Técnico do New England Patriots se isolou como o 2º com mais vitórias na história da NFL
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“Tio Bill” reina de maneira suprema como técnico da NFL. Belichick é o técnico com mais vitórias em Super Bowl e agora, depois da vitória do New England Patriots sobre o Indianapolis Colts na semana 9, se isolou como o segundo treinador com mais jogos vencidos na história da liga – são 326 em 28 temporadas como treinador, atrás apenas das 347 de Don Shula.
Belichick é figura cativa no panteão de comandantes da liga e manda também quando falamos de pós-temporada: são incríveis 31 vitórias nos playoffs, maior marca na história da NFL. Tudo isso, claro, acontece por conta de sua obstinação em ser o melhor técnico possível.
Como treinador principal, Belichick esteve em nove e conquistou seis Super Bowls, além de ter sido escolhido três vezes como o Técnico do Ano e ter vencido a divisão 17 vezes.
Mas, como de costume, Belichick deixou claro que os feitos são secundários neste momento de temporada. “O sorriso tem seu tempo, o agradecimento tem sua hora”. O principal objetivo, que é o título, é o norte para Bill, e nada para o ímpeto ambicioso do técnico.
“Eu vou falar disso quando minha carreira acabar”, respondeu Belichick quando foi perguntado sobre o feito. “É ótimo chegar e vencer um jogo. Estou feliz pelo nosso time. Eu agradeço principalmente todos os jogadores que estiveram presentes e venceram estas partidas comigo.”
Mas quais os grandes momentos da carreira do maior treinador que a NFL já viu?
1 - O começo de tudo
A primeira equipe que Belichick teve sucesso foi, na verdade, o New York Giants, quando ainda era coordenador defensivo. Com o azul de Nova York, Bill foi parceiro de Bill Parcells, lendário técnico da NFL, e cuidou daquela defesa que tinha como principal expoente o Hall da Fama Lawrence Taylor.
Mas o Cleveland Browns foi a primeira franquia de Belichick como treinador principal. Das últimas quatro temporadas positivas dos Browns na NFL, uma delas foi sob o comando de Bill, mesmo que tenha acontecido há quase 30 anos.
Ele já mostrava aptidão, mas não tinha ainda emplacado consistência na sua equipe, até que chegou ao New England Patriots. Depois de uma primeira temporada em construção, logo no segundo ano, Belichick conseguiu um Super Bowl. E a conquista só aconteceu por causa de outro infortúnio: a lesão de Drew Bledsoe, na semana 2 da temporada 2001, que permitiu a entrada de Tom Brady.
2 - Aquela é a regra
“Eu sabia aquela jogada. Quero dizer, aquela é a regra.”
Estas foram as palavras de Bill Belichick para um documentário, 20 anos depois da polêmica “Tuck Rule”. No primeiro jogo dos playoffs em 2003, na rodada divisional, os Patriots receberam o Oakland Raiders.
Na reta final da partida, em meio à neve, Oakland tentou uma blitz de cornerback para colocar Brady no chão.
O lendário Charles Woodson estava responsável por fazer o sack no quarterback. Em um primeiro momento, ele alcançou Brady e a jogada terminou em um fumble, recuperado pelos Raiders.
Mas, depois, a jogada foi revisada e marcada passe incompleto, com a bola se mantendo na posse do New England Patriots.
Esta mudança não aconteceu sem motivo. Até 2013, a NFL tinha uma regra que se chamava “Tuck Rule”. Na antiga Regra 3 da NFL, seção 22, artigo 2, nota 2, esta regra dizia que: caso haja uma perda na posse de bola do quarterback, com ele direcionando o movimento para frente, mesmo recuando a bola em direção ao próprio corpo (tuck), seria dado passe incompleto na jogada.
Isso fez com que o drive permanecessse vivo para Tom Brady, que ainda conseguiu colocar Adam Vinatieri no alcance para chutar um field goal. Com a conversão, New England venceu Oakland e foi à próxima fase. Até hoje, os jogadores dos Raiders falam sobre esta jogada e o quanto os Patriots foram beneficiados, mas a posição de Bill é simples:
“Estava no livro de regras.”
Depois deste jogo, os Patriots venceram mais dois confrontos, inclusive contra o St. Louis Rams, apelidado de “The Greatest Show on Turf”, do lendário quarterback Kurt Warner, para conquistar o primeiro Super Bowl da dinastia.
