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Chicago Bulls de Michael Jordan quase perdeu o 2º tricampeonato da NBA: 'Jogo mais assustador que tivemos'

Enquanto os jogadores do Indiana Pacers esperavam o começo do Jogo 7 da final da Conferência Leste de 1998, em Chicago, Larry Bird, em seu primeiro ano como treinador, caminhou até o centro do vestiário para falar com eles.

Bird não era um cara de grandes discursos. Os Pacers já tinham feito seu trabalho nos treinamentos e nas sessões de filmes. Tudo o que restava era executar.

Bird examinou o vestiário. "Esqueçam tudo", disse ele. "Vamos lá chutar o traseiro deles."

"Nós olhamos uns para os outros, tipo, 'Uau!'", lembrou Antonio Davis, pivô reserva do time.

"Nós comemoramos, ‘Beleza!'", disse Jalen Rose, ala reserva do time. "Esse é Larry Legend!"

Os líderes dos Pacers - Bird, Reggie Miller e Mark Jackson - projetaram calma nas 48 horas depois que Indiana venceu o Jogo 6 em casa, fazendo Chicago disputar apenas o seu segundo jogo de eliminação em suas campanhas de título. (Eles venceram o primeiro - Jogo 7 do segundo round dos playoffs contra o New York Knicks em 1992 - por 29 pontos.) Miller e Jackson pediram aos colegas: “não se preparem de maneira diferente apenas porque este é o Jogo 7. Nós já estamos preparados”.

"Para mim, foi importante ouvir aquilo", disse Antonio Davis, "porque eu estava com muito medo”.

Em dez encontros naquela temporada, os times tinham vencido cinco partidas cada entrando no Jogo 7.

"Achamos que era a nossa hora", disse Dale Davis, o ala-pivô titular de Indiana.

Mesmo assim, os Pacers queriam evitar essa situação: Jogo 7 em Chicago. No primeiro dia de treinos, Bird havia estabelecido uma meta, os jogadores se lembraram: vantagem de mando nos playoffs. "Ele sempre achou que o Jogo 7 fora de casa seria difícil", disse Chris Mullin, de Indiana.

Outro arrependimento mais imediato: ter perdido o Jogo 5, impossibilitando a vitória na série no Jogo 6. Os Pacers venceram os Jogos 3 e 4 em Indiana para empatar a série. O Jogo 4, aliás, teve aquela bola de três icônica de Reggie Miller faltando 0,7 segundos.

"Não posso falar do Jogo 7 sem pensar no Jogo 5", disse Travis Best, um importante reserva de Indiana. "Estávamos no auge. Sentimos que íamos vencer".

Eles sentiram a falta de Jalen Rose quando a NBA suspendeu o jogador por sair do banco durante uma confusão no Jogo 4. Rose marcou 23 pontos nos Jogos 3 e 4.

"Eu estava a 30 metros de distância [da briga]", lamentou Rose. Ele assistiu o Jogo 5 sozinho em uma suíte de hotel em Chicago, comendo lagosta.

Ainda assim, os Pacers esperavam terminar o reinado de Michael Jordan depois de perder as finais de conferência em 1994 e 1995.

"Tínhamos confiança de que havia terminado", disse Jackson. "Tínhamos respostas para todas as perguntas."


LOGO APÓS O JOGO 6, Jordan entrou no vestiário dos Bulls repetindo uma frase, de acordo com Randy Brown: "Apenas uma pedra no caminho! Só uma pedra no nosso caminho!"

Confiança à parte, os Bulls perceberam que estavam em território desconhecido. "Eu não diria que estávamos com medo", disse Bill Wennington, o pivô reserva de Chicago, "mas sabíamos que eles nos entendiam".

"Estávamos confiantes", disse Brown, "mas fomos derrotados emocionalmente".

No treino, no dia anterior ao Jogo 7, Phil Jackson aconselhou seus jogadores a encontrar força na vulnerabilidade. "Ele disse que o importante é não ter medo de perder", disse Steve Kerr, armador reserva. "Abrace a ideia de que você pode perder. Encare isso. Mas antes que ele pudesse começar, Michael disse: ‘F***-se, Phil. Não vamos perder.' Colocamos as mãos no meio, dissemos '1-2-3, Bulls!' e fomos embora.”

