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Críticas pós-gravidez, maior luta da vida por distância da filha e volta ao jiu-jitsu: Mackenzie Dern abre o jogo antes do UFC

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Mackenzie Dern espera que sacrifício de lutar na pandemia seja recompensado: 'Queria que vissem pelo nosso lado' (1:46)

Mackenzie Dern enfrenta Hannah Cifers no sábado (30) (1:46)

No próximo sábado, Mackenzie Dern sobe ao octógono no UFC Las Vegas para lutar contra Hannah Cifers na primeira luta do card principal do evento que tem Tyron Woodley vs Gilbert Durinho como main event.

A própria lutadora define o evento como a maior luta de sua vida, mas não por causa da importância ou dificuldade do combate e, sim, por uma novidade: pela primeira vez desde que Moa nasceu em junho de 2019, Mackenzie irá ficar mais de 24 horas longe de sua filha.

Por conta das medidas para a prevenção do coronavírus em um evento em meio à pandemia, Dern não pode levar sua família para Vegas, aonde chegou na última quarta-feira. Portanto, serão cinco dias longe de Moa, uma nova situação que a americana filha de brasileiros terá que lidar.

Em conversa exclusiva com o ESPN.com.br, Mackenzie falou sobre a preparação em tempos de isolamento social e a necessidade de cuidar de uma criança de menos de um ano.

"Sim, está bagunçado, né? Mas, assim, acho que todo mundo que vai ter alguma luta agora está no mesmo barco, né? Até vi algumas atletas treinando na garagem, essas coisas. Eu estou tendo um pouco mais de sorte porque, bem ou mal, a academia tá abrindo para me ajudar na minha luta. Lógico, é só mandar mensagem para alguns parceiros e ver se eles podem me encontrar lá para me ajudar, não é mais aquele treino aberto, saindo na porrada com todo mundo. É bem específico, mas a Moazinha é de boa. Ela é, na verdade, a parte mais fácil disso tudo, ela está sempre sorrindo, é a parte mais constante e mais divertida nessa coisa toda que está acontecendo", disse.

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"Só estou um pouco triste porque nunca fiquei mais que 24h longe dela e agora que confirmaram que a luta vai ser em Vegas eu não posso levar ela, nem meu marido. Quando era na Flórida acho que o Tony Ferguson levou mulher, levou filho, então eu estava 'ah pelo menos vou levar minha família', daí confirmaram semana passada Vegas e a comissão atlética tá bem estrita, não pode levar ninguém. Nem empresário, nem minha filha, nem nada. Então eu falei 'ah meu deus, nunca fiquei 24h agora vou ficar cinco dias direto sem ver ela, sem nada'. Mas vai dar tudo certo, é só mais uma motivação de ir lá, finalizar logo e voltar para casa."

A gravidez de Moa, inclusive, trouxe algumas coisas a mais na vida de Mackenzie, até mesmo críticas. Antes mesmo de engravidar, a lutadora havia sido criticada por não ter conseguido bater o peso contra Amanda Cooper em 2018. Após a gravidez, as dúvidas sobre a possibilidade da americana voltar a alcançar o peso ideal aumentaram - e até mesmo o sucesso em bater o peso diante de Amanda Nunes foi colocado em dúvida.

"Acho que para algumas mulheres fica mais difícil voltar a seu peso normal, mas algumas outras mulheres falaram que a amamentação, essas coisas, secou muito. Então eu nem sei como explicar porque eu estou conseguindo comer até bastante e parece que meu metabolismo está muito mais rápido que antigamente. Ninguém falou que eu bati peso, lógico, é minha responsabilidade, não é nada fora do normal. Ninguém tem que ficar falando que eu bati peso porque é meu trabalho, minha responsabilidade bater peso, mas, assim, eu fiquei muito feliz de depois de quatro meses de ter neném conseguir bater peso, contra todas as críticas, falando que eu nunca mais ia conseguir bater peso, que ia ser muito pior e até hoje tem quem ache que eu não bati peso na minha luta com a Amanda Ribas, mas eu bati de boa", explicou.

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"Mas as críticas vieram, né? 'Ela bateu peso, mas não é mais a mesma atleta, não luta igual, não sei o que'. Só porque eu perdi aquele dia. Mas, assim, todas as meninas que eu luto são muito duras, eu acho que só não consegui ganhar aquele dia. Acho que vai demorar muito para tirar essa coisa de não conseguir bater peso, também não sei como vai ser daqui pra frente, daqui um ano se, sei lá, com os hormônios e tudo, se meu corpo vai voltar a ser o que era antes. Uma coisa que eu sinto é que eu perdi bastante músculo, então sinto que isso, não que atrapalhe, mas eu me sentia mais forte antigamente. É uma coisa que eu quero ganhar de volta, os músculos ficarem mais fortes, até mesmo para proteger os joelhos, os ossos, né? Porque no nosso esporte a gente machuca bastante, então não sei como vai ser, se eu ganhar mais músculo obviamente meu peso vai aumentar, mas, assim, é constantemente lutando contra as críticas."

