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NFL: Seis histórias que mostram quem é o técnico que tenta mudar o rumo dos Lions

Detroit Lions de Dan Campbell cresce e sonha com vaga nos playoffs da NFL


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Uma cara familiar foi reintroduzida na comunidade de esportes em Detroit no dia 21 de janeiro de 2021.

E ele não podia conter sua alegria.

Nesta ocasião rara, Dan Campbell evitou qualquer problema com o time, usando um terno preto quando falava com os repórteres. O novo técnico da equipe fez sua primeira aparição pela tela do computador, enquanto estava na sala de reuniões do Detroit Lions, no centro de treinamento da equipe.

Ao longo da coletiva de apresentação, o antigo tight end de 1,95m de altura deixou claro para todos ali presentes o quanto ele queria este trabalho, ao mesmo tempo em que expressava sua visão sobre a franquia, extremamente franco e, às vezes, com humor.

Em Detroit, a fala ficaria conhecida como um discurso “kneecaps”, que seria uma maneira brutal de machucar o outro e o sentido figurado significa que ‘vão para cima com tudo que puderem’. Foi algo marcante na memória dos torcedores, criando uma impressão que se mantém ao falar do treinador, mesmo depois de um começo muito difícil com os Lions.

“Então, este time que vamos construir, nós vamos surpreender, certo? E quando vocês baterem na gente, nós vamos sorrir para vocês”, Campbell disse aos repórteres. “E quando vocês nos nocautearem, nós vamos levantar, com tudo e arrancar seus joelhos [kneecap] em uma mordida. Entenderam?”

Olhando pelas lentes dos vídeos que circularam viralmente nas redes sociais e televisão, a impressão inicial sobre Campbell está centrada na sua paixão e personalidade. Para aqueles que o conhecem bem, tem muito mais. Ele é filho de pecuaristas e se tornou um dos atletas mais competitivos que Texas A&M já viu. Uma inspiração e um mentor para os treinadores, que utilizavam o jogador como peça de liderança. Um parceiro leal e apaixonado junto aos seus companheiros de time. E, claro, um cara que pode facilmente, durante uma entrevista de emprego, jogar uma cadeira no meio de uma explicação sobre bloqueios.

“Ele é duas vezes mais inteligente do que qualquer um dá credito a ele, por causa da aparecia dele, que é a personificação de um bruto”, comentou Ken Rodgers, produtor criativo do ‘Hard Knocks’, da HBO, que filmou Campbell e os Lions no treinamento da pré-temporada. “Ele tem essa aparência de ser fisicamente dominante, mas quando você olha ele no trabalho, você entende o tanto de inteligência que ele coloca no seu trabalho, e isso é mais impressionante do que qualquer um pode imaginar.”

A função de um técnico é dura o bastante e, quando você está reescrevendo a cultura de uma organização perdedora, isso se torna mais difícil ainda. Mas as coisas parecem estar mudando em Detroit, que não tem mais de seis vitórias desde 2017. Depois de começar a temporada 1-6, os Lions ganharam cinco dos últimos seis jogos, chegando na segunda colocação da NFC Norte e, de repente, estão na luta por uma vaga nos playoffs. Mas, com altos e baixos, Campbell se mantém verdadeiro ao que ele é.

Mas, como o técnico do Lions realmente é? Estas histórias podem ajudar a entender mais sobre ele.


“Eu quero ele no meu time.”

Texas ou Texas A&M.

Estas eram as duas escolhas finais de Campbell sobre qual universidade iria jogar.

Quando Campbell convidou o técnico de Texas A&M na época, R.C. Slocum, para uma visita de recrutamento, eles se encontraram no colégio do então jovem tight end. Um local muito (muito mesmo) mais fácil para o treinador encontrá-lo do que na longínqua fazenda da família Campbell.

“Eu vivia no meio do nada”, explicou Campbell. “E ele tinha que me seguir até em casa, na verdade, porque eu poderia dar as instruções para ele, mas seria como dizer para virar nessa rua de terra, seguir na estrada de terra e ver ali a marca, pegar outra direção.”

Slocum seguiu Campbell pelo caminho de 30 minutos até sua casa, em uma fazenda de gado no meio do Texas, em uma cidade chamada Morgan, que tinha menos de 500 pessoas. Foi lá que o técnico foi apresentado aos pais de Campbell, Larry e Betty.

Algumas semanas antes, o recrutador da Universidade de Texas fez um grande erro que custou a ele o futuro jogador da NFL.