Jordan havia dito publicamente que os Bulls venceriam o Jogo 7. Ele era o trunfo final. "Tínhamos MJ, e mais ninguém tinha", disse Jud Buechler, um reserva dos Bulls.

Kerr levou Buechler à arena para o Jogo 7; eles viajavam juntos frequentemente, conversando sobre todos os tipos de assuntos. Eles ficaram em silêncio pelos primeiros 15 minutos. Kerr quebrou a tensão, tranquilizando Buechler que uma derrota não poderia apagar seus dois títulos. Buechler protestou: "Não pode terminar assim!"

"Eu disse a Stevie que era impossível o último jogo de Michael Jordan ser uma final de conferência", disse Buechler. "Só havia uma maneira de isso terminar."

Minutos antes do jogo, tudo estava calmo. "O pensamento de perder nunca entrou em nosso vestiário", disse Toni Kukoc. "Estávamos mais quietos naquele dia. Todo mundo em sua própria cabeça, pensando no que poderia acontecer na partida. “

OS PACERS PULARAM NA FRENTE com 20-7 no placar, jogando com Rik Smits e Dale Davis, que fez o que quis com Kukoc.

Os Pacers normalmente se apoiavam no jogo de costas para a cesta de Mark Jackson, mas os Bulls anularam essa arma de Indiana colocando Scottie Pippen nele no Jogo 1. Jackson não conseguiu empurrar Pippen para trás. Pippen ficou nele a partida toda, e Jackson cometeu 14 turnovers nos dois primeiros jogos da série.

"Scottie estava batendo em Mark por todo o caminho", disse Mullin. "Isso era legal na época. O Jogo 7 foi como uma luta do UFC".

Davis e Smits começaram bem, e a defesa dos Pacers – quinta no geral naquela temporada sob o comando de Dick Harter, coordenador defensivo de Bird - se recuperou. Jordan começou 1/5, com sua única cesta vindo de um rebote ofensivo.

Miller começou a marcar Jordan porque Indiana não tinha outra opção. Miller teve dificuldades com Jordan no poste. (O ala dos Pacers não quis comentar sobre essa matéria.)

A versatilidade de Chicago permitiu a Jordan uma tarefa defensiva menos exigente. Ron Harper marcou Miller, deixando Jordan em Mullin - que tinha quase 35 anos e teve uma média de 11 pontos em 1997-98. À medida que a série avançava, Mullin perdeu minutos para Derrick McKey e Jalen Rose.

Phil Jackson pediu um timeout com 7:45 restantes no primeiro quarto, e Indiana liderando por 14-5.

"Se o Phil gastou um tempo no começo, era tipo, 'Ok, essa equipe realmente precisa de ajuda'", disse Doug Collins, que comentou o jogo para a NBC com Bob Costas.

Os Pacers perceberam. "Eles estavam andando de cabeça baixa”, disse Rose. "Seu primeiro pensamento como jovem jogador é ‘Vamos arrebentá-los! ’”

Chicago marcou depois do tempo pedido, mas os Pacers responderam colocando Dale Davis contra Kukoc novamente. Pippen dobrou e Davis encontrou Jackson para uma bola de três.

Os Bulls estavam desafiando Jackson a atirar. Ele tinha acertado 7/15 de três nos seis primeiros jogos - volume que não preocupava Chicago.

Outra cesta de Dale Davis e um lance livre de Jackson fizeram 20 a 7 para os Pacers. "Havia uma sensação naquele momento de que talvez isso realmente fosse acontecer”, lembrou Costas. "Estes não são jogos atuais que terminam 120-116. São jogos que acabavam 85-80. Faça as contas. Uma desvantagem de 20-7 é mais difícil de superar."

Costas relembrou câmeras piscando sempre que Jordan estava na linha de lance livre - torcedores documentando o que poderia ter sido seu último jogo. "Você podia sentir a tensão", disse Collins. "Os torcedores pensaram que o Pacers poderia vencer."

