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Como os Bucks e Giannis Antetokounmpo fecharam o maior contrato da história da NBA

OS PROPRIETÁRIOS DO MILWAUKEE BUCKS, Marc Lasry e Wes Edens, mexem com probabilidades para viver. Os dois gurus das altas finanças de Nova York operam fundos que controlam mais de US $ 60 bilhões e costumam construir negócios de cem milhões de dólares com base nesses instintos. Ao entrarem na mansão de tijolos vermelhos de Giannis Antetokounmpo em 5 de dezembro, eles se prepararam para fazer um discurso de vendas de US $ 228 milhões. Se a apresentação fosse persuasiva, eles poderiam diminuir drasticamente a probabilidade de sua franquia renovar com um dos astros mais dominantes de sua geração por um futuro indefinido.

Montar a oferta foi fácil, mas suportar a incerteza das últimas semanas, não. Os Bucks passaram a off season orquestrando uma série de movimentações ousadas que remodelaram o time. Havia motivos para acreditar que já haviam solidificado seu caso para que seu melhor jogador se comprometesse com a franquia a longo prazo. Depois de uma noite incrível em meados de novembro, Lasry dirigiu tarde da noite de sua casa em Connecticut para a cidade, trabalhando pelo telefone como se estivesse fechando um grande negócio em NY.

Na época, o otimismo dos Bucks de que conseguiriam renovar com Antetokounmpo por um ‘supermax’ de cinco anos era alto. Eles cumpriram uma promessa que fizeram antes de Antetokounmpo tirar férias para recarregar as energias na Grécia e acreditavam que quando ele retornasse para o próximo training camp, a verdadeira celebração viria.

Mas, na altura daquela reunião, Antetokounmpo já estava de volta há uma semana e não havia uma palavra definitiva sobre seus planos. Ele observou o esforço dos Bucks com grande interesse, disseram as fontes, mas ele não havia se aprofundado seriamente nos detalhes de cada opção disponível para ele até retornar aos Estados Unidos. Enquanto o resto da NBA esperava em antecipação - e Milwaukee em pura ansiedade - Antetokounmpo estava apenas começando o processo de entender as implicações financeiras e de carreira de suas opções: um supermax agora, uma extensão mais curta com uma opção de jogador ou entrar na temporada sem se comprometer e testar a agência livre em 2021.

Agora, Lasry e Edens finalmente tiveram a oportunidade de apresentar seu melhor argumento. Eles enfatizaram o investimento material e emocional para tornar os Bucks campeões, disseram as fontes. Eles lembraram à Antetokounmpo que são tão competitivos e comprometidos em vencer quanto ele próprio, apontando para a busca agressiva que resultou na troca por Jrue Holiday e os pagamentos de impostos de luxo que a franquia estava disposta a ter que arcar caso Antetokounmpo aceitasse a oferta de extensão.

O que eles não enfatizaram naquele dia foi a narrativa de Antetokounmpo como um jogador aos Bucks. Isso já estava implícito no relacionamento de sete anos e não precisava ser repetido. Todos na reunião acreditavam que Antetokounmpo queria continuar sendo um Buck - os Bucks só precisavam demonstrar que desejavam o sucesso tanto quanto ele.

A decisão de Antetokounmpo não seria apenas um momento crucial para a franquia. Os Bucks nunca haviam se recuperado verdadeiramente do então MVP Kareem Abdul-Jabbar pedindo uma troca para fora do pequeno mercado há 46 anos.

Ninguém saiu da reunião com a certeza do que aconteceria, mas quando Antetokounmpo escancarou para o mundo todo a sua vontade, tudo ficou bem.

DOIS DIAS DEPOIS que os Bucks saíram da bolha da Dinsey e voaram de volta para Wisconsin após uma amarga derrota nos playoffs para o Miami Heat em setembro, Lasry convidou Antetokounmpo para almoçar.

Foi uma reunião informal que incluiu Alex Saratsis, agente de longa data de Antetokounmpo. Ambos os lados sabiam que algumas questões importantes precisavam ser abordadas, disseram as fontes. Após vários anos de derrotas nos playoffs como semente principal, alinhar os objetivos do time com os de Antetokounmpo era imperativo. O Bucks precisava fazer de tudo para garantir seu compromisso com Milwaukee, e eles precisavam fazer isso rapidamente.