“Quando saímos, meu pai e minha mãe vieram para cá. Meu pai é um fazendeiro, cowboy, nós criamos vacas e coisas do tipo, então esse cara falou. ‘Cara, eu nunca vi na minha vida um cervo negro antes’. E meu pai só falou. ‘Ah, ele não sabe nem o que é uma cabra espanhola’”, relembrou Campbell. “Então isso já era um motivo para declinar a proposta deles. Ele vinha de Austin, a capital do estado antes de tudo e é a cidade grande e tal, todas estas coisas.”

Slocum não teve a mesma confusão.

“Sem precisar dizer muito, quando Slocum veio, duas semanas depois, ele falou. ‘Wow, você tem belas cabras por aqui, conseguiu achar ouro’”, comentou Campbell. “Eu falei. ‘Elas não são nossas’, eram dos nossos vizinhos, até que meu pai disse. ‘Está vendo? Ele sabe o que é uma cabra’. Nada demais, coisas banais, mas eu me encaixava melhor em Texas A&M.”

Este insight deixou uma grande impressão da família Campbell, e o tight end ficou na faculdade por quatro anos, de 1995 a 1998, o que o ajudou a ser selecionado na terceira rodada do Draft da NFL, em 1999, pelo New York Giants. Campbell agradeceu Slocum por ser uma das maiores influências em sua história na primeira coletiva de imprensa que teve, em Detroit.

“Você poderia dizer que ele é irritado, mas ele é apenas uma grande pessoa”, comentou Slocum. “Mas você poderia dizer que ele é, na verdade, sério, muito competitivo e eu disse naquela noite que era como um amor à primeira vista. Eu disse: ‘Quero ele no meu time’. E o que você está vendo agora, essa mesma competitividade, a emoção que ele tem, ele era um ótimo atleta, muito grande, forte, durão, mas ele não era só um atleta tremendo, nunca teve alguém mais competitivo que ele e ele era um grande jogador exatamente por isso.”


“Ele entra na sala parecendo um presente de Deus”

Um Campbell cabeludo retorna ao Texas, em um trailer, durante a primavera de 2010. Recentemente se aposentou como jogador da NFL, depois de uma longa carreira com os Giants, Cowboys e Lions. Agora procurava um novo caminho para seguir.

Ele via sua família em alguns momentos, pois sua esposa, Holly, e os dois filhos, Cody e Piper, ficavam em casa, na cidade de Dallas, enquanto ele aproveitava a primeira chance de ser treinador, como voluntário em Texas A&M.

“Ele simplesmente me ligou e perguntou se seria possível ele vir, assistir a alguns treinos e talvez ajudar a equipe sendo treinador”, comentou Mike Sherman, que era técnico da universidade no momento. “E eu disse. ‘Bem, a parte de treinar é bem complicada, por causa das regras do campeonato. Nós não podemos quebrar esta regra, mas, claro, você pode vir, assistir a alguns treinos, estar presente em nossas reuniões e participar da conversa que temos, junto aos outros treinadores’. Então Campbell ficou conosco e ele era muito bom nisso.”

Por três semanas, Campbell viveu em um estacionamento para trailers, a 10 minutos do campus da universidade. Ainda que Sherman não tenha perguntado muito sobre estas coisas, não demorou muito para que as fofocas aparecessem sobre a maneira em que ele estava vivendo naquele momento.

“Era muito mais legal do que você imagina”, comentou Campbell. “Eu sei o que você vê na sua mente, especialmente com o meu cabelão e tudo mais, mas eu tinha uma estufa de gás, tinha um chuveiro e uma cama. Tinha até TV à satélite, então não era nada precário ou coisa do tipo, mas eu não tinha minha família enquanto vivia por ali. É barato. Você tem tudo o que precisa e é fácil de limpar.”

Mesmo que sua função em Texas A&M tenha sido limitada a observar os treinamentos da lateral do campo, segundo as regras da NCAA, ele poderia elaborar ideias com os assistentes e o futuro treinador do Cincinnati Bengals, Zac Taylor. Campbell ajudou Taylor enquanto se tornava técnico dos tight ends dos Aggies.

“Ele apareceu no primeiro dia em que eu seria treinador dos tight ends”, comentou Taylor. “Esse cara tinha acabado de se aposentar, depois de 10 anos na NFL... E ele entrou na sala como um presente de Deus para me ensinar e ajudar a treinar estes tight ends, então ele passou a primavera inteira comigo, em Texas A&M. Ele chegou e me educou sobre jogadas de tight end, proteção e jogo corrido.”