Os Pacers sentiram ansiedade nos Bulls.

"Quando eles sentiram pressão?", disse McKey, que também marcou Jordan, apesar de ter tido uma lesão no quadríceps que requereria cirurgia no fim da temporada. "Não ficamos surpresos por estar à frente". Bird pregou a importância de assumir uma liderança no começo, disseram os jogadores. Eles foram atrás disso.

"Nós não éramos tão próximos", disse Best. "Eles eram."

Bird e os veteranos controlaram qualquer emoção. O melhor jogador da história ainda tinha 40 minutos para se recuperar. "Sabíamos os perigos do oponente", disse Mark Jackson.

Os Bulls esperavam que os Pacers estivessem prontos, mas os 13 pontos atrás foram assustadores.

"Houve um senso de choque", disse Scott Burrell, um reserva dos Bulls, "mas sem pânico".

Eles sabiam que tinham tempo, e Jordan, e a melhor defesa da liga - e que os Pacers sabiam disso também.

"Você sabe como são as lideranças no começo das partidas", disse Mullin. "A única coisa pior do que estar 13 pontos atrás é estar 13 pontos na frente.


MILLER E JORDAN começaram o segundo quarto no banco. Os Pacers contavam com uma vantagem nesses minutos; Best tinha sido o Fator X, muitas vezes jogando nos momentos decisivos no lugar de Jackson. Miller descansou os primeiros 4:38 minutos daquele período. Indiana não fez cestas de quadra enquanto ele esteve fora. Uma formação híbrida do Bulls com Dennis Rodman de pivô e Pippen alternando nas posições sufocou o time de Chicago.

Chicago negava todos os passes. Rodman conseguiu segurar Antonio Davis no poste. Entre turnovers, Indiana tentava arremessos mirabolantes perto do estouro do cronômetro.

Na marca de 9:32, Jordan entrou no lugar de Pippen. Buechler entrou com ele. Buechler teve apenas 9:25 minutos nos seis primeiros jogos, quase todos quando as partidas estavam decididas. Phil Jackson o abordou no treino no dia anterior e disse para ele estar pronto.

Apenas oito jogadores dos Bulls jogaram minutos significativos no Jogo 6. No Jogo 7, Jackson aumentou para nove, mas sem comprometer a velocidade de Chicago. Ele queria abrir a quadra dos Pacers, disseram os jogadores. Ele escolheu a Buechler em vez de Wennington.

Buechler defendeu com energia maníaca e terminou com mais rebotes do que Smits.

Chicago assumiu a liderança, 31-30, quando Jordan pegou o rebote do seu lance livre e acertou um gancho. Foi o segundo de Jordan e o nono rebote ofensivo dos Bulls.

Antonio Davis e Smits tinham três faltas. Indiana não podia ficar sem a produção de Smits por muito tempo.

"Eu nunca entrei no ritmo", disse Smits.

Chicago pressionou após os erros de Indiana; Kerr acertou duas bolas de três em transição. Com Kerr em Harper, Jordan marcou Miller, que ficou quase sete minutos sem uma cesta. À medida que a liderança de Chicago se aproximava dos dois dígitos, a torcida cheirava sangue.

"O que eu sempre vou lembrar é do volume daquele ginásio, nós podíamos ouvir", disse Dale Davis. "Não conseguimos nos comunicar. Estávamos apenas jogando. Era tão alto."

Os Bulls abriram 46-39 com 54 segundos restantes em mais duas cestas após rebotes ofensivos.

A primeira veio naqueles momentos casuais que parecem muito mais importantes quando vistos em retrospecto. Com 1:47 no relógio, Pippen errou uma bola de três. O rebote ficou pipocando antes de chegar nas mãos de Mark Jackson na cabeça do garrafão. Jackson estava de costas para o ataque. Ele girou. Ele não tinha ideia de estava prestes a girar em cima de Buechler. Buechler só estava ali porque havia corrido para brigar pelo rebote.