Embora Antetokounmpo tenha emergido como um grande astro nos últimos anos, ele raramente havia tomado a liberdade de desempenhar o papel de conselheiro dos diretores, muitas vezes reivindicado pelo jogador mais importante da franquia. Os chefes de Milwaukee normalmente o consultam quando estão prontos para tomar decisões relacionadas ao elenco, mas pessoas próximas disseram que Antetokounmpo nunca defendeu a saída de nenhum companheiro de equipe ou tentou bancar o mentor com exigências.

No entanto, como a decepção da eliminação seguiu a equipe de volta a Milwaukee, Antetokounmpo tomou uma decisão consciente, disseram aqueles com conhecimento da situação, para assumir um papel mais presente na montagem do elenco para a temporada 2020-21.

O final amargo da última temporada o levou a ampliar sua visão de como e por que os candidatos evoluem para campeões. Antetokounmpo compreendeu que, por mais inclinado a colocar o peso da franquia sobre seus ombros que ele esteja, as estratégias organizacionais elaboradas por proprietários, executivos e técnicos podem tornar esse processo mais fácil ou mais difícil para um astro.

Durante aquele almoço de três horas, Lasry teve algumas das conversas mais significativas sobre a formação de equipes. Eles falaram sobre os atuais jogadores do Bucks. Eles falaram sobre os atuais treinadores do Bucks. Eles falaram sobre agentes livres que estavam no mercado. Eles falaram sobre jogadores de outros times - aqueles que Antetokounmpo achou que seria certo ir atrás. A certa altura, disseram as fontes, a Antetokounmpo chegou a mostrar mensagens de texto para os diretores dos Bucks, enviadas por estrelas de times rivais que pareciam estar começando sua apresentação para tirar o astro de Milwaukee da cidade.

Entre as muitas coisas com as quais Antetokounmpo teve dificuldades ao começar um período decisivo de off season, estava não apenas ser recrutado, mas também com a possibilidade de ser o recrutador.

Aquele almoço lançou a base para o plano de off season dos Bucks - como eles abordariam cada negócio com o objetivo de garantir o compromisso de Antetokounmpo - e até mesmo um cronograma vago surgiu. Antetokounmpo disse a Lasry que logo partiria para a Grécia por pelo menos dois meses e, embora ninguém soubesse quando a próxima temporada começaria, havia uma expectativa de mudanças quando ele retornasse.

UM DOS JOGADORES que Antetokounmpo citou, disseram as fontes, foi Bogdan Bogdanovic, um agente livre do Sacramento Kings. Antetokounmpo respeitava o jogo de Bogdanovic desde 2014, quando o ala sérvio acertou quatro bolas de três pontos e marcou 21 pontos para vencer Antetokounmpo e a Grécia nas quartas de final da Copa do Mundo em Madri. No ano passado, Antetokounmpo testemunhou novamente a crueldade de Bogdanovic em um amistoso em Atenas, no qual ele roubou o show do herói nacional ao marcar 28 pontos. Bogdanovic mostrou ter o tipo de personalidade que Antetokounmpo queria ter ao seu lado.

Além de Bogdanovic, ele citou o ala Bradley Beal do Washington Wizards como um alvo desejável para os Bucks. Sem impugnar companheiros de equipe específicos, Antetokounmpo estava implicitamente sugerindo o que quase todos na organização - e a NBA - sabiam: os Bucks precisavam mexer nos seus armadores.

Isso significava a difícil tarefa de ter que trocar um dos favoritos de Antetokounmpo.

Eric Bledsoe emergiu como um membro fundador do núcleo jovem dos Bucks, tanto dentro quanto fora da quadra. Embora não tivesse sido assim sempre, Bledsoe se tornou um daqueles caras conhecidos na liga como um "grande companheiro de equipe". Para seu 30º aniversário em dezembro passado, seus companheiros de equipe lhe deram uma festa surpresa no Punch Bowl Social, perto do centro de treinamento dos Bucks. Jogadores e staff se vestiram para a ocasião e lotaram a pista de dança. Antetokounmpo, que estava com a sua parceira, Mariah Riddlesprigger, foi particularmente festivo e envolvente.

