Há exatos 36 anos, em 8 de junho de 1984, o Boston Celtics recebia o Los Angeles Lakers para o Jogo 5 das Finais da NBA daquele ano em uma partida que entraria para a história por conta de um fator inusitado: o calor.
Em uma época que o Boston Garden, então ginásio dos Celtics, não contava com um ar condicionado, um termômetro posicionado na beira da quadra marcava 98 graus Farhenheit, ou seja, 39ºC.
A série estava empatada em 2 a 2 e o Jogo 5 era fundamental para quem quisesse ser campeão e quis a natureza que aquele dia marcasse a maior temperatura já registrada em uma partida no Boston Garden.
O calor era tanto que, no intervalo, o técnico Hugh Evans foi obrigado a se retirar por desidratação. Kareem Abdul-Jabbar, uma das estrelas dos Lakers, recebia oxigênio toda vez que sentava no banco de reservas.
"Eu sugiro que você vá para uma sauna, faça 100 flexões com todas suas roupas e, então, corra para cima e para baixo por 48 minutos. Essa foi a sensação. O jogo foi em câmera lenta. Parecia que estávamos correndo na lama", disse Kareem após o jogo.
Mas um jogador em especial não parecia incomodado com a temperatura infernal: Larry Bird. O grande astro dos Celtics demonstrou um preparo físico e uma garra fora do comum e jogou 42 dos 48 minutos da partida.
Bird anotou 34 pontos e pegou 17 rebotes enquanto converteu 15 dos 20 arremessos de quadra que tentou para liderar os Celtics a uma vitória por 121 a 103 e colocar Boston em vantagem na série.
O segredo, segundo o próprio Bird? Correr mais rápido.
"Eu amo jogar no calor. Eu simplesmente corro mais rapido e crio meu próprio vento", disse em entrevista após o jogo.
Os Celtics caminhariam para vencer aquela série em 7 jogos após os Lakers darem o troco no Jogo 6. Seria o segundo título de Larry Bird e seu primeiro troféu de MVP (jogador mais valioso) das Finais - o camisa 33 encerraria a carreira com três anéis e dois Finals MVPs.
