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Wanderlei Silva e Vitor Belfort não resolveram tensão em 22 anos e ainda animam fãs por revanche

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Camaronês é astro dos pesados e um dos grandes nomes do UFC atualmente (0:19)

O clima de tensão entre Vitor Belfort e Wanderlei Silva parece ter encontrado novo ápice. Nesta sexta-feira, os lutadores trocaram pesadas acusações via redes sociais e pela imprensa, deixando claro que a rivalidade iniciada em 1998 – em duelo vencido por VItor com um nocaute em menos de um minuto – ainda tem a capacidade de mobilizar uma legião de fãs para assistir um possível duelo. No entanto, após 22 anos de uma história recheada de confusões, a revanche nunca saiu do papel.

As chances não foram poucas! As carreiras de ambos tiverem muitos altos e baixos depois do primeiro encontro, mas os dois estiveram em rota de colisão por pelo menos três vezes. E esquentam o clima entre eles desde que ambos deixaram o UFC, praticamente dois anos atrás.

Após aquele nocaute, Vitor foi logo contratado pelo Pride e chegou como estrela, mas perdeu logo na estreia para Kazushi Sakuraba. Em 2001, resolveu voltar ao UFC.

Enquanto isso, Wanderlei Silva se reconstruiu. Emendou três vitórias seguidas para conseguir chamar a atenção do Pride. E foi construindo seu caminho aos poucos até se tornar um dos maiores ídolos da organização japonesa justamente em 2001, quando nocauteou o mesmo Sakuraba.

E mesmo lutando por torneios diferentes, o caminho dos dois quase se cruzou em 2004. Belfort se tornou campeão do Ultimate e defendia seu título contra Randy Couture com a torcida efusiva do rival curitibano, então número um do Pride, na beira do octógono. UFC e Pride negociavam uma superluta entre os donos dos cinturões. Só que Vitor perdeu e ali a primeira chance de revanche escorria pelo ralo.

Um ano depois, a segunda oportunidade. Belfort retornou ao Pride para participar do GP da categoria e foi colocado na chave oposta a de Wanderlei. Ou seja: eles poderiam se enfrentar na grande final. Mas em processo de mudança de equipe e com um camp renovado para a temporada, Vitor acabou eliminado logo na primeira fase ao ser finalizado por Alistair Overeem – Wanderlei avançou até a semifinal, quando foi superado por pontos por Ricardo Arona.

Os dois voltaram a 'se separar' em 2007. Vitor foi para eventos ingleses enquanto cumpria pena por doping, e Wanderlei fez sua migração para o UFC. Belfort só foi assinar mais uma vez com o Ultimate em 2009, mas a revanche só voltaria a ser debatida mesmo em 2012.

De olho no crescimento da popularidade do MMA no Brasil, o UFC escalou os dois atletas para liderarem a primeira edição do reality show ‘The Ultimate Fighter’ certo de que a rivalidade ajudaria a elevar os números de audiência do programa.

A temporada atraiu muito o interesse do público, e a esperada revanche estava a um passo de acontecer. Afinal de contas, os dois treinadores do reality costumam se enfrentar ao final do programa. Mais uma vez, porém, o destino entrou e ação.

Belfort fraturou a mão durante os treinos para o confronto e foi substituído por Rich Franklin, que acabou vencendo Wanderlei por pontos decisão dos jurados. A lesão, claro, não foi aceita pelo ‘Mr. Pride’, que passou a acusar o rival de fugir da luta por medo do que poderia lhe acontecer em uma revanche.

E o destino os afastou de novo. Belfort encaixou ótima sequência e chegou a disputar dois cinturões (contra Jon Jones e Chris Weidman). Wanderlei perdeu para o próprio Franklin, não conseguiu mais ganhar duas seguidas e ainda acabou suspenso por se recusar a fazer um exame antidoping surpresa enquanto se preparava para enfrentar Chael Sonnen.

Só que quando a revanche já parecia impossível, ela voltou a ganhar vida.

Wanderlei conseguiu se liberar do UFC em 2016, e Belfort deixou o Ultimate em dois anos depois, após cumprir todas as lutas de seu contrato. Vitor chegou a cogitar a aposentadoria, mas assinou com o One Championship. Foi aí que Wand, também virtualmente aposentado, ganhou ânimo, voltou a treinar diariamente em Curitiba e animou de novo a todos pelo reencontro..

Agora, com esse empurrão a mais visto na última sexta, a mensagem foi clara: “Já era pessoal, agora virou mais pessoal. Se você me vir, atravessa a rua, porque eu vou bater na sua cara, no ringue ou na rua”, sentenciou o ex-campeão do Pride.

Em alta, a rivalidade entre os quarentões tem tudo para ser rentável para ambos, ainda mais se promovida no Brasil. Resta agora uma negociação séria entre as partes para que essa grande oportunidade não se perca e se torne realidade diante dos 22 anos em que muito se falou e pouco foi feito, de fato.