Mas Bledsoe não foi tão bem nas campanhas de playoffs dos Bucks em 2018, 2019 e 2020, com sua última derrota em Milwaukee ocorrendo na bolha de Orlando. Mais uma vez, ele sumiu durante grandes momentos, quando teve 42,7% de aproveitamento na série contra o Heat.

Para a diretoria, uma melhora na posição de armador seria o item principal na agenda fora de temporada - além de um compromisso de seu MVP. Antetokounmpo monitorava os planos dos Bucks na agência livre e no mercado de trocas por meio de seu agente e de comunicação constante com os chefes dos Bucks.

Os Bucks foram atrás do ala do Indiana Pacers, Victor Oladipo, que fez uma viagem à Grécia no início de novembro e passou um tempo com Antetokounmpo. Fontes disseram que as duas equipes nunca chegaram perto de uma estrutura de negócio que pudesse funcionar para qualquer um dos lados. Quando Dennis Schroder foi negociado com o Los Angeles Lakers, Antetokounmpo queria garantias de que, mesmo que os Bucks não conseguissem o armador do Oklahoma City Thunder, eles pelo menos fizeram um grande esforço.

Milwaukee identificou um jogador no mercado como um ajuste natural, um armador com postura, envergadura e tamanho que também estava na lista de Antetokoumpo: Holiday.

Tirá-lo de New Orleans se tornou a prioridade dos Bucks.

OS BUCKS PODEM ter sido mais motivados do que qualquer equipe para adquirir Holiday, mas eles não eram os mais bem equipados. Os Pelicans informaram aos pretendentes que queriam uma escolha top-10 no draft deste ano, disseram fontes, e várias equipes foram atrás de uma. O Denver Nuggets e o Boston Celtics foram particularmente agressivos, mas não conseguiram selar um acordo. O Atlanta Hawks, que tinham a sexta esxolha, estavam interessados em trocá-la por Holiday, mas acabaram abandonando o plano, disseram as fontes, quando não tinham certeza de que ele estaria disposto a ficar lá depois que seu contrato atual expirasse em 2021.

Qualquer negócio envolvendo Milwaukee provavelmente precisava incluir Bledsoe e futuras escolhas de draft, junto com contratos dispensáveis. Não se sabia se isso seria o suficiente para obter o melhor ala do mercado, e no início os Bucks sentiram que estavam longe. Mas como as outras equipes não conseguiram entregar o que o gerente geral dos Pelicans, David Griffin, queria, ele adotou a mesma estratégia que havia usado um ano antes ao trocar Anthony Davis para o Los Angeles Lakers. Talvez ele não conseguisse em troca o jogador perfeito, mas poderia compensar isso com volume de ativos de draft.

Os Bucks, como os Lakers antes deles, expressaram a vontade de abrir mão de muito para conseguir quem eles achavam que seria um jogador transformador - não apenas para melhorar o elenco, mas também para enviar uma mensagem à Antetokounmpo.

Uma vez que isso foi estabelecido, os Bucks entraram no jogo.

À medida que o processo em torno de Holiday se arrastava e o draft de 18 de novembro se aproximava, os Bucks aumentaram sua oferta inicial, incluindo agora Bledsoe e algumas opções de escolha na primeira rodada e uma troca de escolha futura, eventualmente concordando relutantemente em incluir o armador veterano George Hill.

Os Bucks suportaram um longo fim de semana enquanto New Orleans refletia sobre as ofertas. Griffin finalmente voltou com outro pedido: mais uma escolha de primeira rodada e mais uma troca de escolha para fazer, no total, três primeiras rodadas e duas trocas. Essencialmente, os Pelicans queriam controlar o draft dos Bucks por cinco anos, começando em 2020.

Esta última oferta surpreendeu Milwaukee. Conforme os tomadores de decisão discutiam internamente, disseram as fontes, eles sabiam que estavam pagando muito caro. Eles também sabiam que havia a questão de eventualmente renovar com Holiday, que deve custar cerca de US $ 30 milhões por temporada, disseram as fontes. Mas eles reconheceram que não apenas seria uma tremenda melhora no elenco, mas uma forte mensagem para Giannis, que estava esperando para ver uma melhora substancial.

