e tenta nos fazer homens melhores.”
Os jogadores dão risada sobre o slogan de Holland e sua pronuncia errada sobre o filme “Dopamine”, onde ele fala “Dophamine”, como se tivesse um “F” na palavra.
“Eles gostam deste filme”, comentou o técnico Holland, rindo: “Eu digo algumas coisas erradas de propósito e eles lembram disso. Eu acredito na psicologia. Se você coloca uma pessoa para cima, elas começam a acreditar que são tudo aquilo. Quando você dá muita positividade a um cérebro humano, você passa a acreditar nisso.”
Holland chama Warner de “Tesla”, porque “você consegue ligar ele e vai ficar o dia inteiro, além de conseguir ir de 0 a 100 muito rápido.” O técnico chama Greenlaw e Al-Shaair de “wolf dogs”, porque “um cão-lobo vai te caçar o tempo inteiro, porque o wolf dog é um sobrevivente.”
Parte do processo no setor de linebackers é compartilhar histórias, sobre o que aconteceu com eles no passado, a jornada até este ponto e, claro, seus objetivos.
"Às vezes eu os coloco em uma posição de fala", comentou Holland: "Você precisa saber o tipo de ambiente que está e em como pode usar isso para que seus jogadores fiquem melhores."
A primeira impressão de Al-Shaair?
"Às vezes eu o chamaria de jogador sujo", revelou o técnico de linebackers: "Ele é implacável por natureza, sempre tenta arrancar a cabeça de alguém. Mas, por que? Eu entendi que isso tem relação com sua história. Dre [Greenlaw] era do mesmo jeito. Eles tem esse hábito, mas eles aprenderam a filtrar toda essa raiva e se tornaram grandes jogadores de futebol americano."
Holland está em um tratamento clínico e é acompanhado toda semana. Ele continua treinando porque: "Permite que minha vida continue. Me dá esperança e o que pensar no futuro. Eu estou por este processo de cura e parte do meu tratamento é estar aqui: treinando estes caras. Todos os dias de manhã em que meu pé toca o chão é um grande dia e eu entendo que um belo dia para mim é um tanto diferente para um dia excelente para eles."
O ancião sábio, avô desta família, ainda tem muito o que fazer com eles. Greenlaw é o mais eufórico e, às vezes, mais suscetível a ter algum comportamento que cause uma penalidade pessoal, então parte do trabalho de Holland é trazer observações personalizáveis para cada um de seus jogadores, principalmente sobre o quarterback adversário que enfrentarão.
Ele é alguém que vai dar um carrinho no fim da jogada ou continua brigando por jardas terrestres? Se ele se joga no chão, Holland lembra Greenlaw toda semana que precisa pisar fundo e soltar o freio de mão no final da jogada, deixando o quarterback cair no chão sozinho. Holland também dá conselhos práticos, dizendo para Greenlaw que sua movimentação característica (socar seu próprio capacete várias vezes, trazendo euforia para si e para quem ouve sua ação) é a razão para tanta dor no pulso.
"Para jogar no nível que jogam, você precisa se colocar em um nível corpóreo muito profundo", comentou Holland: "Dre joga com tanta adrenalina e euforia que ele consegue chegar nas maiores profundidades possíveis."
Vamos olhar mais perto ainda.
Todos eles ali no campo: seja órfão, sem-teto, sem perspectiva, dias bons e ruins; Furiosos e impetuosos, com determinação para todas as jogadas; Dias cheios de incertezas, algumas experiências, com ou sem amor. Eles se movem mais rápido do que qualquer outro jogador e ainda acertam o adversário mais forte que qualquer um. Toda colisão. Toda tackle combinado, todo tipo de ação, até com falta, é uma mensagem para todos que duvidaram, ignoraram ou simplesmente se foram, sem olhar para trás, os deixando.
Todo passo que dão os aproxima de si mesmos e os colocam longe dos problemas que já passaram.
Está tudo ali, em todo lugar e em lugar nenhum explícito.
Paz em meio ao caos.
