Um filho de São Gonçalo (RJ) aos olhos do mundo. Durante quase quatro anos, Lucas Nogueira, conhecido como Lucas Bebê, desfilou com a camisa do Toronto Raptors na NBA. Após ter a carreira interrompida por lesões, ele vive uma nova rotina nos Estados Unidos, mas não hesita quando o assunto é o sonho de voltar a jogar.
Em entrevista ao ESPN.com.br, o jogador desabafou sobre o passado, lembrou as dificuldades após deixar a elite do basquete e ainda citou a ajuda inusitada de um brasileiro que fez história em outro esporte: Ronaldinho Gaúcho.
A última vez que Lucas disputou uma partida oficial foi em 6 de novembro, pelo Guelph Nighhawks, da liga canadense. Desde então, precisou se afastar das quadras por conta de lesões graves nos joelhos. A situação, no entanto, não impediu que ele recebesse convites para retornar às quadras.
"Tenho recebido propostas desde dezembro do ano passado, mas estou negando, porque ainda não estou pronto para jogar. Não adianta eu ir para algum lugar por conta de dinheiro ou oportunidade e não conseguir dar conta do recado fisicamente. Tenho um compromisso muito sério com quem me contrata e comigo mesmo", afirma.
Bebê foi draftado em 2013 na 16ª escolha da primeira rodada pelo Boston Celtics enquanto atuava pelo Estudiantes, da Espanha. Já negociado com o Atlanta Hawks no ano seguinte, ele despertou a atenção dos Raptors durante a Summer League, ainda antes da pré-temporada.
Em Toronto, o pivô de 2,13m se notabilizou pela sua explosão e contribuição defensiva, com médias de 3,2 pontos, 2,8 rebotes e 1 toco por partida. Depois disso, ele somou passagens importantes pelo Basquete Cearense, São Paulo e Fuenlabrada, da Espanha, mas as dores insistiam em aparecer.
Longe dos holofotes e com destino incerto, Lucas chegou a desenvolver um quadro depressivo, mas encontrou alicerces para ainda sonhar com um retorno, dois deles amparados por velhos conhecidos do futebol.
"São pessoas a quem devo muito, que foram importantes no esporte, na minha vida, de me ajudarem mesmo, não com dinheiro, financeiramente, mas quando eu não tinha nada para oferecer. Um que até hoje é um amigo que tenho é o Felipe Melo. Ele e sua mulher sempre me deram palavras de consolo, de confiança, para não desistir da minha carreira', conta.
Outro companheiro inesquecível para o jogador foi Ronaldinho, que chegou a abrir as portas de sua casa para recebê-lo no Brasil. "É um cara que não posso esquecer, alguém que tenho um carinho enorme também. O 'bruxo' é sensacional, sem palavras", destacou.
Aos 31 anos, Bebê se recupera de cirurgias nos dois joelhos, incluindo uma reconstrução do tendão patelar. Atualmente, ele reside nos EUA, onde se prepara para o retorno às quadras. Será a coroação de uma história de erros e acertos que, no fundo, ainda se nutre do amor ao basquete.
"Só quero recuperar os meus joelhos para terminar minha carreira de uma forma digna. Porém, desde já sou muito grato por essa oportunidade. Eu poderia ter feito mais? Poderia ter feito muito mais, mas o que fiz acho que foi suficiente para me deixar feliz e realizado", disse o jogador, que ainda desabafou.
"Tenho consciência de que errei muito também. Nada que fosse ferir o próximo, na verdade foi sempre a mim mesmo. Minhas escolhas foram erradas e falo isso para mostrar aos jovens para não seguir o mesmo caminho. Se eu tivesse mais tempo sólido de quadra e cuidado melhor da minha carreira, talvez essa combinação fizesse com que eu tivesse mais tempo na NBA, mas tenho muito orgulho do que construí na liga", finalizou.
