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NBA Finals: Jayson Tatum tem bons motivos para acreditar em si mesmo

Celtics recebem os Warriors nesta sexta, no Jogo 4 das Finais da NBA. Assista pela ESPN no Star+


JON SCHEYER recrutou o suficiente para saber o quão ridícula essa história parece ser, mas ele jura que cada palavra dela é verdade.

Era 2013. Scheyer tinha 25 anos e tinha acabado de conseguir o cargo de assistente especial em Duke. Uma semana em julho, Mike Krzyewski estava com a seleção dos EUA, Scheyer foi enviado para um torneio AAU perto de Chicago para assistir a um jogador a quem eles deram uma bolsa de estudos uma semana antes, um excelente arremessador chamado Luke Kennard.

O trabalho de Scheyer era, essencialmente, aparecer e ter certeza de que Kennard o visse na arquibancada. Mas como um olheiro novato em sua primeira viagem, Scheyer não pode evitar observar mais coisas.

Foi aí que ele encontrou Jayson Tatum.

“Eu nunca vou esquecer disso”, disse Scheyer, que recentemente se tornou treinador principal depois que Krzyzewski se aposentou. “Todas as quadras eram próximas umas das outras. Luke estava na quadra 3. Então quando eu entro no ginásio, estavam acontecendo jogos nas quadras anteriores, e na quadra 1, quando eu estava passando por ela acabei parando e dando uma olhada, então eu vejo esse magrelão de 2 metros com carinha de bebê acabando com o jogo.

“Dali em diante, era minha missão. Eu senti que ele pertencia a Duke.”

Scheyer tinha autoconhecimento para saber que ele talvez pudesse estar se antecipando. Quem encontra um futuro astro da NBA nos primeiros 10 minutos de sua primeira viagem de recrutamento? Mas ele fez tudo o que podia para convencer Krzyzenwski e a equipe técnica que aquele adolescente de 15 anos era especial. Eventualmente ele criou um relacionamento com a família, e logo a mãe de Tatum, Brandy Cole, estava trocando mensagens com Scheyer depois das partidas de Tatum no ensino médio, escrevendo coisas como “Ele precisa da p*** de um rebote!”

Os Blue Devils acabaram vencendo o campeonato nacional 2015 e, alguns dias depois, Scheyer, Krzyzewski e o assistente técnico Jeff Capel viajaram até a casa de Tatum em University City, subúrbio de St. Louis. Cole fez seus famosos tacos, e tomaram algumas cervejas. Essa foi a primeira e última vez que Scheyer viu Krzyzewski beber cerveja - “ele é um grande amante de vinhos.”

Krzyzewski estava fazendo sua apresentação, ele estava falando, e Tatum estava tão nervoso que ele não disse uma palavra.

Em determinado momento seu pai, Justin Tatum, entrou na conversa.

“Só para deixar claro”, disse Scheyer, “ele vai.”

Os queixos dos treinadores caíram, contou Scheyer. A essa altura, Krzyzewski já sabia o que Scheyer viu naquele treino em Chicago, e foi uma vitória trazê-lo para Durham.

“Ele tem muita autoconfiança”, diz Scheyer. “Você não pode ensinar isso.”

Todos que conhecem Tatum parecem concordar com isso. Ele pode ser naturalmente talentoso, ele pode treinar obsessivamente, mas o que parece destacá-lo dos demais nos momentos decisivos - e já aconteceram muitos durante esses playoffs enquanto ele lidera o Boston Celtics às Finais da NBA pela primeira vez em 12 anos - é sua fé em si.

Não é nada que ele demonstre; o mais próximo que se tem de algo que demonstre muito a personalidade de Jayson Tatum foi a jaqueta colorida rosa e estampada que ele usou no Chase Center para o Jogo 1 das Finais. Mas a confiança está lá, tão forte quanto seu estilo, em grande parte graças a uma mulher que desistiu de seus próprios sonhos para que Tatum pudesse viver os dele.


