O Houston Rockets merece uma quantidade enorme de crédito por descobrir e implementar as estratégias que são 'estatisticamente corretas' no basquete.
Seja a escolha dos arremessos, ou o design ofensivo do ataque, a equipe alinhou seus comportamentos em quadra com as ações mais eficientes do jogo. No entanto, como Houston continua a perseguir eficiência, vale a pena perguntar: essa busca sem fim pela eficiência é boa para o basquete?
De uma perspectiva analítica, o trio formado pleo diretor-geral Daryl Morey, treinador Mike D'Antoni e estrela James Harden se uniu para formar o ataque mais arrojado da NBA. Suas estratégias mudaram o que era convencional, e revelaram verdades importantes sobre eficiência ofensiva -- o mais famoso deles é que o caminho para melhorar sua porcentagem de arremessos de quadra é formado por ideias simples: arremessos de média distância são estúpidos, enquanto bandejas, enterradas e lances livres são brilhantes.
Esse trio também sabe de mais uma coisa: a jogada mais eficiente do basquete não é a bola de três da zona morta, e nem a enterrada. É cavar uma falta de três lances livres. Isso tomou conta dos debates sobre NBA na última semana. A tal da 'área de aterrissagem' do jogador.
Considere isso: um arremesso de três pontos de Stephen Curry, sem marcação, vale 1,6 pontos (em média). Uma enterrada sem marcação de Giannis Antetokounmpo vale praticamente 2,0 pontos. Uma falta de três lances livres para Harden vale mais do que 2,6 pontos. A falta de três lances livres não é só a jogada mais eficiente de Harden. No geral, estamos falando da jogada mais eficiente da história da NBA -- e por uma boa margem.
Mesmo que Curry (e seus 332 arremessos livres de três pontos) e Giannis (e suas 281 enterradas sem marcação) sigam essas jogadas características, elas não vão chegar perto dos números de Harden. Com 29 anos, Harden já é o jogador que mais cavou faltas de três lances livres na história da NBA. Por conta de todos os lugares estranhos em que ele aterrissou após um arremesso, o topo da tabela a seguir não deveria ser surpreendente.
Para dar mais contexto ainda: ao longo das últimas três temporadas, os Hornets são o segundo time que mais cavou esse tipo de falta, com 185. Sozinho, Harden cavou 288.
Você pode até justificar isso dizendo que, como eles são os que mais chutam de três, é natural que sejam os que mais sofrem falta no ato do arremesso. Justo. Entretanto, na média da NBA, os jogadores sofrem faltas em apenas 1,6% dos arremessos de três pontos que tentam. Com Harden, esse número salta para 11,5%. Esse número não pode ser justificado somente pelo medo que os defensores têm dos arremessos dele. É a excentricidade dele.
Quando olhamos para os jogadores que mais chutaram bolas de três ao longo das últimas três temporadas, a porcentagem de faltas cavadas por Harden é duas vezes maior que a de qualquer outro jogador.
Os Rockets são o time mais inovador da liga, mas como seu manual continua tentando melhorar a eficiência de todas as maneiras, também demonstra que eficiência e beleza nem sempre andam juntas. Em muitos casos, esses dois aspectos estão sempre brigando um contra o outro.
E essas brigas não são uma exclusividade de Houston. As artimanhas de Harden estão acesas como uma grande luz na mesa dos chefões da liga. Ele está explorando o que há de ineficiente no 'mercado' com as luzes ligadas, e faz isso melhor que qualquer outro jogador no mundo. Não é isso que o tal do 'Moneyball' deveria ser?
Mais do que qualquer outro jogador na liga, Harden opera como se os árbitros fossem marcas. E a base de regras -- particularmente a falta de 3 pontos cavada -- inspira Harden a continuar fazendo isso, já que elas são tão valiosas. Se você não acha o resultado final divertido, reclame com quem criou esses números de eficiência malucos: as regras do jogo.
A NBA é um negócio. É também uma agência reguladora. A base é primordial, mas o produto é o que impulsiona o negócio em primeiro lugar. Enquanto assistíamos ao primeiro jogo desta série tão aguardada entre os Rockets e os Golden State Warriors, vimos um sonho da NBA se tornar realidade: um tribunal cheio de grandes estrelas em grandes equipes. O palco estava perfeitamente definido. Mas nós também vimos três pessoas com camisas cinza e calças pretas de repente se tornarem as estrelas do show.
Enquanto as maiores (e mais eficientes) equipes da liga continuam a correr para encontrar os caminhos mais inteligentes para pontuar, os árbitros serão cada vez mais dificuldade A menos que a liga aborde suas regras, os lances livres se tornarão a próxima versão chute de 3, com as equipes e os jogadores mais inteligentes da liga correndo para encontrar novas maneiras de obtê-los.
Harden foi apenas o primeiro a perceber que cavar faltas e buscar apitos é altamente efetivo. Ele é o único MVP no século a ter feiro mais lances livres na carreira do que arremessos de quadra quando recebeu o prêmio.
Em teoria, se um árbitro faz seu trabalho direito, ele passa despercebido na noite. Esse é o estado natural de um árbitro. Eles são espectadores. Ninguém lota as arenas para ver árbitros, mas se o jogo 1 dessa série serviu de indicador, os árbitros e seus poderosos apitos estão na linha de frente.
O ônus recai sobre os diretores da liga, que têm a oportunidade de atualizar seu livro de regras e ajustar seus estímulos para verem a liga que querem ver. Sobre Harden? Ele vai cair de pé.
