Já são 16 anos de NBA. Passagens por Denver Nuggets, Washington Wizards e, agora, Houston Rockets.
Mas quem vê a carreira do brasileiro Nenê hoje, em 2018, pode acabar esquecendo da trajetória que levou o pivô de 36 anos para os Estados Unidos.
"Eu tinha 18 anos. Sem falar inglês. Sem família. Eu era um verdadeiro estranho. Estava com medo. Se algo desse errado, para onde eu iria correr? Eu sempre soube que Deus estaria comigo...", disse Nenê para o portal The Undefeated, parceiro da ESPN, ao ser perguntado sobre as dificuldades que teve de enfrentar em seu começo.
"Falar inglês era uma coisa; falar gíria e xingar é uma coisa diferente. Quando cheguei aqui, foi um grande, grande choque cultural."
Mais que uma estrela brasileira nos EUA, Nenê se tornou parte de um mundo diferente. Um ícone entre os negros estrangeiros que marcam seu nome e ajudam a criar uma perspectiva única para a liga.
"A música foi o melhor caminho", disse o pivô, sobre como ele conseguiu se integrar à cultura afro-americana. "Quando você ouve música é o momento em que você aprende sobre uma cultura, o estilo. Claro, é educacional."
"(Racismo) ainda está acontecendo em todo o mundo. Há muitas mentes fracas que tentam separar pessoas usando a cor como desculpa. Quando cheguei aqui, usei a oportunidade. Usei minha fé. Eu tratei as pessoas muito bem e com respeito", seguiu Nenê, que chegou à NBA em 2002-03, com 20 anos de idade.
"Se você estudar a história, todos os imigrantes vieram para os EUA para uma oportunidade. Para uma religião livre, por liberdade. Qualquer um que tenha vindo de outro lugar terá obstáculos, adversidades. Às vezes, você ainda tem coisas sobre cor e classe", comentou.
Mas como o basquete tomou conta da vida de Nenê, e não o futebol, durante sua infância? Ele mesmo explica.
"Eu não tinha os canais de esporte para assistir basquete. A primeira vez que vi um jogo foi no meu aniversário, e meu amigo - eu tinha 13, 14 anos - me levou até a casa dele e me mostrou."
"Eram as Finais da NBA, Bulls x Jazz, algo assim... Ele me mostrou um card de Shawn Kemp, disse que parecia comigo", falou Nenê, relembrando o ala-pivô que brilhou nos anos 90 pelo Seattle SuperSonics e chegou ao All-Star Game seis vezes.
"Quando fui draftado, eu tinha o card do Shawn Kemp na minha carteira."