BRANDY COLE NÃO podia dizer à sua mãe que ela estava grávida. Ela tinha 18 anos e deveria ir para a faculdade e jogar vôlei. Kristie Jursch teve Brandy quando ela era jovem e a criou como mãe solo. Ela queria mais para sua filha e Cole sabia disso.

Então ela escondeu sua gravidez o máximo que pode, tentando descobrir a forma certa de contar para sua mãe. Ela sabia os olhares que a notícia eventualmente iria atrair de outras pessoas - Pobre Brandy. Destruiu a própria vida - e estava determinada a contrariar as expectativas.

“Eu não queria ser uma estatística”, contou ela. “Eu não queria ficar fora um semestre porque eu tinha medo de nunca mais voltar. Eu abaixei minha cabeça e me dediquei ao máximo até o fim.”

Mas quando Cole estava com 3 meses e meio de gestação, seu corpo chegou no limite. Ela teve uma crise anêmica enquanto trabalhava em um balcão de fotos no Walgreens. Ela estava na faculdade agora, mas não podia contar para sua mãe no hospital e pediu a um amigo para fazer isso. Jursch entrou no quarto e abraçou sua filha. “Vamos superar isso”, disse Jursch.

Jursch chorou por semanas, depois deu todo o amor que podia ao bebê. Cole ia dormir, e ela puxava a coberta e começava a conversar com a barriga de sua filha. “Minha mãe amou muito”, contou Cole. Mas Cole era independente. Ela não queria que Jayson pensasse que sua avó era a mãe dele. Ela queria que ele crescesse sabendo que ela era sua mãe.

Pouco depois de Jayson nascer, Cole saiu de casa. Ela sabia que sua mãe queria que eles ficassem, então eles escaparam quando Jursch foi trabalhar. Cole estava determinada a fazer isso sozinha. E isso foi muito difícil enquanto ela lidava com trabalho, estudos e maternidade.

“Houve momentos em que não tínhamos aquecedor no inverno, então ligávamos o fogão para tentar esquentar a casa”, disse Jayson. “Eu dormia na cama com minha mãe, porque nós só tínhamos um aquecedor, e precisávamos fechar a porta.”

Eles estavam juntos em todos os sentidos. Cole levava Jayson para a aula, depois fazia seus trabalhos à noite depois que ela o colocava para dormir.

Seu pai, pivô na Saint Louis University, jogou no exterior depois da faculdade. Ele foi o primeiro a colocar uma bola de basquete nas mãos de Jayson quando ele ainda era um bebê. No fundamental, quando Jayson dizia que iria jogar na NBA, sugeriam a ele que tivesse um plano B.

“Eu sempre dizia, ‘Eu não. Eu não tenho um. Eu vou conseguir isso independente de quem acreditar ou não, independente das circunstâncias’,” disse Tatum. “Se não, é isso ou morrer. Nada mais importa.”

Quando Jayson tinha 13 anos, Cole queria que ele treinasse com Drew Hanlen, ex-jogador de basquete universitário que morava em St. Louis e passou a ser treinador. Hanlen estava trabalhando com Bradley Beal, que iria para Flórida e logo seria a terceira escolha geral em 2012 no Draft da NBA. Cole implorou para Hanlen treinar seu filho, mas havia um problema: Hanlen não treinava jogadores do ensino fundamental.

Cole entrou em contato com Beal, cuja mãe, Besta, era treinadora dela de vôlei no ensino médio. Beal fez uma boa recomendação para Jayson. Mesmo eles tendo cinco anos de diferença, Beal treinaria com ele e daria caronas a Jayson. Sempre que Cole tentava compensar Beal da forma que ela pudesse, seja com dinheiro para o combustível ou um cupom de desconto em pizzarias, ele dizia “Para. Ele é meu irmãozinho.”

