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UFC 250: O quão forte é Amanda Nunes? Rivais contam como, com um golpe, você vê 'estrelas'

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Ariel Helwani: Amanda Nunes é indiscutível a maior de todos os tempos - mas isso pode mudar com o tempo e Spencer tem chances (1:31)

Jornalista da ESPN americana falou com exclusividade sobre o desempenho da brasileira, que lutará no sábado (6) contra Felicia Spencer (1:31)

Miesha Tate silenciosamente balançou a cabeça em forma de concordância enquanto via Amanda Nunes lutar com Cris Cyborg. Nada do que viu foi inesperado - ela mesma havia passado por uma situação semelhante.

Cyborg marchou para cima de Amanda, dando socos fortes. Mas a então campeã peso galo do UFC soltou sua mão direita, derrubando Cyborg enquanto estava com as costas contra a grade. Cyborg se levantou, continuou avançando e Amanda a colocou no chão novamente com um overhand de direita. Machucada, mas ainda lutando, Cyborg continuou a golpear de maneira selvagem. Amanda calmamente soltou outro overhand e estava acabado. Simples assim, Amanda Nunes nocauteara Cris Cyborg no primeiro round para vencer o cinturão peso pena do UFC em 29 de dezembro de 2018.

Esse soco final mandou Cyborg direto para o tatame e cimentou Nunes como a maior lutadora de MMA de todos os tempos. "[Cyborg] simplesmente não cai", disse Tate. "[A Amanda] simplesmente acabou com ela. E parece que ela nem se esforça. Não parece que ela está dando socos tão fortes assim. Mas posso dizer em primeira mão, ela realmente está".

Nunes começou sua corrida de domínio quando venceu Tate com uma finalização de mata-leão no UFC 200 em 9 de julho de 2016, em Las Vegas, para conquistar o cinturão peso galo do UFC. Amanda entrará no octógono neste sábado contra Felicia Spencer para defender seu cinturão peso pena.

Desde que derrotou Tate, Amanda finalizou Ronda Rousey, Holly Holm e Cyborg, entre outras. Ela derrotou Valentina Shevchenko, atual campeã peso mosca, duas vezes. Amanda é a única mulher na história do UFC a ganhar títulos em duas categorias de peso diferentes. Ela tem o maior número de vitórias na história do UFC para uma mulher (12), o maior número de vitórias em lutas por cinturão no UFC entre as mulheres (7) e derrotou simplesmente todas as mulheres que já venceram os cinturões dos pesos galo e pena do UFC.

Tate não fica chocada com nada disso.

"Foi a primeira vez que eu diria que experimentei isso. Eu estava tentando lutar mesmo estando completamente tonta", disse Tate. "E ela apenas manteve a pressão e continuou me batendo. Eu estava tentando me recuperar. Eu me senti como um personagem de jogo de videogame que tem a barra de vida, que vai ficando cada vez menor. Foi assim que me senti".

Como é lutar com Amanda Nunes? A ESPN pediu a Tate e três outras adversárias do UFC que descrevessem como é competir com a melhor lutadora de todos os tempos.

Nota do editor: respostas foram editadas por questões de clareza.

Holly Holm

Derrotada por nocaute técnico no primeiro round do UFC 239 em 6 de julho de 2019

Ela é alta [1,73m]. Ela é uma das maiores lutadoras, especialmente na categoria de 61kg. Ela está confiante. Qualquer lutadora tão confiante assim me deixa mais preocupada. Ela é muito versátil. Todo mundo a conhece pelo seu poder, mas ela também tem boas técnicas no chão. Ela é muito completa. Não é como se você tivesse que se preocupar com apenas uma coisa. Eu acho que é isso que a torna uma espécie de lutadora tão assustadora de enfrentar. Ela está confiante por um motivo - porque está ganhando.