3 - Único técnico bicampeão
Depois desta temporada, a edição seguinte contou com alguns problemas na equipe. Foi a primeira e única vez que a dupla Belichick-Brady chegou a ter uma campanha negativa na temporada regular. Mesmo dando a volta por cima, as 9 vitórias e 7 derrotas não os colocaram na pós-temporada.
Nos dois anos seguintes, eles conquistaram o Super Bowl de maneira consecutiva. Até hoje, Belichick é o único técnico a conseguir este feito. O ataque é famoso pela dupla Brady e Deion Branch, mas aquela defesa figurou entre as melhores da liga em 2003 e 2004. Richard Seymour e Ty Law foram os maiores expoentes de um momento único da equipe comandada por Bill.
4 - Peyton x Brady
Os anos 2000 foram agraciados pelos duelos de pós-temporada entre os quarterbacks históricos, e com níveis de jogos impressionantes, o que era esperado entre Peyton Manning, no Indianapolis Colts, e Tom Brady, nos Patriots de Bill Belichick.
Talvez fosse o necessário para dizer o quão era único ver, mas impossível esconder que Peyton Manning não tinha espaço contra as defesas que Bill criava na temporada regular. Mesmo sendo um leitor ávido de jogadas, inteligente e com um braço potente, Manning tem o recorde de apenas 6 vitórias em 11 jogos contra Bill.
Estes números melhoravam um pouco quando chegava a pós-temporada. Em New England, com a camisa dos Colts, Manning nunca venceu Belichick. Porém, no único jogo em Indianapolis, Peyton conseguiu o feito e liderou sua equipe para o Super Bowl em 2006, com, enfim, uma defesa que se equiparava à de New England.
5 - A temporada perfeita
Apenas um técnico na história da NFL tem a temporada perfeita. Com 42 anos, Don Shula, lendário técnico do Miami Dolphins e do Baltimore Colts, liderou Miami a 14 vitórias e nenhuma derrota em 1972.
Belichick quase conseguiu o feito. Em 2007, a equipe estava em sua forma mais dominante possível e ainda adquiriu a estrela Randy Moss, wide receiver Hall da Fama da NFL. Os Patriots de 2007 eram um time que sobrava em campo: jogadas diferenciadas, trick plays, uma defesa forte e Brady em seu melhor momento na carreira.
E o resultado foi surreal. Brady teve 50 touchdowns na temporada (sua maior marca até hoje) e apenas 8 interceptações, além de ter sido MVP da NFL e Melhor Jogador Ofensivo. Moss teve 98 recepções na temporada, acumulando 1493 jardas e 23 touchdowns recebidos, maior marca na história da NFL em uma temporada até então.
New England terminou a temporada como melhor ataque da competição e quarta melhor defesa da NFL. Com um “saldo” positivo de 315 pontos no ano, a equipe só não ganhou três partidas por mais de 10 pontos.
Tudo caminhava para que Belichick chegasse ao ‘olimpo’ dos técnicos com esta marca e, talvez, já colocasse seu nome entre os maiores técnicos na história da NFL. Mas... No Super Bowl, sua equipe caiu para o New York Giants de Manning... Eli Manning.
6 - O algoz improvável
Belichick tem três derrotas em Super Bowl. A mais recente foi contra o “desacreditado” Philadelphia Eagles, em 2018. As outras duas foram contra o New York Giants, do outro irmão Manning, Eli. E foi impressionante o que o quarterback, irmão de Peyton, fez nas duas vezes que encontrou a defesa dos Patriots na decisão.
Nos dois casos, 2007 e 2011, apenas o transcendental pode explicar o que aconteceu. Nas duas ocasiões, pelo menos um passe de caráter “milagroso” foi feito. Nas duas situações, as defesas tinham trabalhos brilhantes e o jogo era decidido por “um fio”, faltando menos de um minuto.
Os Patriots de 2007 venceram os Giants no último jogo da temporada regular, por 38 a 35. Mas, no último quarto do Super Bowl, David Tyree e Eli Manning sugaram qualquer tipo de otimismo e acabaram com a partida entruncada. Faltando 11 minutos, Eli achou um passe para Tyree, o primeiro touchdown da equipe no jogo.