A recomendação de Beal significou muito para Hanlen, mas o que o motivava mais era Cole. Ela disse que faria um empréstimo para pagá-lo pelos treinos; o que fosse preciso, contanto que ele desse a seu filho uma chance de provar o seu valor.

“Quando ela disse isso, eu pensei: ‘Quer saber, vou treinar esse garoto porque sei o quanto sua mãe está disposta a fazer tudo por Jayson”, disse Hanlen.

Mas ela não queria favores. Seu filho iria trabalhar por tudo. Em determinado momento ela estava convicta: Nada seria dado a ela ou seu filho de graça. Nada de aulas de graça, nenhuma oportunidade que não merecesse. Ela não queria dever nada a ninguém.

"Ela sempre acreditou que eu chegaria onde estou", diz Tatum. "E ela nunca quis que eu tivesse dívidas com ninguém. Isso me marcou muito - se minha mãe não conseguisse para mim, então teríamos que ir sem, e daríamos um jeito."

No primeiro treino, Hanlen forçou tanto Jayson que ele teve que deixar o ginásio duas vezes porque estava quase vomitando. No segundo, ele trouxe Scott Suggs, que estava jogando pela Universidade de Washington. Ele diz que Suggs o "destruiu" em um jogo de um contra um, e Hanlen observava o garoto de 13 anos, imaginando como ele reagiria à dificuldade.

Hanlen se concentrou no jogo mental de Jayson. Cole queria que seu filho tivesse humildade; Hanlen estava tentando torná-lo um vencedor arrogante de visão determinada. "Eu ficava dizendo a ela, mesmo como calouro, 'Ele tem que ser um idiota'", diz Hanlen, "E ela disse, 'Não, eu quero que meu bebê seja uma estrela, mas humilde.'”

“No primeiro ano do ensino médio, Jayson perdeu o campeonato estadual. E ele cometeu uma falta técnica por fazer uma enterrada em cima de alguém, segurando no aro, e isso foi o árbitro meio que querendo prejudicá-lo, mas eles acabaram perdendo - e isso é o que importa. E depois da derrota, a primeira coisa que Brandy disse foi ‘Aí’ - porque nós achamos que ele foi agressivo o suficiente - e ela continuou ‘Cara, vira um babaca arrogante.’”

QUANDO UMA ESCOLHA DE DRAFT passa por você, faz uma jogada ousada parecer uma escolha óbvia, a história nem sempre é gentil com as equipes que ficam do lado errado. No caso de Tatum e do Draft de 2017, Philadelphia 76ers e Los Angeles Lakers devem lamentar suas decisões.

Os Celtics tinham a primeira escolha, mas trocaram com Philadelphia que usaram para selecionar o requisitado armador da Universidade de Washington, Markelle Fultz. Os Lakers tinham a segunda escolha, e escolheram o ala-armador de UCLA Lonzo Ball. Eles nem levaram Tatum para um treino. As razões para essas decisões são dolorosas de se lembrar para aqueles que as fizeram, e um tanto esquecidas porque os diretores - Bryan Colangelo (Philadelphia) e Magic Johnson (Lakers) - não estão mais nessa função.

Tatum viu isso como desprezo e usou isso como motivação.

"O LA Lakers era meu time favorito, e Kobe era meu jogador favorito", disse Jayson, que usou uma braçadeira roxa com o número 24 para homenagear Bryant na vitória de Boston contra o Miami Heat no Jogo 7 das finais da Conferência Leste. "Então é muito louco que os Lakers tiveram a segunda escolha e eu estava tão perto de um sonho se tornar realidade. Mas parece que eles não quisessem nada comigo na época."

Os Sixers pelo menos o levaram para um treino, mas simplesmente preferiram o conjunto de habilidades de Fultz - ele foi avaliado como um melhor arremessador e passador - para complementar suas jovens estrelas Joel Embiid e Ben Simmons.