Eu sinceramente senti que, na luta, minha mentalidade era: "Holly, por que você está hesitando? Apenas siga em frente, há uma abertura ali". Em vez de ir, eu hesitei e depois fui chutada. É o que eu me lembro sobre a luta. Sempre que você tenta algum golpe, pode receber um contra-ataque, então você quer que o seu movimento entre de maneira limpa. Eu me deixei pensar muito em vez de agir. Não me lembro do chute que encerrou a luta, mas lembro que assim que caí, vi o árbitro e fiquei pensando comigo mesma: "Não! Levante-se, continue!" Eu não estava nocauteada, mas definitivamente estava tonta. Eu me lembro que assim que caí sentada, tentei me levantar e senti minhas pernas meio bambas. Eu continuei tentando, no entanto.

Mas a luta já havia terminado.

Miesha Tate

Derrotada por finalização no primeiro round do UFC 200 em 9 de julho de 2016

Me lembro de ficar surpresa com o poder por trás dos golpes dela. Ela nocauteou Julia Budd no início de sua carreira e parecia tão fácil. Foi um soco estranho que conectou de maneira estranha também. Foi isso que realmente me surpreendeu desde a minha luta com ela até hoje: parece que ela não se esforça para atacar. É só o jeito que ela conecta o golpe, onde ela conecta e o seu timing. Tudo.

Ela foi feita para fazer isso - ela foi realmente feita para fazer isso. Ela tem uma envergadura semelhante a um falcão e seu físico realmente permite que muita energia seja liberada quando ela quer. E você não consegue saber quando isso vai acontecer. Ela não faz parecer que esse soco vai ser muito mais forte do que os outros.

É sério. Pode ser o jab. Seus socos são bem desagradáveis [de receber]. Eu acho que esses foram os primeiros socos que me abalaram um pouco. Não me lembro de alguém realmente me deixando abalada com o primeiro soco.

Eu acho que o que realmente se destacou para mim foi a capacidade dela de colocar poder em seus golpes. Quando fomos para o chão, eu já estava longe. Lembro que meu corpo não estava respondendo ao que eu queria fazer. Foi tão estranho. Eu estava desequilibrada. Eu estava tipo, "Droga". Eu não queria que ela ficasse em cima de mim. Eu diria que minha força caiu para 30%, talvez até menos. É realmente estranho como o seu cérebro funciona.

Ela era muito longa – e isso engana. Essa era a outra coisa também. Eu pensei que estava fora de alcance. Mas eu não estava. Ela me deu um bom soco e depois continuou com bons golpes. Parecia que eu não conseguia sair nunca do alcance dela.

Cat Zingano

Vitória por nocaute técnico no terceiro round do UFC 178 em 27 de setembro de 2014

Eu só lembro dos golpes dela. Eu sempre treinei com caras. Me lembro de como era raro ver nocautes com lutadores e lutadores com menos de 65kg. São lutas de muita resistência e muito movimento, e você pode ver um ótimo jiu-jitsu, uma grande luta, muita velocidade, tudo isso. Mas eu nunca havia experimentado ser atingida com força suficiente para realmente me abalar. E eu me lembro de alguns golpes da Amanda. Foi o mais forte que uma mulher já tinha me atingido. Eu não sabia quantos daquele ela conseguiria fazer e quantos eu conseguiria aguentar.

Eu sei que bato forte também. Foi tipo, “Ah, existe outra como eu por aí”. Temos o mesmo tamanho e poder de nocaute - isso é legal. Obviamente não é legal quando você está se perguntando se isso vai te pegar ou não. Eu estava um pouco chocada. Todo golpe era pesado. Eu me lembro de receber alguns em sequência e praticamente ver estrelas, como nos desenhos.

Logo que a luta começa, ela tem aquele calor. Ela é confiante e parece um animal saindo da jaula. Mas se você conseguir sobreviver a essa tempestade e morder seu protetor bucal, ela se cansa e você pode tentar fazer algo. Eu tive que lidar com isso por uma grande parte do primeiro round, mas houve definitivamente um momento em que ela me deu tudo o que tinha, e aí chegou a minha vez – e foi isso.