Os Bucks responderam naquela segunda-feira: eles aceitariam negociar as três escolhas e duas trocas. Griffin concordou. Os Bucks ficaram com Holiday e, no mesmo dia, eles acreditaram que haviam conseguido outro jogador que Antetokounmpo queria.

Milwaukee coletou informações que levou a diretoria a acreditar que Bogdanovic tinha interesse em jogar com Antetokounmpo. Houve algum contato direto entre Bogdanovic e Antetokounmpo, disseram as fontes, e os dois expressaram admiração um pelo outro. A mecânica do negócio funcionou com os Kings permitiu que os Bucks fizessem uma oferta de quatro anos e cerca de US $ 64 milhões para fechar o ‘sign and trade’. Três dias antes da agência livre, na mesma noite em que fecharam o negócio por Holiday, a notícia se espalhou.

A questão era que tal acordo violaria regras da liga. Equipes e agentes foram avisados em uma série de memorandos que prometiam penalidades severas para qualquer equipe que desafiasse o decreto relacionado ao tampering.

A NBA mais tarde abriu uma investigação envolvendo Bucks, Kings e Bogdanovic. Os resultados estão pendentes. Os representantes de Bogdanovic deixou claro que não havia acordo e que ele ouviria outras ofertas quando a agência livre começasse dois dias depois.

Nas 48 horas seguintes, o gerente geral Jon Horst dividiu o dinheiro disponível em quatro jogadores diferentes: D.J. Augustin, Bobby Portis, Bryn Forbes e Torrey Craig, que era visto como o melhor valor do grupo por causa de sua reputação de grande defensor. Os Bucks também conseguiram renovar com Pat Connaughton por três anos e US $ 16 milhões, o que não teria sido possível se eles tivessem adquirido Bogdanovic.

No final das contas, os Bucks contratado seu alvo número 1. Havia dúvidas se a falta de Bogdanovic alteraria as perspectivas de Antetokounmpo sobre o futuro da equipe. Esta semana, essas questões foram enterradas.

O ACORDO DE ANTETOKOUNMPO para uma extensão do contrato com os Bucks é tanto um presente quanto um compromisso. Ele está dando tempo aos Bucks, a moeda mais valiosa da NBA.

Por que Antetokoumpo escolheu ficar em um mercado pequeno e com uma equipe que teve um desempenho fraco nos playoffs em cada uma das últimas duas temporadas não é estranho para aqueles que trabalharam mais próximos dele. Antetokounmpo cresceu ali. A equipe abraçou sua família, e ele amou ter seu irmão Thanasis com ele na última temporada em Milwaukee. Antetokounmpo apreciou esse compromisso e respondeu na mesma moeda.

Mas mesmo que ele tenha assinado, não há uma sensação de relaxamento - o verdadeiro trabalho está apenas começando para os Bucks. Assim como eles navegaram nesta off season com seus desejos em mente, eles devem continuar construindo cuidadosamente em torno de seus pontos fortes.

Se os Bucks falharem novamente na próxima temporada, a diretoria precisará renovar a estrutura ao redor dele novamente. Os boatos que dizem que ele não tem a combinação de jogo e malícia para ganhar um título vão ficar mais incômodos. Embora Antetokounmpo seja dedicado à franquia, o sentimento de um jogador pode mudar da noite para o dia, com um pedido de troca sempre uma possibilidade persistente, mesmo de um jogador que assinou um supermax. Nem Russell Westbrook, nem John Wall ainda estão com a equipe que lhes deu contratos supermax - os dois foram trocados há duas semanas - e James Harden pediu para sair de Houston, onde assinou uma extensão supermax em 2017.

Proteger Antetokounmpo não é o fim do jogo; é o ponto de partida. Para um astro com temperamento de Antetokoumpo, a única coisa pior do que abandonar um objetivo é não o alcançar. E para uma franquia como os Bucks, a única coisa pior do que perder um astro é desperdiçar seu auge.

A pressão de trazer Antetokounmpo de volta não foi aliviada - apenas elevada.