Imagina estar no UFC há 15 anos, já ter sido campeão linear, ter derrotado lendas e ainda querer mais? Esse é Max Holloway, o atual detentor do cinturão BMF - de mais casca-grossa - e que enfrenta Charles do Bronx no UFC 326, neste sábado (07), a partir das 19h (de Brasília).
O havaiano de 34 anos já é “figurinha carimbada” no elenco do UFC desde 2012, e já enfrentou as maiores lendas dos pesos penas e leves: os mais antigos podem lembrar de sua rivalidade com o australiano Alexander Volkanovski ou das duas vitórias contra José Aldo.
Entretanto, para além dos cinturões, dos quais ele coleciona muitos, e das vitórias icônicas: quem é Max Holloway? E o que ele fez de tão importante para hoje disputar um evento principal com Charles do Bronx? Para responder a essas perguntas, o ESPN.com.br relembrou a carreira do especialista em boxe na maior companhia de MMA do mundo.
Uma infância difícil e o início nas artes marciais.
Parece clichê dizer que a vida de um dos caras mais durões do UFC não foi fácil, mas é a verdade. Criado em Waianae, uma área violenta da capital Honolulu, Holloway cresceu em meio a uma casa conturbada: seus pais eram viciados em drogas.
Ainda com pouca idade - apenas 11 anos - Max veria seu pai ir embora da família. Sua mãe, por outro lado, deu a volta por cima e se recuperou de seu vício.
Superadas as dificuldades, o havaiano teve início avassalador no mundo dos esportes: começou a treinar kickboxing com apenas 15 anos na Team Ruthless e venceu sua primeira luta amadora após apenas 3 dias de prática na modalidade. A partir daí, não teria mais volta para o “Blessed”, ele estaria destinado a se tornar um lutador.
Início precoce e a chegada no UFC.
O início rápido de Holloway no kickboxing permitiu que ele seguisse abaixo da faixa etária de seus competidores: aos 19 anos, somava cartel de 4-0 e já batia na porta do UFC como uma das maiores promessas de sua categoria.
A boa sorte de principiante, entretanto, não duraria muito. Invicto e vindo em grande fase, Holloway viu o “0” de seu cartel ser tirado à força por Dustin Poirier, que o finalizou em um triângulo de braço, tirando a invencibilidade do jovem havaiano.
Mesmo perdendo seu primeiro embate, Holloway era uma promessa tão grande - e mostrava uma paixão tamanha pelo esporte - que ele viria a lutar mais três vezes naquele mesmo ano, sem mais nenhuma derrota.
O caminho até o primeiro título.
Após perder mais duas lutas - uma delas para Conor McGregor - Max iniciaria uma sequência lendária nos pesos penas: o havaiano somaria 10 vitórias seguidas antes de ter sua primeira oportunidade de medir forças com José Aldo.
Vale lembrar um fato importante dessa sequência de dez triunfos do “Abençoado”: entre os derrotados estava o ainda jovem Charles do Bronx, que sucumbiu a uma lesão de pescoço que, segundo o próprio brasileiro, apresentou riscos de causar paralisias.
Com a longa sequência no bolso, Holloway faria bonito e nocautearia José Aldo - ídolo de Charles - no terceiro round. Ainda depois de uma luta cancelada com Frankie Edgar, o havaiano mais uma vez enfrentaria o Rei do Rio, e mais uma vez o pararia, no mesmo assalto da última vez.
Com isso, Holloway se tornaria o verdadeiro sucessor de Aldo na divisão, já que Conor McGregor já havia voltado seu foco para outros objetivos: como o cinturão dos leves e o boxe. “Blessed” defenderia seu cinturão três vezes antes de encontrar os maiores rivais de sua carreira.
Volk, Topuria e o cinturão CMF.
Após derrotar Frankie Edgar em decisão unânime para sua terceira defesa, Holloway já havia se consolidado entre os grandes nomes da divisão. Exímio boxeador, o havaiano demonstra muita agilidade na movimentação, porém pouco poder de nocaute.
