Lenda da NBA dos Bulls da década de 90 contou detalhes no livro "Unguarded", que será lançado neste mês
Por décadas, muitas pessoas acreditaram que Michael Jordan e Scottie Pippen formavam uma dupla que se dava bem dentro e fora da quadra na NBA. Porém, o ex-camisa 33 do Chicago Bulls, hexacampeão ao lado de Jordan, deu mais uma demonstração de que não é bem assim.
Nesta quarta-feira, tem rodada dupla da NBA com transmissão pela ESPN no Star+. Nets x Hawks às 20h30 (Brasília), seguido de Warriors x Hornets, às 23h (Brasília).
Em seu livro que será lançado no dia 9 de novembro, uma autobiografia chamada "Unguarded", Pippen detalhou esse sentimento.
A revista "GQ" publicou um trecho do livro onde o ex-ala diz não ter gostado do documentário "The Last Dance", que retrata a dinastia dos Bulls nos anos 90 e foi produzido pela ESPN dos Estados Unidos.
Veja abaixo o trecho:
"Ele (The Last Dance) glorificou Michael Jordan, embora não tenha elogiado o suficiente eu e meus orgulhosos companheiros de equipe. Michael merecia grande parte da culpa. Os produtores haviam concedido a ele o controle editorial do produto final. O documentário não poderia ter sido liberado de outra forma. Ele era o protagonista e o diretor.
"[...]Exceto que Michael estava determinado a provar para a atual geração de fãs que ele era maior do que a vida durante seu dia - e ainda maior do que LeBron James, o jogador que muitos consideram seu igual, se não superior. Então Michael apresentou sua história, não a história da 'Última Dança'.
"[...]Mesmo no segundo episódio, que se concentrou por um tempo na minha educação difícil e no caminho improvável para a NBA, a narrativa voltou para MJ e sua determinação de vencer. Eu não era nada mais do que um adereço. Seu 'melhor companheiro de equipe de todos os tempos', ele me chamou. Ele não poderia ter sido mais condescendente se tivesse tentado.
Cada episódio era o mesmo: Michael em um pedestal, seus companheiros de equipe secundários, menores, a mensagem não diferente de quando ele se referiu a nós naquela época como seu 'elenco de apoio'. De uma temporada para a seguinte, recebíamos pouco ou nenhum crédito sempre que ganhamos, mas a maior parte das críticas quando perdíamos. Michael podia acertar 6 em 24 chutes, cometer 5 turnovers e ainda era, na mente da imprensa e do público entusiastas, o Jordan sem erros.
Agora, aqui estava eu, com meus cinquenta e poucos anos, dezessete anos desde meu último jogo, vendo-nos sermos humilhados mais uma vez. Viver isso pela primeira vez foi um insulto o suficiente.
Nas semanas seguintes, conversei com vários de meus ex-companheiros de equipe, que se sentiram tão desrespeitados quanto eu. Como Michael se atreve a nos tratar assim depois de tudo o que fizemos por ele e sua preciosa marca. Michael Jordan nunca teria sido Michael Jordan sem mim, Horace Grant, Toni Kukoc, John Paxson, Steve Kerr, Dennis Rodman, Bill Cartwright, Ron Harper, B.J. Armstrong, Luc Longley, Will Perdue e Bill Wennington. Peço desculpas a todos que deixei de fora.
Não estou sugerindo que Michael não seria um superstar onde quer que tenha acabado. Ele era tão espetacular. Só que ele contou com o sucesso que alcançamos como equipe - seis títulos em oito anos - para impulsioná-lo a um nível de fama em todo o mundo, nenhum outro atleta, exceto Muhammad Ali, alcançou nos tempos modernos.
Para piorar as coisas, Michael recebeu US$ 10 milhões por seu papel no documentário, enquanto meus colegas de equipe e eu não ganhamos um centavo, outro lembrete da hierarquia dos velhos tempos. Por uma temporada inteira, permitimos câmeras na santidade de nossos vestiários, nossos escritórios, nossos hotéis, nossas reuniões... nossas vidas".
