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Ex-Spurs, Tony Parker fala sobre futebol, Michael Jordan e seu maior objetivo: 'Ter um time da NBA'

Enquanto a NBA espera voltar à ação ainda nesta temporada, a liga francesa (Pro A) cancelou sua temporada devido à pandemia de coronavírus.

Tony Parker, presidente e proprietário majoritário do clube de basquete masculino e feminino da Pro A, ASVEL Lyon-Villeurbanne, disse que foi uma decisão fácil.

"Fomos o primeiro time francês que deixou nossos jogadores irem para casa", disse o ex-armador do San Antonio Spurs e do Charlotte Hornets ao "The Undefeated". “Foi maior que o esporte. A saúde é maior que tudo. … Foi uma decisão fácil deixar todos irem para casa porque era importante que eles estivessem com suas famílias.

“Eu soube rapidamente que ficaríamos confinados por muito tempo. (…) Quando conversei com o governo [da França], sabia que seriam quatro, cinco meses ou até um ano antes de tudo voltar ao normal. ”

Parker, que se aposentou da NBA em 2019 após 18 temporadas, está ocupado com sua vida pós-basquete. Além de seu papel no ASVEL, que é o atual campeão francês masculino e feminino da Pro A, Parker comprou dois resorts de esqui nos Alpes com Nicolas Batum, ex-jogador do Charlotte Hornets, e abriu uma academia de basquete em Lyon, na França. Ele também é coproprietário do clube de futebol feminino Seattle Reign FC e foi nomeado presidente da NorthRock Partners Sports, Artists and Entertainment.

Em entrevista ao "The Undefeated", Parker discutiu o impacto da pandemia em seus negócios e em sua vida, bem como a morte de Kobe Bryant, a indução de seu ex-companheiro de Spurs, Tim Duncan, ao Hall da Fama e o documentário da ESPN sobre Michael Jordan e o Chicago Bulls.


Como você e sua família foram afetados pela COVID-19?

Fiquei em San Antonio esse tempo todo. Fiquei muito perto da minha família, muito perto, porque meu sogro ficou doente em Paris. Minha cunhada também. Ficamos preocupados nas primeiras duas ou três semanas para garantir que ficariam bem. Agora eles estão bem. Eles fizeram alguns testes e o resultado deu negativo. Isso foi estressante para a nossa família. Você nunca sabe [o que pode acontecer] com um novo vírus como esse. Todo mundo reage de uma maneira diferente. Por isso, sou muito grato por nada ter acontecido à minha cunhada e meu sogro.

Quando você percebeu que era melhor para o ASVEL parar de jogar por conta da COVID-19?

Em março, soube que levaria muito, muito tempo para que tudo voltasse ao normal. Quando a NBA decidiu suspender sua temporada [11 de março], você vê o basquete, o futebol e todo esporte sendo suspenso e pensa: 'Isso é muito sério'. Essa pode ser uma das maiores crises de nossas vidas. Agora, vai demorar muito tempo.

Qual o tamanho de um impacto financeiro que você sofreu?

Todo mundo levou um golpe financeiro. Você só precisa se certificar de que é inteligente. Verifique se o seu banco irá ajudá-lo nesses momentos difíceis. Definitivamente, é em momentos difíceis como esse que você vê onde está [financeiramente]. Eu sempre fui muito inteligente com dinheiro. Por isso, decidi fazer a NorthRock para ajudar todos os atletas necessitados. Estamos muito envolvidos com os atletas que temos para garantir que eles sejam atendidos durante esse período difícil.

Você pode explicar seu papel na NorthRock?

Na verdade, comecei como cliente na NorthRock Partners, que é uma empresa de serviços financeiros. Eu me dei muito bem com o CEO, Rob Nelson. Nós dois criamos uma divisão de esportes e entretenimento juntos e nos especializamos em gerenciar a vida de atletas e artistas. Basicamente, cuidamos de todos os seus investimentos, serviços jurídicos, contratos, planejamento imobiliário, praticamente qualquer coisa que surja em suas vidas.

Obviamente, posso falar da experiência aqui. Me lembro de chegar da França e não conhecer ninguém. Eu não sabia em quem poderia confiar e quem eu deveria evitar. Eu era muito seletivo e cuidadoso com quem confiava, mas o processo levou uma eternidade e, para ser sincero, tive sorte de ter confiado em pessoas boas. Mas mesmo depois de reunir uma equipe em que eu pudesse confiar, as pessoas não funcionavam juntas. Tipo, o cara que faz os meus impostos, meu advogado e o que toma conta dos meus investimentos não se conversavam. Todo mundo estava me ajudando, mas ninguém estava trabalhando em equipe. A NorthRock é tudo isso, só que trabalhamos juntos.

Como você está mantendo contato com seus jogadores do ASVEL?

Fazemos uma ligação de vídeo no Zoom. Converso com todos os jogadores do time masculino, do time feminino e da minha academia, porque tivemos que fechar nossa escola [Tony Parker Adéquat Academy]. Agora, estamos fazendo aulas online. Temos uma ótima parceria, onde eles podem ensinar todas as aulas. Conversei com as crianças para que elas se mantenham motivadas. Eu também tive que fechar minha estação de esqui. Tudo está fechado. Eu tento tranquilizar meus funcionários fazendo várias ligações.

O que você pode dizer sobre Theo Maledon, prospecto do Draft de 2020 da NBA, e armador do ASVEL na última temporada?