Ela é durona e forte. Quanto ao seu treinamento na American Top Team e seu plano, ela tem um ótimo estrategista. Ela tem um bom sistema. Mas no final do dia, eu consegui. Eu senti que ela queria ir para casa e sei que ela sabe que eu senti isso. Eu sei que senti isso. É uma loucura vê-la chegar tão longe depois da nossa luta.

Germaine de Randamie

Derrota por decisão unânime no UFC 245 em 14 de dezembro de 2019 e nocaute técnico no primeiro round no UFC Fight For The Troops 3, em 6 de novembro de 2013

Uma coisa é certa: ela tem uma ótima equipe na American Top Team. Ela tem ótimos treinadores ao seu redor, não há dúvida sobre isso. Eu acho que ela é muito inteligente por fazer isso e ser capaz de se ajustar e seguir o plano. Ela fez um ótimo trabalho no UFC 245. Se não fosse boa em se adaptar ao plano de jogo e fazer o que precisava, não seria mais campeã.

Fiquei impressionada com como ela era boa em manter a posição superior. Muitas pessoas disseram após a luta: "Germaine precisa trabalhar em seu jogo de chão". Muita gente esquece que ela é uma faixa preta no chão. Ela não é campeã de duas categorias apenas por ser uma grande nocauteadora. Ela é a campeã porque é uma ótima lutadora de MMA. Fiquei impressionada com o fato de ela ter uma boa posição de topo. Ela estava pesada por cima. Toda vez que eu tentava colocar meus pés em seus quadris, ela se ajustava.

Ela me derrubou e seu corner deu o conselho: fique abaixada, mantenha-a no chão e não se mexa. Eles disseram: mantenha a posição superior e continue ativa o suficiente para que o juiz não a levante. Ela fez um ótimo trabalho; ela tinha um ótimo plano de jogo. Acredito que se eu tivesse cumprido meu plano de jogo, as quedas não teriam funcionado tanto.

Eu estava sem apoio. Eu queria soltar bombas o tempo todo. A cada soco que eu dava, eu queria arrancar a cabeça dela. Eu queria finalizar a luta. Eu senti que ela ficou impressionada durante o segundo round com o meu poder. Ou ela sentiu. Eu vi que tinha o poder para nocauteá-la. Acredito que eu a expus de pé. Acredito que ela não queria lutar comigo de verdade, o que foi meu erro. Eu me concentrei demais em trocar golpes com ela, em vez de seguir o plano do jogo.

Raquel Pennington

Derrota por nocaute técnico no quinto round do UFC 224 em 12 de maio de 2018

Foi uma luta difícil para mim. Amanda é durona. Obviamente, eu consigo dar bons socos. Minha maior preocupação nessa luta foi que minha perna não estava perfeita após uma cirurgia séria, e ela pegou no primeiro minuto dessa luta e eu caí. E ela pegou pela segunda vez e eu entrei no modo defensivo. Eu não consegui me soltar.

Ela definitivamente bate forte, mas acho que o que mais se destacou para mim é que ela é muito confiante. Havia momentos em que trocávamos, eu dava um soco nela e ela gostava. Ela sorria para mim. Era como, "Ah sim, você me pegou, mas isso não vai ser suficiente". Eu lembro daqueles momentos.

Eu tinha machucado a perna antes da luta, mas ela tem um chute incrível na panturrilha, com certeza. Minha noiva Tecia Torres sempre foi amiga de Amanda e treinou com ela. Ela disse que a Amanda acabou com os caras na academia dando chutes baixos. Eu já vi isso em suas lutas anteriores. Ela apenas conecta perfeitamente. O problema é que ela não olha para o lugar onde vai golpear. Você está olhando para o rosto dela e ela te olha de volta, mas o golpe vem na perna. A Amanda está fazendo apenas o que é mais do que capaz de fazer. Ser companheira de profissão e amiga, é muito legal de assistir. É legal ver de onde ela veio e onde está agora. Sendo uma concorrente, por outro lado, ela ainda tem algo que eu quero. É um equilíbrio estranho.