Quando Jackson girou, seu ombro esquerdo foi de encontro ao corpo de Buechler. Jackson perdeu seu equilíbrio, e a bola. Pior ainda: ela foi parar na mão de Rodman, parado na cabeça do garrafão sem ninguém na sua frente. Rodman fez a bandeja sem a menor contestação.

Foi sorte? A energia de Buechlter criou a sorte? “Às vezes, é questão do quique correto”, disse Jackson.

Com os Pacers oscilando, Miller os resgatou. Ele acertou bolas de três consecutivas nos 40 segundos finais para deixar o jogo 46-45. Na primeira, Miller encarou Burrell, bateu a bola na frente dele, pareceu acertar o rosto dele com o braço e fez a cesta facilmente quando Burrell recuou.

"Ele deu uma cotovelada", disse Burrell.

Os Pacers contavam com esses momentos especiais de Miller.

"Houve tantos momentos naquela temporada em que estávamos com 8 ou 10 pontos atrás, e eu olhava para Reggie, e ele tinha essa expressão no rosto”, disse Antonio Davis. "Eu só olhava para Reggie e sabia. Ele era o nosso Michael Jordan."

Após a segunda bola de três de Miller, Jordan correu pela quadra e fez uma bandeja no estouro do cronômetro: 48-45, Bulls.

"Essa confusão fica na minha cabeça", disse Costas. "Ele mandou os Bulls para o vestiário com uma pequena vantagem."

Os Pacers se sentiram bem. No intervalo, Mark Jackson transmitiu uma mensagem estimulante, os colegas disseram: "Vamos vencer o jogo".

PHIL JACKSON TINHA APOSTADO tudo em Kukoc como uma força inicial contra Indiana, o que significava repensar em Rodman como um reserva de muitos minutos.

Entre os Jogos 6 e 7, Jackson indicou que poderia puxar Kukoc mais cedo se Antonio Davis e Dale Davis complicassem as coisas. Dale Davis fez o que quis no primeiro quarto, mas Phil manteve Kukoc.

Era chegada a hora da recompensa. Kukoc acertou cinco arremessos consecutivos, incluindo três bolas de três, e os Bulls abriram sua maior vantagem: 69-61, com 2:17 restantes no quarto. Esse talvez tenha sido o período mais importante de Kukoc como um Bull.

"Aquelas bolas de Kukoc foram cruciais", disse Best.

"Ele cansou nossos pivôs", acrescentou McKey.

Indiana ainda não conseguiu penetrar na defesa de Chicago. Pippen estava no seu melhor. Ele pressionava Mark Jackson até que Jackson parasse de bater bola. Então, ele voltava correndo para impedir um passe para Smits. Todo passe perto dele era uma aventura. Alguns nunca aconteceram.

Pippen não deixava Mark Jackson chegar nos lugares onde faria passes para Miller arremessar. Quando Jackson encontrava Miller, Pippen ia direto para cima do melhor jogador dos Pacers.

"Éramos uma equipe melhor na defesa do que no ataque", disse Cartwright.

Os treinadores de Indiana discutiram a possibilidade de colocar Dale Davis fazendo corta-luz em Pippen na metade da quadra, para que Mark Jackson conseguisse respirar.

"Não acredito que alguém na história do jogo conseguiria fazer o que fez Scottie Pippen", disse Mark Jackson. "Eles não venceriam se ele não me pressionasse assim. Phil foi um gênio de colocá-lo em mim."

"Essa batalha nos venceu a série", disse Brown.

Os Pacers foram 6/11 da linha de lance livre; Dale Davis, que teve 46,5% de aproveitamento naquela temporada, fez 2/6. Os Pacers estavam 17/28 entrando no quarto período. Davis terminou 3/10.

"Você fica irritado", disse ele, "mas não há nada a fazer agora."

(Os Bulls fizeram apenas 24/41).

Oito pontos atrás, Indiana não podia cair – ainda – mais no placar.

"Você definitivamente diz para si mesmo: 'M***, estamos com problemas'", disse Mullin. "Mas não houve pânico. Era só fazer uma cesta e conseguir pará-los. Uma cesta e pará-los".