Tudo isso - suas qualidades e seus defeitos - foi posto à prova quando ele viria a enfrentar pela primeira vez o australiano Alexander Volkanovski. Mesmo vindo de uma fase espetacular, Holloway ficaria pelo caminho e seria superado por decisão unânime.
Os agora eternos rivais ainda se enfrentariam mais duas vezes, com todos os embates trazendo o mesmo resultado de revés para o pugilista. Após sua terceira e última derrota para o australiano, Holloway ainda subiria ao octógono mais duas vezes antes de receber uma proposta única.
Pouco após aposentar o “Zumbi Coreano” com um nocaute fulminante no terceiro round, Max receberia uma proposta inédita: disputar o cinturão BMF que atualmente estava nas mãos de Justin Gaethje, nos pesos leves.
Apesar de ser um título meramente simbólico - que determinaria quem é o filho da mãe mais casca-grossa da divisão - uma grande performance contra um nome de peso como Justin o colocaria mais uma vez na briga pelo cinturão da categoria de baixo - possibilitando seu primeiro title shot nos penas após sua terceira derrota para Volk.
E melhor ainda: além dos incentivos de carreira, Max estaria presente no UFC 300, um dos maiores cards da história e que reuniu diversos dos nomes mais populares da companhia num mesmo card. Holloway viu no maior palco da história e fez bonito: nocauteou “O Destaque” no último segundo do assalto derradeiro, após chamar o compatriota para trocar socos no meio do octógono.Com isso, viria a chance de enfrentar Topuria nos penas.
A chance, entretanto, mais uma vez seria frustrada, mas dessa vez pelo novo talento geracional que o público de MMA ainda buscava compreender melhor.Extremamente confiante e dotado de poder de fogo em excesso nas mãos, Ilia entrou para a história de vez após os acontecimentos do UFC 308: o georgiano atropelaria Max e nocautearia o havaiano de forma fulminante pela primeira vez na carreira do “Abençoado”.Ainda assim, houve tempo para Holloway se recuperar, e agora - com vontade ou não - Max tinha um outro título ao redor da cintura que podia ser defendido e usado para criar grandes lutas. E foi isso que fez.
A aposentadoria de Poirier e a revanche com Charles.
Para seguir seu reinado como o mais casca-grossa dos leves, o kickboxer miraria em um dos nomes mais consagrados da divisão: Dustin Poirier, para quem já havia perdido duas vezes. O “Diamante”, por sua vez, já havia anunciado estar de saída da carreira, e que tinha apenas mais uma luta a fazer em seu estado natal de Luisiana.
E o pedido dele foi uma ordem! Max viajou ao Smoothie King Center e proporcionou uma luta histórica para o povo local. Após cinco rounds intensos, em que ambos os lutadores trocaram knockdowns, Holloway conseguiu levar o embate por decisão unânime, mantendo seu cinturão e aposentando Dustin.
Com isso, as miras do kickboxer havaiano mais uma vez olhavam para cima. Após convincente vitória contra Mateusz Gamrot, Charles do Bronx havia mais uma vez aquecido seu nome entre os principais contendentes ao título dos leves.
Agora, Holloway mais uma vez coloca esse título para disputa, podendo se tornar o primeiro homem ou mulher a defendê-lo mais de uma vez, inclusive sendo o primeiro a retê-lo por mais de uma luta também.
Em um verdadeiro duelo de estilos, Holloway vai fazer o que faz de melhor - e onde é recordista: o striking. Dono de um dos boxes mais afiados do UFC inteiro, Max tem capacidade para sufocar qualquer oponente, porém apresenta poucos riscos de nocaute (mesmo que tenham aumentado com a subida de categoria).
Charles, por sua vez, tenta trazer a alegria para o Brasil com seu carro-chefe: o jiu-jitsu e a luta amarrada. Após uma luta frustrante em que se ausentou, Oliveira chega ainda mais determinado a vencer. Mas só um sairá vitorioso do cage no sábado: o mais casca-grossa. Agora resta decidir qual dos atletas é mais.