Estou muito orgulhoso dele. Eu o conheço desde que ele tinha 14 anos quando veio aos meus treinos. Ele vinha todo verão. Quando ele assinou com meu time aos 16 anos, nós o ajudamos a melhorar. Ele teve uma temporada inacreditável no ano passado e vencemos o título. Ele também jogou muito bem na EuroLeague. Ele tem muita experiência. Na Europa, começamos a jogar basquete no nível profissional muito jovens. Ele terá muito sucesso na NBA. Ele é muito, muito inteligente.

Tomara que ele seja draftado na primeira rodada. Vamos ver. Ele está em Lyon. Não há nada que ele possa fazer agora. Mas todo olheiro, todo gerente geral sabe exatamente quem é o Theo.

Há relatos de que você será o próximo presidente do Lyon (clube de futebol) em 2023 depois que Jean-Michel Aulas se aposentar. O que você pode dizer sobre isso?

Primeiro de tudo, é verdade e uma honra para mim. Eu nunca pensei que algo assim iria acontecer comigo. É uma grande oportunidade. É um dos 50 melhores times do mundo. Eles têm uma das melhores estruturas e um grande orçamento. É uma ótima oportunidade de crescer e ter um dos melhores produtos.

Para mim, [Aulas] é o melhor presidente [esportivo] da história da França. Ele começou lá embaixo, levou o time para onde está agora e está construindo uma nova arena para o time de basquete [ASVEL]. Acabamos de investir juntos em um time de esports e compramos o time de futebol feminino de Seattle. Nós estamos crescendo. É ótimo aprender com um dos melhores.

O que você aprendeu com o Aulas?

O lado do negócio. Como você pode continuar crescendo. Ele me ajudou nos planos da arena com seus bens imobiliários, relacionamentos com o prefeito e patrocinadores.

Você planeja voltar para Lyon em tempo integral?

Não, pretendo ficar nos EUA. Adoro os EUA. Moro aqui há mais de 20 anos e não me importo de fazer viagens. O objetivo final é, um dia, ter uma equipe da NBA. Eu sei que com o grupo OL, temos grandes sonhos.

Se uma equipe da NBA estiver disponível para compra, seu grupo francês poderá tentar a aquisição?

É uma forte possibilidade. No momento, temos objetivos e metas diferentes. Mas daqui dez anos… sou o tipo de pessoa que sempre sonha grande. Eu já tive discussões com o presidente de futebol [Aulas] sobre isso.

Quão fã de futebol você é?

Comecei a ver futebol aos 6 anos de idade. Eu joguei por três anos. Eu amo futebol. Sempre joguei futebol. Eu tenho muitos amigos no mundo do futebol. Thierry Henry é um dos meus melhores amigos e foi um dos padrinhos no meu casamento. O futebol sempre esteve na minha vida. A mudança para o futebol era natural.

O que você acha de Tim Duncan entrando para o Hall da Fama?

Fiquei surpreso [risos]. Para mim, ele é o melhor ala-pivô de todos os tempos. Ele tem a melhor porcentagem de vitórias. Cinco títulos. Tudo o que ele fez em San Antonio foi elite. Então, para mim, foi uma honra jogar com ele. É ótimo ter companheiros de equipe assim que nos ajudam a crescer e que fomos para a batalha juntos. Teremos essas memórias para sempre. Felizmente, isso acontecerá em setembro. Definitivamente vou estar lá para apoiá-lo.

Você participou do memorial do grande Kobe Bryant do Los Angeles Lakers. Por que era importante, para você, estar no Staples Center?

Era importante estar lá porque ele teve impacto na minha carreira. Ele estava sempre lá para mim, me dando conselhos e mandando mensagens de texto. Ele foi um jogador inacreditável. Talvez o mais próximo de Michael Jordan, que eu acho que seja o melhor de todos. Joguei contra Kobe no auge. Sempre terei boas lembranças dos jogos entre Spurs e Lakers, que era um clássico. Definitivamente, todos sentiremos falta dele.

A última vez que vi Kobe foi na China no ano passado, quando ele era embaixador da Copa do Mundo. Estávamos sentados juntos conversando sobre o basquete feminino e como poderíamos cultivá-lo. Ele sabia que eu era dono de um time feminino e estava investindo muito no basquete feminino. É triste que eu não possa mais vê-lo. Eu gostaria que pudéssemos ter feito todas essas coisas juntos, porque teríamos ajudado muito o basquete feminino.

Como fã de Jordan e com laços familiares em Chicago, o que você achou do documentário The Last Dance, da ESPN?

Me fez lembrar de quando eu era criança. É muito nostálgico. É inacreditável que eles tenham todas essas imagens... É o momento perfeito para mostrar agora que estamos todos confinados. Eu amei. Para mim, ele é o melhor de todos os tempos.

Eu sabia de tudo, mas foi legal ver as imagens. É bom ver todos esses momentos privados com seus companheiros de equipe, as piadas, eles dentro dos aviões particulares e do vestiário.

Qual é o seu momento favorito com Jordan?

Eu tinha 14 anos e minha mãe nos trouxe para Chicago no Natal. Meu pai nos levou ao United Center para assistir ao jogo, conhecer Michael e tirar uma foto com ele depois do jogo. Foi a primeira vez que o encontrei, e foi em 1996, durante a temporada que eles tiveram 72 vitórias.

Hoje, fico feliz em poder chamá-lo de amigo. Nós trocamos mensagens. Nós saímos em Paris em janeiro. Não é todo dia que se pode ir com Michael Jordan para um restaurante ou até uma boate para se divertir com ele.