Uma cesta de Best e dois lances livres de Dale Davis (em quatro tentativas) colocaram os Pacers a quatro pontos (69-65) quando o quarto acabou. Jordan começaria o último quarto. "Tínhamos que tirar vantagem", disse Best.


JALEN ROSE FEZ quatro pontos consecutivos para empatar o placar. Indiana assumiu a liderança, 72-69, em uma cesta e falta de Smits.

O ataque de Chicago se desintegrou sem Jordan. Quando ele voltou, errou três arremessos seguidos – aumentando para seis a sua sequência de erros.

No sexto erro, Luc Longley correu em torno de Smits e deu um tapa no rebote para Jordan, que pegou a bola e a arremessou com 7:46 restantes - os primeiros pontos de Chicago em seis minutos – para fazer 72-71.

"Você não pode dar uma segunda chance a esse time", disse Best.

Smits respondeu com outra cesta e falta. Enquanto Smits caminhava para a linha, Bird substituiu Rose por McKey - defesa por ataque. "Eu estava chateado", disse Rose. Ele nunca voltou a entrar.

Indiana liderava 77-74 com 6:40 restantes quando aconteceu a sequência que muitos jogadores e funcionários de Indiana podem fechar os olhos e descrever com detalhes excruciantes 22 anos depois. McKey desarmou Jordan em uma jogada rápida. A bola ficou no chão. Smits e Jordan a agarraram; os árbitros deram bola presa na frente do banco de Indiana.

Smits mede 2,23m e é 25cm mais alto que Jordan. Ganhe essa bola ao alto e os Pacers terão a chance de abrir cinco ou seis pontos.

Mas Smits vinha lidando com problemas nos pés por anos. Ele não tinha muito salto vertical. "Eu sabia que não íamos ganhar essa bola ao alto", disse Antonio Davis, que ficou atrás de Smits.

Enquanto os jogadores se preparavam, os Pacers ficaram nervosos. Smits se virou para o banco, confuso com alguma coisa. McKey, à direita de Smits, apontou para a linha lateral. Mark Jackson saltou do banco, gritando algo que não conseguiu se lembrar.

As câmeras da NBC foram para Antonio Davis. Ele franziu a testa. Uma fração de segundo antes da bola ser jogada para cima, Davis se virou para o banco dos Pacers - buscando instruções sobre onde ficar, disse ele. Tarde demais.

Jordan pareceu pular um pouco para a frente, o braço esquerdo colidindo com o direito de Smits. Smits tocou a bola primeiro, mas não conseguiu direcioná-la. Ela ricocheteou para Pippen.

Os Bulls ficaram com a bola e Jordan errou um arremesso. Longley e Smits dividiram o rebote. Mais uma vez, a bola veio para Pippen.

Foi um caos. Jogando por instinto, Best subiu na direção de Jordan, na ala esquerda. Jordan não era o homem dele, mas ele era Michael Jordan, e todas as regras tinham sido jogadas fora naquela altura. Quando Best chegou, ele encontrou McKey do seu lado. Ele sabia o que aquilo significava.

"Ah não, alguém está livre", pensou Best. "E tinha que ser Kerr ou Kukoc."

Foi Kerr. Pippen fez o passe. Kerr acertou a bola de três, empatando o placar.

"Esse foi o momento decisivo", disse Fred Hoiberg, que assistia horrorizado do banco de Indiana. "Quando Kerr acertou o arremesso, o ginásio foi à loucura."

Kerr disse que ele e Miller falam sobre esse jogo com frequência. "Aquela foi provavelmente a jogada mais livre que eu tive em toda a série”, disse Kerr.

Smits não se lembrava da bola ao alto. "Perdemos", disse Smits, "e eu deixei tudo acontecer”.

O JOGO ESTAVA EMPATADO com 5:19 quando Best cometeu uma falta ofensiva em Kerr. Bird o tirou do jogo para colocar Jackson.

