O UFC planeja, para o meio do ano, um evento histórico, dentro do gramado da Casa Branca, residência sede do presidente dos Estados Unidos. Ainda faltam alguns meses para a data, mas a expectativa já é enorme — impulsionada pela promessa do CEO da organização, Dana White, de entregar um "evento único", que ele acredita que será "o UFC mais assistido de todos os tempos".
Os detalhes logísticos vêm sendo revelados gradualmente e devem se intensificar à medida que a data se aproxima — incluindo o anúncio oficial dos lutadores escalados. White indicou nesta semana que ele e sua equipe já iniciaram reuniões para estruturar o card.
Ideia partiu de Trump
Segundo Dana White, a iniciativa de levar o octógono à capital americana partiu do presidente Donald Trump, fã declarado de MMA e parceiro antigo do UFC, tendo sediado eventos da organização em propriedades suas nos primeiros anos da companhia.
Trump mencionou publicamente a ideia em julho de 2025, durante um evento em Iowa que marcou o início das celebrações pelos 250 anos da independência dos Estados Unidos. White afirmou que sua equipe não sabia que o anúncio seria feito naquele dia, mas confirmou que conversas preliminares já estavam em andamento. No mês seguinte, após reunião em Washington, o dirigente declarou nas redes sociais que o evento na Casa Branca estava "fechado".
Até por ter sido ideia dele, a expectativa é que o evento aconteça mesmo no dia 14 de junho, dia em que o atual presidente dos Estados Unidos completa 80 anos.
Planejamento e bastidores
O UFC trabalha há meses em conjunto com autoridades governamentais para viabilizar a estrutura. O diretor de conteúdo da organização, Craig Borsari — responsável pela megaprodução do Noche UFC na Sphere, em Las Vegas, em 2024 — já teria se reunido cerca de dez vezes com a equipe operacional da Casa Branca.
Dana White mencionou repetidamente a existência de uma renderização em vídeo do projeto, detalhando a disposição do octógono no gramado, a posição das árvores e até a incidência do sol ao longo do dia.
O processo de definição das lutas é supervisionado por Dana, com participação do diretor financeiro Hunter Campbell e dos matchmakers Sean Shelby e Mick Maynard. Segundo o presidente do UFC, o card deve estar praticamente definido em breve.
Custos e estrutura
Dana White garantiu que nenhum recurso público será utilizado na realização do evento. Em entrevistas, incluindo ao Sports Business Journal, afirmou que o UFC arcará com todos os custos.
Apenas a reposição da grama do South Lawn após o evento deve custar entre US$ 700 mil e US$ 1 milhão. White chegou a classificar os US$ 20 milhões investidos no Noche UFC, realizado na Sphere, como “dinheiro de cinzeiro” em comparação ao orçamento estimado para o evento na Casa Branca.
Quantas lutas estarão no card?
O CEO do TKO Group, Ari Emanuel, revelou em participação no "The Pat McAfee Show", em 6 de fevereiro, que o evento contará com seis ou sete lutas — número inferior ao padrão de 13 combates nos eventos numerados do UFC.
Ainda não há confirmação sobre quantos cinturões estarão em disputa. Historicamente, a organização nunca promoveu um card com mais de três disputas de título. White limitou-se a dizer que será "o card que as pessoas esperam" para uma ocasião desse porte.
O anúncio oficial pode ocorrer no próximo evento numerado do UFC, em 7 de março, em Las Vegas — mas, como já aconteceu anteriormente, não se descarta que o próprio Trump antecipe alguma revelação.
Público e ingressos
A expectativa é de aproximadamente 5 mil espectadores no gramado sul da Casa Branca, além de espaço para até 80 mil pessoas no Ellipse, parque localizado nas proximidades.
Os ingressos para os assentos no South Lawn não serão vendidos: segundo White, serão destinados gratuitamente a membros das Forças Armadas. As pesagens cerimoniais devem acontecer no Lincoln Memorial.
Comissão atlética
O evento será supervisionado pela Comissão de Esportes de Combate do Distrito de Columbia, responsável por regulamentar eventos de boxe e MMA na região. O UFC já realizou dois eventos anteriores em Washington, ambos na Capital One Arena, em 2011 e 2019.
Jon Jones ou Conor McGregor no card? E Poatan?
Desde o anúncio, a grande pergunta gira em torno da possível presença de Jon Jones e Conor McGregor.
McGregor, 37 anos, e Jones, 38, manifestaram publicamente interesse em lutar na Casa Branca. O irlandês tem mencionado repetidamente pendências com Michael Chandler — adversário contra quem estava escalado para lutar em 2024 antes de se retirar por lesão. Ele não compete desde a derrota por nocaute técnico para Dustin Poirier, em 2021, quando sofreu fratura na perna.
Em outubro, McGregor recebeu suspensão de 18 meses do programa antidoping do UFC (CSAD) por falhar em testes em 2024. Como a punição é retroativa a setembro daquele ano, ele estará apto a competir após 20 de março.
Já Jon Jones, que chegou a anunciar aposentadoria antes de retornar com foco declarado no evento da Casa Branca, tem como alvo o atual campeão dos meio-pesados, Alex Poatan. Dana já afirmou, no entanto, que teria receio de escalar Jones como atração principal devido ao histórico de problemas legais e questões relacionadas a testes antidoping.
Jones não luta desde que defendeu o cinturão dos pesados contra Stipe Miocic, em novembro de 2024.