Essa experiência ajudou Campbell a ser técnico interino no Miami Dolphins, um ano depois. Ele iria conseguir o lugar de técnico de tight ends e depois técnico interino, em 2015. Taylor se juntou a ele, nos Dolphins, em 2012, e era o coordenador ofensivo de Campbell. Mais tarde, também seria técnico de quarterbacks, em 2015. Sherman, enquanto isso, trabalhou como coordenador ofensivo de Miami, de 2012 a 2013.

Taylor disse que os jogadores do Dolphins acreditavam em tudo que Campbell pedia para eles fazerem, mesmo se fosse algo não ortodoxo. Ele ainda usa alguns métodos com os Bengals, que avançou ao primeiro Super Bowl da equipe, depois de 33 anos, na terceira temporada de Taylor.

“Nós fazíamos cabo de guerra no meio do treinamento. Fazíamos algumas competições só para manter a competitividade e quebrar um pouco da normalidade... Os caras levam a sério e jogam realmente duro”, comentou Taylor. “Era apenas um evento diferente todos os dias, que aparecia do nada no meio do treinamento, e eu levei isso para lá [Cincinnati], por causa do que Dan fazia aqui. Agora não fazemos mais o cabo de guerra. Fazemos mais um contra um entre recebedores, CBs e safeties, caras do time reserva, mas sempre trazendo a filosofia de Dan, com este tipo de diferencial no meio do treinamento e não só em períodos sazonais. Vamos fazer algo que coloque a atenção nos dois jogadores e eu gostei disso. Fazemos isso por esta razão.”


"Foi uma entrevista interessante"

Brian Daboll, técnico dos Giants, ama compartilhar a história do seu primeiro encontro com Campbell.

Foi em 2011. Tony Sparano, técnico dos Dolphins na época, foi conversar com Daboll, que era coordenador ofensivo na época, sobre entrevistar Campbell, que estava querendo ser parte da comissão técnica do time, depois de ser interino um ano antes.

“’Ei, eu acho que este cara seria uma boa’”, Daboll disse que Sparano disse a ele. “’Por que não marcamos uma entrevista com ele? Você cuida da entrevista.’”

Quando eles se encontraram, Campbell não pôde conter sua energia, mostrando toda sua alegria com exercícios de bloqueio, utilizando as cadeiras que estavam na sala, arrastando e mexendo no espaço que tinha.

“Ele estava batendo as cadeiras no chão e acertando as paredes, enquanto fazia todos aqueles exercícios”, comentou Daboll. “Vocês o conhecem. Ele é uma pessoa fantástica, familiar. Foi uma entrevista engraçada. Ele sabia muito. Obviamente, ele era muito apaixonado, forte como um touro, qualquer um poderia dizer hoje. Ele estava esbaforido, sem ar no meio da entrevista, depois de tudo aquilo que tinha feito.”

No fim, os Dolphins o contrataram como técnico de tight ends.

“E ele estava ali no outro dia, às 5h30 da manhã, fazendo exercícios”, comentou Daboll.

Agora, todo o momento que Daboll vê Campbell, ele ama trazer esta história. O técnico do Lions diz que ele não jogou uma cadeira e a história é “definitivamente exagerada” com o passar dos anos, mas ele não nega que demonstrou os bloqueios com as cadeiras. Ele também confirmou que estava com suor exacerbado pelo corpo e respiração ofegante depois da entrevista.

“Correr rotas, bloqueios, tudo”, comentou Campbell. “Foi uma hora de trabalho técnico, falando sobre todas as coisas, então ele me deu alguns cenários e: ‘Como você daria conta disso? O que você vê nessa cobertura? E se isso estiver na sua frente? E se você...’ Então eu simplesmente fiz tudo aquilo. Foi o melhor jeito para mim de mostrar tudo que eu tinha em mente.”


“Você está pensando em cortar o seu o que?!”

Como um recém técnico afro-americano, o antigo linebacker da NFL Kelvin Sheppard sabia sobre as condições de sua aparência e em como isso era visto pela NFL. Depois de alguma pesquisa, notou que poucos técnicos negros tinham tatuagens e dreadlocks, como ele tinha, em seu tempo durante a liga. Sheppard pensou que teria que mudar sua aparência, a fim de ser aceito.