Bicampeã mundial de jiu-jitsu, Mackenzie se destacou na categoria antes de migrar ao MMA. Agora, ela quer conciliar as duas carreiras ao mesmo tempo.

"Eu até esse ano queria lutar jiu-jitsu, tava pensando em lutar o Mundial. Quando minha luta ainda tava planejada em abril e antes disso tudo acontecer porque até os eventos do jiu-jitsu agora fecharam tudo por enquanto. Até esse ano mesmo queria muito lutar jiu-jitsu, tava com saudades, é uma coisa que eu amo fazer. Lógico o meu foco é MMA, então se eu tiver alguma luta ou camp eu não vou escolher lutar jiu-jitsu ao invés de MMA, mas eu quero voltar depois também que eu conseguir conquistar o cinturão, mas se eu não tiver uma luta marcada, nada, faço uma luta aqui, um campeonato ali, quero muito fazer isso", disse.

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A lutadora também "cobrou" Dana White por mais oportunidades no UFC. Segundo ela, desde outubro, quando foi derrotada por Amanda Nunes, Dana só foi ouvir os pedidos dela de casar uma luta agora em meio à pandemia.

"Quando engravidei, eu estava número 15 no ranking, aí porque fiquei grávida e fiquei um tempo fora, cai do ranking. Daí na minha primeira luta de volta eu perdi, então não mudou muito assim no ranking. Não sei aonde ganhar essa luta vai me colocar, se já vai me colocar no ranking. Tomara que sim, mas eu até escutei uma entrevista do Dana White falando 'ah se a pessoa realmente quer fazer nome dentro do UFC tem que lutar bastante', mas desde a minha última luta que eu perdi, em outubro, estou pedindo para lutar, pedindo para lutar e não tão dando muita moral. Sendo que quando eu estava ganhando queriam me colocar a cada dois meses. Entendo, lógico, quem está ganhando eles querem colocar mais para lutar porque é bom para o UFC. Então tomara que com essa vitória eles me deem moral para me colocar logo para lutar de novo, essa é minha ideia, lutar. Enquanto eu estou bem, saudável, sem lesão, quero estar lutando", comentou.

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Para o seu retorno ao octógono, Mackenzie irá enfrentar uma situação inédita em sua vida: lutar sem público. A americana antecipa uma "sensação estranha" e acha que a falta de público pode, inclusive, alterar as decisões dos juízes.

"Acho que vai ser igual sparring porque eu sempre lutei para o melhor show, com aquela pressão, a adrenalina, a galera torcendo. É isso que eu sempre procurei. Quando eu parei de sentir isso no jiu-jitsu, que estava sendo muito confortável, migrei para o MMA, para procurar aquela adrenalina. Mas agora acho que vou sentir igual quando estou fazendo sparring. E nem vai ser uma arena fechada, mas uma arena grande. Vai ser o APEX que até da área de aquecimento para o ringue é muito rápido, né? Então até minha música para entrar acho que vai tocar uns 15 segundos e acabou. Eu realmente não vou nem entrar na vibe da coisa, então vou ter que meditar muito, ficar visualizando. Realmente entrar no clima só na minha cabeça. Bem ou mal, sei que eu vim de uma derrota e sei que não posso ter uma derrota se quiser chegar ao meu objetivo, então sei que, no fundo, vou conseguir trazer essa energia tudo e a importância dessa luta no sábado", comentou.

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"Acho que em relação aos juizes, bem ou mal quando tem a galera torcendo e você acerta um soco, mesmo se não for forte, quando tem a torcida é 'ah, uau, não sei o que', o jurado escuta isso, entendeu? Agora eu vi algumas decisões nos últimos eventos que eu achei tipo 'caraca, como os jurados deram isso?'. Acho que porque não tem ninguém, não tem nada, então pode ser um pouco mais influenciável para um lado ou para o outro. Então eu não quero deixar nas mãos dos juizes, quero finalizar logo. Tomara que eu tenha um pouco mais de conexão com a minha adversária, sentir quando ela está mais cansada, essas coisas. E tentar ver o lado positivo de tudo que tá acontecendo", analisou.

Por fim, Mackenzie espera que o sacrífico dos atletas por lutar em meio à pandemia seja recompensado não só por Dana White, mas pelo público em geral.

"Eu queria que sim. Queria que ele visse por esse lado, mas acho que não. Acho que ele sabe que ou a gente está lutando porque quer dinheiro porque tá precisando pagar as contas ou a gente está lutando só para lutar, mas acho que no final das contas se a gente não faz um show, independente se for pandemia ou não, eles não estão ligando. Mas eu, como atleta, queria que ele e o público vissem isso. Todos nós que estamos lutando nessa pandemia estamos colocando a cara porque, mesmo ganhando ou perdendo, todo mundo que está lutando, eu, a Hannah, Durinho, Tyron Woodley, todos nós, ganhando ou perdendo, não está ninguém com seu melhor camp, 100% preparado e está todo mundo botando nosso recorde em jogo para continuar nesse show para todo mundo. Então seria bom se todo mundo desse um pouco de mérito para o que nós estamos fazendo", finalizou.