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Relatório aponta manipulação de resultados nas Olimpíadas de 2016 e suspeita de 11 lutas no boxe

Uma investigação liderada pelo professor universitário Richard McLaren concluiu que algumas das lutas de boxe nas Olimpíadas do Rio, em 2016, tiveram resultados manipulados. O esquema pode até tirar a modalidade dos Jogos Olímpicos de 2024, em Paris.

Segundo a investigação conduzida por McLaren, 11 combates em Rio 2016 podem ter passado pelo sistema de manipulação, no qual autoridades da Associação Internacional de Boxe (AIBA) selecionavam árbitros e juízes nas seletivas olímpicas para combinar os resultados horas antes das lutas.

"Essa estrutura informal permitia cumplicidade e anuência dos árbitros e juízes, que eram designados para garantir resultados previamente acordados em combates específicos", disse McLaren nesta quinta-feira (30) em apresentação em Lausanne, na Suíça, sede do Comitê Olímpico Internacional.

A investigação foi encomendada pela própria AIBA para verificar irregularidades na gestão anterior, comandada pelo chinês Wu Ching-kuo. A atual gestão, presidida pelo russo Umar Kremlev, quer melhorar a imagem da entidade.

Um dos motivos é o perigo de exclusão do boxe nos Jogos Olímpicos de Paris 2024. A AIBA está suspensa pelo COI desde 2020 por corrupção e não organizou o torneio deste ano em Tóquio. Segundo a investigação, também houve manipulação em Londres 2012.

"A AIBA contratou o professor McLaren porque não temos nada a esconder. Também receberemos orientação jurídica em relação a quais ações são possíveis contra aqueles que participaram de qualquer manipulação", disse Kremlev.

Richard McLaren é um professor universitário canadense especializado em legislação esportiva. Sua empresa, a McLaren Global Sport Solutions, também foi a responsável por investigar e revelar o esquema de doping no esporte da Rússia, que disputou as Olimpíadas de Tóquio 2020 sob a bandeira do Comitê Olímpico Russo.