“Eu cheguei a falar com Dan, para saber o ponto de vista dele, e ele soltou um. ‘Você está pensando em cortar o seu o quê? Você está maluco? Primeiro de tudo, eu amo seu cabelo’”, comentou Sheppard. “E ele continuou. ‘Sério, Shep, se eu estou te contratando, se qualquer pessoa está te contratando, estão te contratando por causa de você. Você recebeu estas ligações pelo que você é, não porque você está tentando se tornar algo’. E isso fez total sentido para mim.”

A conversa inicial com Campbell começou em 2020, antes de Sheppard se juntar a LSU, como diretor de desenvolvimento dos jogadores. Quando Campbell aceitou a posição com os Lions, em 2021, ele contratou Sheppard para sua comissão técnica, a fim de ser um técnico de linebackers. Durante este processo de contratação, em Detroit, Sheppard ainda pensava se sua aparência seria um empecilho em sua carreira. Campbell novamente disse que isso estava fora de questão e pediu para não cortar o seu cabelo.

“No fim, isso me dá confiança. Este é um cara que eu respeito muito, que será visto como um os melhores técnicos da NFL me dizendo:b ‘Você está louco? O que você está falando agora? Você está sendo contratado e considerado para esta posição pelo que você é’. E isso me afetou”, comentou Sheppard. “E eu tento levar isso para os meus jogadores, porque você precisa lidar com algumas coisas na sociedade, dentro ou fora do centro de treinamentos do time, onde os fatos são estes. As pessoas podem esconder isso, mas é real, você dizendo ou não.”

A relação de Campbell com Sheppard existe desde 2014, no Miami Dolphins, quando Campbell estava na comissão técnica e Sheppard ainda era jogador. Sua amizade continuou quando Sheppard saiu dos Dolphins e decidiu se aposentar.

Em 2018, quando Sheppard estava considerando as opções que estavam disponíveis a ele, depois que sua carreira acabou, Campbell estava na pequena lista de pessoas que ele conversou para tomar decisão. E sua mensagem se mantém até hoje: tenha a aparência que você quer ter.

“Eu sinto que é o mais importante a se dizer. ‘Cara, se você quer parecer assim, você deve fazer isso’, porque, em último caso, especialmente nos negócios, você sabe o que importa? O jeito que você comanda tudo. É a maneira que você treina e como você se comunica”, comentou Campbell, batendo sua mão na mesa, de forma gentil, para por ênfase no que falava. “Não do jeito que seu cabelo está. É por isso que isso é importante para mim, porque se começarmos a ligar para a aparência de cada um, nós teremos problemas.”


"Ele mostrou seu lado empático""

O running back dos Lions, Jamaal Williams, normalmente está em uma vibe jovem. Você pode encontrá-lo dançando, fazendo piadas e trazendo algumas energias boas aos treinamentos e jogos.

Mas este espírito positivo não estava lá nos treinamentos de pré-temporada. E ele não conseguia esconder isso.

“Nessa offseason eu tive que lidar com várias mortes de familiares, e quando eu passo por muita coisa, sempre tento estar ali pelo time e fazer tudo que posso, mas, ao mesmo tempo, eu estava machucado e não sabia como realmente lidar com o meu trabalho mental no momento, então eu estava passando por muita coisa”, comentou Williams.

Williams não conseguia minimizar as três mortes que o estavam afetando.

Ele estava em luto pela morte do pai de seu antigo companheiro de time, Aaron Jones, o Senhor Alvin. Pela perda do seu próprio pai, Larry Williams, e pela sua bisavó, de 92 anos, Alton Smith. Nesse dia em particular, ele não conseguia dar todo seu foco no futebol americano.

Enquanto o time estava treinando, Campbell o colocou de lado para saber o que estava acontecendo. Williams não conseguiu conter suas emoções. “Você podia sentir que algo estava fora de sintonia e parecia que ele estava tentando lutar contra isso. Você conseguia ver isso. Então eu só perguntei como ele estava e ele caiu em prantos”, comentou Campbell. “Então, eu sabia naquele momento, algo como: ‘Cara, não é alguma coisa normal. Como eu posso ajudar?’”

Além das palavras de conforto e encorajamento, Campbell mandou Williams para casa naquele dia.

“Porque todos nós precisamos de ajuda”, comentou Campbell. “E acho que, mais do que tudo, era sobre isso que eu queria estar lá ou ajudá-lo de qualquer forma que pudesse e mesmo que isso significasse: ‘Ei, por que não vai para casa, só para esfriar a cabeça e refletir, fazer o que precisa fazer, mas garantir que estará em contato conosco, só para sabermos que tudo estará melhor’, e foi isso que eu fiz.”

