O Los Angeles Clippers abalou o mundo da NBA ao anunciar uma completa reformulação da sua marca, incluindo um novo escudo, novos uniformes e até novas cores. Tudo isso, coincidentemente, vindo apenas 1 ano antes da nova arena da equipe - Intuit Dome, que já será estilizada dentro dos novos padroões. Entretanto, internamente, a reforma não é surpresa para ninguém, principalmente para Steve Ballmer, dono da franquia.
Apenas alguns meses depois que Ballmer comprou o LA Clippers em 2014, ele e sua equipe começaram a reconsiderar tudo sobre a franquia: onde ela deveria jogar, como deveria ser seu logotipo, que cores deveria usar, até mesmo o próprio nome "Clippers".
Eles contrataram consultores externos para elaborar pesquisas perguntando sobre esses assuntos para os torcedores. Enquanto isso, os Clippers voltaram a ter relevância depois que a era Chris Paul/Blake Griffin deu lugar à offseason de Kawhi Leonard/Paul George em 2019. Os Clippers não chegaram às finais da liga, mas alcançaram a decisão da conferência em 2021 pela primeira vez na história da franquia e têm sido favoritos constantes quando estão saudáveis.
Ballmer provou estar disposto a gastar o que for preciso para vencer. Em 2019, os Clippers anunciaram planos de mudança para uma nova arena - a Intuit Dome, que será inaugurada na próxima temporada.
De acordo com seus estudos internos, os Clippers dobraram o tamanho da sua torcida nos últimos sete anos. Eles querem dobrá-la novamente no futuro.
Os torcedores foram sempre contra uma possível mudança de nome, disseram as autoridades da equipe, descrevendo a resposta deles a qualquer sugestão de mudança de nome como "hostilidade absoluta".
O feedback impressionou Ballmer. "Os entrevistados são consultivos, não definitivos", disse Ballmer à ESPN. "Mas eu ainda os escuto e ouvi, em parte para minha surpresa, que não há interesse em uma mudança de nome. Eu havia pensado nisso anos atrás, antes de assumir a equipe, mas ouvimos reações semelhantes naquela época."
Mas a equipe sabia que precisava de uma reformulação da marca. Seu logotipo atual - uma bola de basquete com um "C" azul gigante contendo as iniciais "LA" dentro dele - foi considerado genérico e sem graça.

Ballmer queria uma marca diferente que funcionasse internacionalmente, explicou Gillian Zucker, presidente de operações comerciais dos Clippers e da Intuit Dome, à ESPN. Mesmo em meio às críticas ao logotipo, a equipe descobriu que os torcedores gostavam da ideia das letras "LA" semi-empilhadas - com o "A" no topo e dentro da parte inferior do "L" maiúsculo.
Com os torcedores expressando tanta afeição pelo nome - derivado dos navios do tipo 'clipper' e das embarcações navais que navegavam a costa de San Diego, a primeira casa da equipe na Califórnia, antes de Los Angeles - os dirigentes da equipe decidiram que era melhor manter o nome e vincular qualquer nova arte a ele. Eles queriam uma reforma que se mantivesse fiel não só à palavra, mas às cores e à iconografia tradicionais dos Clippers.
Os participantes das pesquisas expressaram repetidamente o otimismo de que a franquia estava em boas mãos sob o comando de Ballmer.
"As pessoas disseram centenas de vezes: 'Esta equipe tem uma direção agora'", disse Zucker. "Eles disseram isso várias e várias vezes."
O conceito de direção, de impulso para o futuro, foi bem aceito. O resultado é um novo escudo primário que mistura uma bússola com um navio da marinha:

Aqui está o logotipo global, que, segundo as regras da liga, contém o nome completo da equipe:

O esquema de cores é basicamente o clássico dos Clippers, embora com uma nova ênfase no azul-marinho. O navio é a peça central. Há uma certa semelhança com um tubarão nadando, mas a equipe provavelmente não se importa com isso. Os Clippers queriam que o navio parecesse ameaçador - como se estivesse vindo diretamente em sua direção.
O navio também ajudou a equipe a evitar possíveis reivindicações de direitos autorais do Seattle Mariners, da Major League Baseball (MLB), que vem usando bússolas em suas artes.
As bordas externas das velas do navio se curvam como se elas estivessem ao vento. A fonte é inspirada no tipo de letra frequentemente usada nos cascos das embarcações navais cinzentas.
Os dois anéis coloridos no logotipo global - vermelho na parte externa e azul claro no interior - oferecem um belo toque de cor. Eles foram criados por Christopher Arena, chefe de parcerias de marca e de dentro da quadra da NBA, que sentiu que a arte precisava de alguns toques mais brilhantes.
Esse logotipo brilhará no centro do palco da nova quadra dos Clippers no Intuit Dome:

Em um toque divertido, o "N" em "Angeles" na parte externa do logotipo da quadra central aponta para o norte. O meio-círculo vermelho acima da linha de lances livres é uma dose bem-vinda de cor. A longitude e a latitude da cidade de Inglewood - sede do Intuit Dome - estão na lateral da quadra. O visual geral é minimalista e elegante (segundo fontes, essa não será a única quadra do Clippers na próxima temporada).
O escudo principal está nos shorts das edições association e incon das novas camisas da equipe - em branco e azul-marinho, respectivamente:


As camisetas são simples e limpas. A equipe manteve a palavra "Clippers" escrita, em geral, para cima, mas aprimorou a fonte; agora, ela é mais grossa e curvilínea - mais visível no "l" minúsculo cursivo - em algumas das camisas mais antigas da equipe, com alguns contornos ao redor das letras:

"Era um pouco caricatural", disse Zucker sobre a fonte antiga. "Queríamos que ela parecesse mais séria."
O terceiro conjunto de camisas da equipe - a edição statement - é vermelho e um pouco diferente:

A equipe optou por "Los Angeles" em vez de "Clippers" na frente e o "Clips" abreviado - um dos favoritos de Ballmer - na cintura.
Os Clippers já usaram camisetas pretas antes, mas optaram por abandonar esse visual por enquanto. "Ouvimos das pessoas que o preto era muito comum", disse Zucker.
Sob o braço direito de George, é possível ver três bandeiras náuticas empilhadas umas sobre as outras - os símbolos náuticos para "LAC", outra referência à origem naval do nome da equipe. As mesmas três bandeiras estão representadas em um fundo branco no lado esquerdo:

Nenhuma das três camisas reveladas é azul clara. Nas pesquisas, os torcedores sempre mencionaram seu amor por essa tonalidade, disse Zucker. Os Clippers sabem disso. Espere um pouco desse tom no futuro.
Também espere mais "Clips" nas artes de LA - inclusive como parte de sua coleção de logotipos secundários:

A equipe está particularmente empolgada com o design das letras "LA", com o "A" empoleirado sobre a parte horizontal do "L". Eles esperam que essa estrutura - o "A" em cima e dentro do "L" - seja suficientemente distinta do mega famoso logotipo "LA" do Los Angeles Dodgers, que tem as duas letras se cruzando.
"Vai ficar ótimo em um boné", disse Zucker. "Em 20 anos, as pessoas olharão para trás e isso será um ícone para os Clippers." Esse logotipo está na cintura das edições association e icon das camisetas da equipe.
O verdadeiro golpe de mestre talvez acabe sendo o logotipo do "C" parcialmente estilizado, que mescla duas imagens náuticas: uma bússola que também se assemelha a um gancho em volta do qual um marinheiro poderia amarrar uma corda. Esse logotipo poderia eventualmente aparecer nas camisetas, inclusive na cintura, disse Zucker.

Tudo isso coincide com a mudança na próxima temporada para o Intuit Dome, que contará com tecnologia de ponta e uma série de recursos projetados para fazer com que os torcedores se concentrem no jogo em si. Isso inclui o The Wall, uma seção gigante de 51 fileiras reservada para os torcedores que comprovarem (por meio de vários check-offs) que são fanáticos pelos Clippers.
O saguão será povoado por relógios de contagem regressiva que funcionarão durante os intervalos comerciais para alertar os torcedores a retornarem aos seus assentos para a retomada do jogo, disse Ballmer. Nas suítes, a comida será colocada mais perto da quadra em vez de nos fundos do local.
O que importa é o jogo, e ele terá um visual diferente com a grande reformulação da marca do Clippers.
"A esperança [para o visual]", disse Zucker, "é que seja moderno, mas que pareça que existe há muito tempo".
*Tradução: Vinicius Garcia