E na época, muitas análises de draft viam isso como uma boa decisão. Enquanto isso, os Celtics surpreenderam muitas pessoas quando eles tornaram pública a avaliação deles de que Tatum era visto como o melhor jogador do draft o tempo todo.

Depois do ensino médio, Tatum foi o Gatorade National Player of the year em 2016. Mas ele perdeu as chances de ficar em 1º lugar após perder o primeiro mês de sua temporada como calouro na Duke devido a uma lesão no pé.

“Perder a primeira parte da temporada, logo quando você está começando a sentir a velocidade do jogo e de espaçamento, e existe também um período de adaptação”, disse Scheyer. “Mas, de verdade, durante as últimas seis semanas da temporada, ele foi o melhor jogador do país. Eu acredito que as pessoas só foram envolvidas com [o que aconteceu] no início da temporada.”

Mas Danny Ainge, na época general manager dos Celtics, foi para Nova York em março assistir a Tatum jogar no torneio ACC. Ele o viu marcar 24 pontos contra North Carolina e marcar 19 pontos e conseguir 8 rebotes em uma vitória contra Notre Dame pelo título.

Por um tempo, Ainge tinha muita convicção de que Fultz era o melhor jogador - todos tinham. Então, de acordo com apuração da ESPN, Fultz foi ao treino e errou vários arremessos e não pareceu saudável.

Isso fez Ainge pensar muito em Jayson, especialmente depois de os Celtics terem visto um treino deles em Los Angeles. Por muito tempo considerado um arremessador de meia distância, Tatum, que treinou com Hanlen seu jogo no perímetro, impressionou os Celtics ao acertar cestas de 3 pontos uma atrás da outra. De perto, ele era maior e conseguia fazer uma variedade de arremessos de formas diferentes.

A única questão era escolhê-lo em primeiro lugar ou tentar a sorte ao fazer uma troca com Philadelphia, ou Lakers, e torcer para que eles não escolhessem Tatum.

“Depois do meu treino, eu lembro de um dos olheiros [do Boston] veio até mim e disse, ‘Esse foi um treino excelente. Eu gostei muito de você. Mas temos a primeira escolha, então não vamos escolher você”, disse Jayson gargalhando. “Ele ainda trabalha nos Celtics hoje, então eu tiro onda com ele o tempo todo.”

O olheiro, que Tatum não quis dizer quem é, agora pode rir dessa conversa. O ex-treinador dos Sixers, Brett Brown também. Quer dizer, mais ou menos.

Segundo apuração da ESPN, depois de os Celtics terem eliminado os Sixers na primeira rodada dos playoffs de 2020, Brown passou por Tatum no corredor indo para o ônibus. Ele elogiou a evolução de Tatum e destacou o trabalho duro dele.

Tatum agradeceu. Ambos sabiam quão diferente suas carreiras poderiam ser se os Sixers tivessem escolhido diferente em 2017, mas não existe razão para lidar com isso. Brown simplesmente terminou a conversa dizendo a Tatum que o erro do Philadelphia em não draftá-lo ficou óbvio com o passar dos anos, e gostaria de ter a chance de treiná-lo. Mas Brown ficou feliz que ele se encaixou bem em Boston.

Brown foi demitido um dia depois.


CLARO QUE ISSO parece óbvio agora. Tatum liderou os Celtics às Finais da NBA depois da temporada mais completa de sua carreira.

Ele foi selecionado pela primeira vez para o All-NBA e foi eleito MVP das finais da conferência. Mas até mesmo os fãs mais fervorosos de Tatum admitem que seu caminho ao estrelato não foi uma linha reta.

Ele mostrou alguns sinais em seu primeiro ano quando Boston chegou à final da conferência em 2018. Porém a temporada seguinte ficou marcada pela inconsistência. Então foi difícil ajustar as expectativas para ele e sua outra jovem estrela, Jaylen Brown. Mas Tatum nunca perdeu a fé.