O momento na pré-temporada, com Campbell, não foi algo que Williams esquece ou trata com normalidade.

“Ele poderia ter sido o maior otário e dizer: ‘Todo mundo passa por alguma coisa, agora levanta seu traseiro e vai lá treinar que você vai passar por isso’, mas, ao invés disso, Campbell mostrou seu lado empático”, comentou Williams. “E seu coração em dizer: ‘Nós sabemos que você está machucado, nós sabemos o que você pode fazer, mas, ao mesmo tempo, você não precisa estar aqui se sua cabeça está em outro lugar’. Ele me deu um tempo necessário longe do futebol para me entender e refletir sobre mim, até que eu estivesse pronto para o time. Eu senti que meu espaço mental estava mais claro. Ele realmente considera isso e entende pela perspectiva de um jogador.”


"Ele não esconde suas emoções"

Com uma recente derrota de cortar o coração, na semana 5, contra o Minnesota Vikings, em 2021, Campbell apareceu na coletiva de imprensa com lágrimas em seus olhos.

Mais cedo, o kicker dos Vikings, Greg Joseph, fez o field goal da vitória no estouro do cronômetro, dando aos Lions de Campbell a quinta derrota seguida. Foi o segundo jogo, em um espaço de três partidas, que um chute vencedor tirou a vitória de Detroit. Dois jogos antes, Justin Tucker acertou aquele chute de 66 jardas, o recorde da NFL, para fazer sua equipe, o Baltimore Ravens, vencer. E ainda foi em tom dramático: acertou a trave e pairou no ar alguns milissegundos para então entrar, de uma maneira carinhosa para alguns e cortante para outros.

Mesmo passando por estas adversidades, Campbell recebeu suporte. Entre eles, estava o antigo quarterback do New Orleans, Drew Brees, que desenvolveu um vínculo grande com Campbell durante sua passagem, de 2016 e 2020, como técnico assistente e de tight ends nos Saints.

“Ele me mandou uma mensagem dizendo o quão impressionado estava. Foi algo como: ‘Meu Deus, cara, esses caras estão lutando. Eles não desistem nunca, estão realmente brigando pela bola. Vocês são muito unidos com isso.’ E ele não me manda mensagem toda semana”, explicou Campbell. “Eu o conheço bem e nós somos amigos, mas eu sei que se ele me manda algo, é porque realmente significa algo, então é algo que vale muito.”

Detroit chegaria a cinco derrotas e nenhuma vitória pela primeira vez desde 2015, lembrando os torcedores daquele time infame que terminou sem vencer na temporada de 2008, o qual Campbell estava no elenco.

“Eu sei, eu sei. E, olha, nada do que eu vou dizer a eles fará com que se sintam melhores”, comentou Campbell na coletiva de imprensa. “Tudo que eu posso fazer é provar, mostrar e, não só eu, mas nós, todos nós, técnicos e jogadores. Olha, todo mundo está frustrado.”

Para os jogadores, aquele dia significou algo.

“Mostrou que ele liga”, comentou o running back D’Andre Swift, depois da derrota para os Vikings. “Isso significa algo para ele, tanto quanto para nós, jogadores. Nós só temos que achar uma maneira de capitalizar e terminar os jogos para ter a vitória. Quero dizer, sabíamos o tipo de técnico que Campbell era quando chegamos aqui... Realmente com muita energia, com paixão pelo seu trabalho. Enfim, ele quer ganhar.”

O safety dos Lions, Tracy Walker, concorda. “Ele não esconde suas emoções”.

As emoções que Campbell mostra não são apenas sinais para a organização dos Lions, mas para aqueles que estão na NFL também, provando que ele falava sério sobre mudar a cultura de Detroit.

“Eles perderam um jogo, sem tempo no placar, com o field goal mais longo da história da NFL, que ainda acertou a trave e pulou para dentro”, comentou Sean Payton, lendário técnico dos Saints. “Quero dizer, eles perderam jogos difíceis. E um dos desafios, quando você é o técnico principal, é implementar uma maneira de fazer certas coisas e, sempre que há uma mudança, tem algumas questões iniciais a se resolver. É importante saber quando parar em algum momento. E eu tenho certeza que ele e todos os outros caras estão frustrados com isso. Mas, nunca houve alguém competitivo e que se importa mais do que ele.”