"Essa jogada ainda é um pesadelo para mim", disse Best. "Eu nunca tive outra oportunidade. E o Mark voltou para o jogo – isso foi difícil para ele.”

Chicago deu o passo final: pick-and-rolls entre Jordan e Longley, visando Smits. Smits foi para cima de Jordan, mas Jordan passou por ele e seguiu para a cesta. Ele até enterrou em uma oportunidade. Na maioria das vezes, ele cavou faltas. Jordan fez 5/7 da linha no quarto período.

Phil Jackson substituiu Harper por Kerr e Rodman por Kukoc nas bolas mortas que precediam posses de Indiana. Os Bulls sufocaram o ataque de Indiana uma última vez. Miller não tentou um chute no quarto período até que tentou arremessar de três com 2:15 restantes quando o cronômetro expirou. Rodman conseguiu bloqueá-lo. Ele não arremessou mais.

Com 1:59 restantes, Pippen acertou um gancho sobre Antonio Davis no final da partida - provocando a sexta falta de Davis e fazendo 87-83, Chicago.

Pippen perdeu o lance livre. Smits estava mais perto da cesta, Jordan estava atrás dele. Jordan usou sua força para mover Smits, pulou entre ele e Dale Davis e pegou o rebote - o 21° rebote ofensivo dos Bulls.

Foi uma das grandes jogadas da carreira de Jordan - certamente entre seus mais importantes rebotes. Os Bulls não marcaram na posse seguinte, mas gastaram 24 segundos.

Eles terminaram com 22 rebotes ofensivos. Indiana teve quatro, a mesma quantidade de Michael Jordan na partida.

"Eles nos mataram nos rebotes", disse Smits.

Na posse seguinte de Indiana, Harper interceptou o passe de Jackson para Smits. Indiana não marcou novamente.


NÃO HOUVE MUITA COMEMORAÇÃO no vestiário de Chicago. Os Bulls estavam exaustos, aliviados, impressionado com os Pacers e ansiosos pelas finais contra o Utah Jazz.

"Esse foi o jogo mais assustador que já tivemos", disse Kerr.

No vestiário dos visitantes, vários membros da equipe choraram. Mark Jackson andava de um lado para o outro, lembrando aos companheiros de equipe o quão longe os Pacers haviam chegado. "Estávamos orgulhosos", disse Jackson. "E quase satisfeitos. É imaginar como Joe Frazier se sentiu quando eles anunciaram Muhammad Ali como o vencedor. Até o jogo terminar de fato, nunca pensamos em perder."

Os Pacers chegaram perto o suficiente para pensar no título.

"Nós estávamos tranquilos em enfrentar Utah", disse McKey.

"Você joga um jogo de cada vez, mas isso sempre está no fundo da sua mente", disse Dale Davis. "Se tivéssemos nos acalmado após [abrir 20-7], acho que provavelmente teríamos esse anel".

Jerry Krause, gerente geral dos Bulls, entrou para parabenizar os Pacers, mas ninguém queria isso. Alguns funcionários saíram do vestiário até Krause sair.

Bird limpou o vestiário de todos, exceto jogadores, treinadores e funcionários. Ele ficou lá para falar com eles novamente. Ele disse aos jogadores que estava orgulhoso deles e que a jornada havia acabado. Sua voz falhou um pouco, lembraram os jogadores. Poucos deles já havia visto Bird emocionado. (Bird não respondeu aos pedidos de comentário para a matéria.)

Rose ainda estava com raiva por Bird tirá-lo do jogo. Ele tomou banho e saiu correndo, esperando entrar sozinho no ônibus da equipe. Quando ele embarcou, Rose disse, uma pessoa já estava lá dentro, sozinha na primeira fila: Bird. Rose começou a andar Bird o segurou. Ele contou para Rose que tinha se arrependido de tirar Rose da partida. A raiva de Rose desapareceu. "Eu amo o Larry", ele disse.

O resto da equipe seguiu em silêncio, digerindo o seu fim.

"Ninguém pensou em levá-los ao jogo 7 ou ter a chance de vencer", disse McKey. "Ninguém além de nós."