“Quando você não está confiante, é porque você não acredita no que construiu," disse Tatum. “Mas quando você trabalha muito e você constantemente mostra o quanto trabalhou, é impossível não estar confiante e acreditar em si mesmo."

Tatum cresceu idolatrando Bryant. Mas também não foi a típica criança com a camisa 24. Kobe era tudo para Tatum. Ele tinha 10 anos quando a seleção dos EUA foi para Pequim para as Olimpíadas de 2008, e Bryant apareceu com bolsas de gelo nos joelhos enquanto o time todo estava tomando o café da manhã. “Aquele cara estava se levando ao limite mais do que qualquer outro ser humano que eu já vi - acordando às 4 da manhã e indo treinar”, revelou na época Chris Bosh, companheiro de seleção. “Isso significa que todos nós iríamos nos esforçar também.”

Tatum iria treinar mais do que todo mundo, igual Kobe. Tatum passou a acordar às 5h30 toda manhã, e tinha a chave para o ginásio da Chaminade College Prep, e treinava com Hanlen antes de ir para aula. Sua mãe não era de forma alguma alguém que gostava de acordar cedo. “Eu não posso querer mais do que você”, ela dizia a ele. Então se ela tinha que acordá-lo, “você não quer isso o suficiente.” Ela sabia que ele tinha entendido quando ela acordava e ele já tinha saído de casa.

Ainda assim, ele era uma criança ansiosa quando Bryant entrou em contato com ele para falar sobre um episódio da série “Detail”, que teve como principal personagem Tatum durante as finais da Conferência Leste de 2018.

Tatum não sabia que Bryant iria focar o episódio nele e, ao final de um treino, ele pegou seu celular e tinham várias mensagens com o vídeo anexado. Ele assistiu pelo menos 20 vezes.

“Eu olhei e tinha uma mensagem dele”, disse Tatum. “Ele falou, ‘Ei, tudo bem? Aqui é o Kobe. Você está jogando muito. Estou feliz por você. Continue [com o bom trabalho].’ Então disse ‘Se você vier a LA. e quiser me encontrar, fala comigo.’ Na época eu tinha 20 anos. Tinha acabado de fazer 20 anos.

“Foi um dos melhores momentos da minha vida.”

Ele salvou aquela mensagem. Tatum aceitou a oferta de Bryant. Ele ligou para Kobe assim que desembarcou em LA.

Até hoje Tatum assiste a vídeos de Kobe quando precisa de inspiração, motivação e confiança. Nesta temporada, aconteceram em vários momentos.

Os Celtics estavam em 11º lugar na Conferência Leste no meio de janeiro, e existiam vários pedidos para negociar ele e/ou Jaylen Brown. Críticas diziam que eles não distribuíam bem a bola e não podiam jogar juntos. Será que são bons o suficiente para que um deles seja o melhor jogador em um time que é candidato a ser campeão? Será que eles ainda precisam de uma terceira estrela para levá-los ao topo?

Tatum disse que houve momentos durante a temporada em que ele pensou "'Pô, eu sou bom o suficiente? Eu sou bom o suficiente para ser o cara de um time que disputa o campeonato?’ Tipo, “Cara, talvez eu não esteja pronto.’ Mas eu continuei acreditando em mim mesmo, continuei fazendo o que me fez chegar até aqui, e confiei que eu iria dar a volta por cima.”

Hanlen, que também treina Embiid, diz que Embiid o chamaria rapidamente quando ele se sentisse com dificuldades. Mas Tatum normalmente sofre em silêncio. Uma vez no início da temporada atual, quando Tatum estava mal, Hanlen não esperou que ele ligasse. Ele pegou um voo, e eles voltaram a trabalhar.

Sempre que Tatum precisa de motivação, ele pensa em sua mãe, que conseguiu seu bacharelado e mestrado em direito enquanto administrava sua vida profissional e como mãe.

