No dia 5 de abril, Anthony Smith entrou em uma das maiores lutas de sua vida. A diferença, porém, é que não foi no octógono, como é de costume durante sua carreira no UFC.
Durante a madrugada, um homem, posteriormente identificado como Luke Haberman, invadiu a casa do lutador e Anthony Smith teve que lutar com ele. Em entrevista para a ESPN, o americano relatou a experiência, do sangue nas paredes à sogra "gângster".
Veja o relato de Anthony Smith
Por volta das 4h da manhã de domingo, um pouco depois das 4h, acho que 4h05. Minha esposa me acordou em pânico e disse: “Tem alguém dentro de casa”.
Eu levantei e ouvi a voz de um homem gritando a plenos pulmões. Ele não estava dizendo algo que fazia sentido, mas era algo bem de dentro, muito alto. Ele gritava até ficar sem fôlego, recuperava o fôlego e gritava de novo.
Eu saí do meu quarto e assim que fiz isso, na sala do meu computador estava um cara estranho, que eu nunca vi antes. Minha casa estava toda escura e parecia que ele estava se flexionando para mim, em uma postura estranha, andando na minha direção. Foi estranho, parecia que eu o surpreendi. O que é bem esquisito.
.@lionheartasmith says he's still ready to fight on 4/25 even after he fought off an intruder at his home over the weekend. This is video for the suspect after he allegedly broke into another man's home before going to Smith's. Smith describes what happened.@3NewsNowOmaha pic.twitter.com/mGwSlTjimo
— Jake Wasikowski (@jakewasikowski) April 9, 2020
Ele voltou a gritar e o pandemônio começou. Minha esposa me seguiu para fora do quarto, ela teve que ir até o final do corredor para pegar as crianças. Eu meio que fui pra cima e derrubei ele, e nós começamos a lutar. Enquanto isso acontecia, minha esposa tentava juntar as crianças. Colocar elas em um quarto para que pudéssemos escondê-las. E foi aí que começou, a luta estava acontecendo com uma pessoa estranha na minha casa.
Eu não sabia se ele tinha alguma arma, normalmente as pessoas não entram na sua casa no meio da noite por motivos bons, certo? Estou esperando ouvir um tiro ou que ele fosse me esfaquear. Achei que ele tinha alguma coisa. Pensei que eu teria dois minutos antes de ser incapacitado pelo que ele tinha.
Achei que minha adrenalina poderia me carregar por dois minutos, a menos que fosse um tiro na cabeça. Eu abaixei minha cabeça e o derrubei, tentando incapacitá-lo o mais rápido possível. Conforme a luta acontecia, percebi que ele estava gritando. Provavelmente tinha 20 e poucos anos, 22 ou 23 anos.
Ele não era muito grande, com cerca de 75kg, mas ele era muito forte. Eu tive dificuldades em ter controle sobre ele, segurar as mãos dele. Tentei nocauteá-lo para fazer com que ele parasse, mas não consegui. Então estávamos lutando e eu percebi que ele não atirou em mim e nem me esfaqueou, mas ele não parava de lutar. Comecei a gritar com ele, tentando descobrir o que estava acontecendo.
Eu não sabia de onde ele veio, como ele entrou e quanto tempo ele ficou dentro da casa. Porque eu tinha acabado de acordar, e não sabia o quanto tempo ele ficou dentro da casa. Então eu estava tentando descobrir essas respostas ao mesmo tempo em que lutava com ele. Eu estava gritando: “Minhas crianças estão aqui”, em meio a muitos palavrões, mas falando das minhas crianças.
“De onde você veio?”. Enquanto isso, minha esposa consegue esconder nossas filhas no quarto.
Ela está no telefone com a polícia e percebe que eu preciso saber das crianças.
Porque assim que eu saí do quarto, fui direto para o confronto com ele. Ela foi ver as crianças e eu nem sei se minhas filhas estão bem.
Então ela me disse: “Anthony, as crianças estão bem, eu estou com elas”. A próxima pergunta que eu fiz foi se ele estava sozinho. Ele disse “não”. Eu perguntei quem mais estava na casa e ele começou a gritar por um “Luke”.
Ele começou a gritar para alguém vir ajudá-lo. Nesse momento eu comecei a entrar ainda mais em pânico. Eu consigo lidar com um invasor, mas seria difícil segurar dois porque eu só tenho duas mãos. Nesse ponto, minha esposa percebeu que a situação era muito ruim. Ela bloqueou o corredor para que independente de quem estivesse na casa, teria que passar por ela antes. Minha esposa não é uma lutadora, nada disso. Minha sogra também vive com a gente, eu viajo muito e ela ajuda com as crianças. É basicamente uma babá. E minha sogra é uma gangster.
Estou tentando descobrir o que fazer, porque tem outra pessoa na casa e eu não posso lidar com os dois. Eu pedi para minha sogra pegar uma faca, ela pega na cozinha e traz pra mim. Depois ela vai esperar os policiais do lado de fora porque minha casa é um pouco difícil de encontrar, esse é o plano dela.
Eu coloquei a faca contra ele, mas sem esfaqueá-lo ou algo do tipo.
Agora o problema é que eu só tenho uma mão livre para controlar ele, porque a outra está segurando a faca. Ele começa a se soltar aos poucos e eu não consigo controlar suas mãos, tentando colocar suas mãos nos bolsos. Então eu soltei a faca para controlar ele de novo, e nós voltamos a lutar.
Mas agora nós achamos que tinha outra pessoa dentro da casa, então eu pensei que se essa outra pessoa aparecesse eu teria que esfaquear ele e depois lidar com o outro. Por sorte eu não tive que fazer isso, porque não tinha mais ninguém na casa. Nós continuamos a lutar, eu pergunto se ele tem alguma arma e ele diz que sim.
Por sorte, mais uma vez, ele não tinha. E nós lutamos o tempo inteiro até os policiais chegarem. Demorou só cinco minutos para os policiais chegarem depois que fizemos a ligação. A polícia entrou, ele começou a lutar com eles também.
Eles me tiram do cômodo e todo o quarto está todo cheio de sangue, tem sangue nas paredes...uma bagunça. Depois os policiais forenses entraram, tem uns dez carros de polícia na frente da minha casa, ambulâncias, bombeiros, é um desastre.
Naquele momento acharam que ele estava sob o efeito de drogas, porque ele estava confuso, fingindo que estava em choque porque ele não estava na sua própria casa. Na hora pareceu plausível, que ele usou algumas drogas malucas. Porque nenhum humano normal consegue lutar dessa maneira. Eu não sou o melhor lutador do mundo, mas ele é uma pessoa normal e eu tive muitas dificuldades em lidar com ele. Eu dei muitos socos, joelhadas e cotoveladas nele e ele aguentou tudo.
Ele aguentou tudo e não diminui o ritmo, continuou lutando comigo. Fazendo de tudo para se livrar de mim. E ninguém sabe o que ele queria. A polícia disse que ele tem uma longa história de violência, alguns casos de violência doméstica e problemas de saúde mental.Eu não estou mentindo quando digo que essa foi uma das lutas mais difíceis da minha vida. Quando você sente essa adrenalina...
Quando eu entrei na luta, eu entrei pronto para morrer. Nenhuma pessoa inteligente invade uma casa durante a madrugada sem uma arma. As pessoas que invadem casas para roubar coisas fazem isso durante o dia quando não tem ninguém. Quando entram durante a noite, é para machucar pessoas.