Brady e Moss ainda conseguiram responder a menos de três minutos para o fim do jogo e a vantagem era de New England. Nos últimos dois minutos de partida, no próprio campo de defesa, com os Patriots tentando parar Eli Manning, o quarterback conseguiu achar um passe milagroso para David Tyree que, literalmente, agarrou com o capacete. Eli ainda achou o wide receiver Plaxico Burress em seguida para virar a partida a 35 segundos do fim.
O único time a bater o invencível Patriots de 2007.
Em 2011 a equipe podia não ter os mesmos nomes, mas era extremamente hábil e enfrentava, novamente, os Giants.
A defesa do time de Nova York fez o que pôde contra o time de Belichick. A dos Patriots, novamente, fez um ótimo trabalho durante quase toda a partida, mas, no segundo tempo, as coisas começaram a mudar.
E foi novamente no último quarto que Manning achou um passe na lateral do campo para Mario Manningham. Faltando 53 segundos, Ahmad Bradshaw anotou um touchdown (sem querer) e, novamente, Eli Manning, bateu os Patriots de Belichick.
7 - O Spygate
No dia 9 de setembro de 2007, um segurança da NFL encontrou um assistente do New England Patriots gravando os sinais defensivos que a equipe do New York Jets fazia na partida.
Isso não é permitido, e os Jets formalizaram o problema à NFL. Belichick, como responsável pela comissão técnica, foi multado em meio milhão de dólares (R$2,6 milhões de reais na cotação atual) e a equipe em U$250 mil (R$1,35 milhão). Além disso, a liga retirou a primeira escolha geral da equipe e quase suspendeu Bill.
Na época, aquele era o maior escândalo de técnicos na história da NFL.
Belichick assumiu toda a culpa e divulgou um pedido de desculpas para a família Kraft, dona dos Patriots, para a NFL e para a comunidade.
8 - Deflategate e a “Revenge Tour”
Nos playoffs em 2015, na final da AFC, os Patriots enfrentaram os Colts e aplicaram uma surra por 45 a 7.
No intervalo da partida, quando o placar era de 17 a 7 para New England, algumas investigações começaram a acontecer sobre o tamanho e o quão cheia as bolas estavam. O problema foi solucionado naquele momento e o jogo acabou com a lavada dos Patriots.
Desde o começo, Belichick deixou claro que estaria apto para seguir com as investigações e estava surpreso com isso. Em nenhum momento a franquia dificultou acesso, porém, mesmo assim, a situação gerou diversos problemas dentro da NFL. Brady destruiu seu próprio celular, Goodell fez declarações expondo investigações e vários tipos de farpas foram trocadas pela mídia entre a equipe e o comissário geral da liga.
As investigações avançaram e detectaram a alteração na pressão das bolas usadas no jogo. Os Patriots foram multados em U$1 milhão (R$5,19 milhões), perderam duas seleções no draft, e Tom Brady enfrentou 4 jogos de suspensão, que, depois de apelação, foram cumpridos apenas na temporada 2016.
E foi exatamente em 2016, com Tom Brady cumprindo os quatro jogos de suspensão, que começou a “Revenge Tour”. A jornada de vingança contra Goodell, com o mantra de “ninguém poderá nos parar” e que, novamente, contou com mais um sentimento ultracompetitivo que Belichick tinha.
Sem Brady e com Jacoby Brissett de titular, a equipe conseguiu 3 vitórias e 1 derrota.
Mas os Patriots de 2016 contavam com mais uma, e sem surpresa, defesa sensacional comandada por Belichick e Matt Patricia. Patrick Chung, Devin McCourty, Logan Ryan e Malcolm Butler faziam uma secundária de dar inveja às outras equipes. Jamie Collins, Trey Flowers, Dont’a Hightower, Jabaal Sheard e Rob Ninkovich fechavam aquele centro pesado e extremamente atlético que fez desta a melhor defesa da temporada.
E tudo isso se confirmou em pleno Super Bowl. Depois de quase três quartos extremamente ruins de toda a equipe e perdendo por até 28 a 3, Brady e Belichick apareceram em um dos momentos mais inesquecíveis da história da NFL. Faltando 2:12 no terceiro quarto, a defesa apareceu, segurou o Atlanta Falcons, e o ataque conseguiu arrancar a virada na prorrogação.
A “Revenge Tour” foi completada do melhor jeito possível, e os sorrisos irônicos eram lançados em direção ao comissário geral da NFL.
