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Roger Gracie não vê jiu-jitsu na Olimpíada e admite que não gostava de lutar MMA: 'Lutava porque achava que tinha que lutar'

Decacampeão mundial de jiu-jitsu, Roger Gracie é por muitos considerado o melhor de todos os tempos na modalidade. Há 17 anos, o brasileiro comanda a Roger Gracie Academy em Londres e, em 2018, se despediu das competições após vencer Marcus Almeida “Buchecha”, atualmente detentor de 13 títulos mundiais – recorde que pertenceu a Roger até 2019.

Além do jiu-jitsu, Roger também lutou MMA, tendo um cartel com 8 vitórias e 2 derrotas e até chegou a fazer uma luta no UFC em 2013, mas encerrou a trajetória em 2016, vencendo Michael Pasternak por finalização no One Championship.

Roger se dividia entre o jiu-jitsu e o MMA e, apesar da escolha pelas artes marciais mistas, ele considera ter sido algo natural, mas assumiu não ser algo que ele gostava tanto de fazer.

“Acho que o MMA eu fiz, não por obrigação, mas fiz meio que sabendo que o Gracie lutador uma hora tem que lutar MMA. Então foi uma coisa que, subconscientemente, eu sabia que teria que fazer. Não me senti obrigado a fazer, mas não foi uma escolha que ‘ah, agora eu quero fazer’. Eu sempre soube que ia chegar uma hora que meu caminho natural seria fazer MMA”, disse em entrevista ao canal do YouTube e podcast Jiu-Jitsu in Frames.

Assim como George St-Pierre admitiu recentemente que, apesar de ganhar muito dinheiro com a luta, não sente prazer em, de fato, lutar, Roger dividiu a mesma opinião.

“Eu mesmo não adorava lutar MMA, não. Lutava porque tinha que lutar, achava que tinha que lutar”, disse.

Jiu-jitsu nas Olimpíadas?

Há uma grande questão sobre o jiu-jitsu se tornar um esporte olímpico no futuro. A possibilidade é algo que divide opiniões entre os praticantes e, para Roger Gracie, não é algo que vá acontecer.

“Eu não vejo o jiu-jitsu na Olimpíada. Apesar do esforço de muita gente para ir, não querendo ser negativo, mas acompanhando as entidades por trás disso, eu acho muito difícil”, disse.

Roger enxerga lados positivos e negativos e ressaltou alguns. Para ele, seria muito positivo para o atleta, já que a olimpíada é o maior evento esportivo do planeta, mas não seria nada bom para as academias de jiu-jitsu e ele explica.

“O professor de jiu-jitsu que vive dando aula, se fosse para a olimpíada, ele seria muito afetado, muita gente seria afetada (…) A partir do momento que se torna um esporte olímpico, o governo começa a entrar no meio e então muda”.

Atualmente, o jiu-jitsu não tem um grupo de atletas que represente o país e eles treinam em academias que se dividem por equipes. “Isso tira a necessidade de você ir para a academia, você vai para os lugares que o governo está patrocinando. E isso não há meios de você fazer dinheiro, porque o treino é de graça ou super barato, então como é que você vai querer pagar uma academia tendo um lugar desse de graça?”, complementou.

Além do lado ‘business’, Roger também acredita que o jiu-jitsu seria outro tipo de luta e teria regras adaptadas, assim como foi no judô.

Ele exemplificou o tempo de luta que, atualmente, na categoria faixa preta adulto dura 10 minutos e, provavelmente, nos Jogos Olímpicos o tempo seria abruptamente reduzido para que o confronto fosse mais rápido e dinâmico, até mesmo para que o público entendesse melhor.

“Os espectadores do jiu-jitsu, praticamente é só quem faz, só quem luta. Quem não luta, é difícil entender os detalhes técnicos”, finalizou.