“Ela me deixava na escola todos os dias”, disse Tatum. “Ela me buscava todos os dias. Me levava aos treinos, ia a todos os jogos, mesmo se ela tivesse que ficar sentada no carro estudando para passar na prova da Ordem [OAB americana]. Ela fez tudo e me inspira, sempre me deu essa confiança. Minha mãe sempre me disse que ela estaria sempre me apoiando no que eu quisesse fazer, mas ela sempre foi dura comigo. Nunca me deixou dar desculpas.”


BRANDY COLE AINDA faz os tacos que Jon Scheyer diz ser de “alto nível”. Tatum pode chegar tarde em Boston de alguma viagem, mandar uma mensagem para ela avisando que chegou. Assim que ele chegar na casa dela, tacos ainda quentes estarão prontos para ele.

Cole mora em uma área residencial de Boston ao lado do seu filho.

Eles dividem garagem, e quando Tatum está fora de casa, Cole e seu marido arrumam a casa e lavam as roupas dele. E não é nada estranho que eles sejam tão conectados, não quando Tatum ia para as aulas da faculdade com sua mãe, e a observava limpar casas para pessoas com dinheiro e roupas caras, e depois viu Cole se tornar uma dessas mulheres com uma pasta e um belo terno.

Eles passaram por tudo juntos. Tinha uma brincadeira entre eles quando Tatum ainda era criança, quando ele ficava quieto, mas muito focado, e a única pessoa que acreditava em sua grandeza era sua mãe. Ela ia até o quarto dele e colocava dois dedos no pulso dele, então ele perguntava o que ela estava fazendo.

“Eu só estou checando seu pulso,” disse Cole, “pra ter certeza de que você ainda está aqui.”

Ela o ensinou a ser uma pessoa grata, mesmo se fosse um cozinheiro pessoal fazendo as refeições, ou alguma pessoa surpresa que uma estrela da NBA poderia demonstrar sua gratidão. Ela acreditava que ela e seu filho pudessem conversar sobre tudo.

Então, uma vez, quando ela foi visitá-lo em seu primeiro ano em Duke, ela percebeu que alguma coisa não estava bem. Ela pensou que pudesse ser algo a ver com a transição de um jovem finalmente tendo que se virar sozinho. Ela quis dar espaço a ele, mas isso foi difícil para ela. Ela chorou muito quando o deixou na faculdade, quando soube que ele iria para a NBA logo depois e não voltaria para casa em St. Louis.

Mas na viagem para Durham, houve uma desconexão. Ele a deixou no hotel naquela noite, e ela o abraçou. “Escuta”, ela disse, “o que quer que esteja acontecendo, eu estou com você.”

Às 3 da manhã, ele ligou para ela. Ele contou que ia ser pai. Por um momento, em silêncio, Cole sentiu o que a sua mãe havia sentido anos atrás. Ela o tranquilizou dizendo que a maioria das pessoas que têm filhos com pouca idade têm problemas financeiros, mas em pouco tempo, provavelmente ele não teria esse problema. Ela disse que não existia nada que ele não pudesse superar, e que estaria ao seu lado para ajudar.

Jayson Tatum Jr nasceu em dezembro de 2017. Temporada de estreia de Tatum na NBA. Ele diz que 2017 foi um dos melhores anos de sua vida. Seu filho foi apelidado de Deuce, e Tatum e a mãe de Deuce, Toriah Lachell, têm custódia compartilhada. Pai e filho passam muito tempo na casa de Cole porque Tatum diz que ela é quem tem todos os brinquedos e comida.

Cole vai assistir a seu filho jogar com Deuce em seu colo, e é difícil não pensar no quanto tudo isso é simétrico, mas Cole não pensa.

“Eu venho de uma longa linhagem de mulheres fortes que não inventam desculpas”, disse Cole. “Não pareceu um grande feito ou coisa do tipo. É o que nós fazemos.”