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UFC: Anderson Silva irritou Dana White e foi ameaçado de demissão há 10 anos

10 de abril de 2010, exatos 10 anos atrás. O UFC fazia a sua primeira incursão em um território que considerava uma chance de ouro. A empresa desembarcava em Abu Dhabi louca pelo dinheiro dos magnatas locais e trazia consigo a sua principal estrela na época: Anderson Silva. A ideia era clara: dar um grande espetáculo, entreter a todos e encher os cofres ao tornar o MMA um esporte popular nos Emirados Árabes.

O que aconteceu naquela noite, porém, ficou bem longe disso.

Antes da luta

Anderson foi escolhido como o responsável pela incursão no Oriente Médio, mas já não vivia um momento bom com o patrão Dana White. Um ano antes, foi colocado para lutar com Thales Leites, compatriota formado pela equipe Nova União, onde Spider desenvolveu seu jiu jitsu. Anderson não gostou muito, mas lutou os cinco rounds e venceu.

Mesmo assim, o chefe o acusou de fazer um combate chato de propósito. E o ‘puniu’: o colocou para duelar com Forrest Griffin, ex-campeão da categoria de cima. A punição, porém, fez do brasileiro ainda maior: em pouco mais de três minutos, Anderson conseguiu um dos nocautes mais espetaculares de toda a sua carreira, calando a todos que o criticavam.

Isso o fez ter o tamanho necessário para ser a grande estrela do UFC. Mas não fez Dana White desistir de bater de frente com o seu funcionário.

O presidente colocou Anderson para duelar com outro brasileiro e em uma situação ainda pior, já que o escolhido havia sido seu parceiro de treino. Quis o destino que Vitor Belfort se machucasse, mas a solução de Dana White foi colocar mais um brasileiro em ação: Demian Maia.

Na tentativa de vender a luta, Demian resolveu brincar.

Em sua biografia, Anderson diz também ter visto declarações de Demian dizendo que não o respeitava como pessoa. O cenário da tragédia estava armado.

A luta

E assim foi. Anderson abaixou a guarda e aumentou as provocações para um nível nunca antes visto. Xingou Demian, chamou o rival de playboy. Falou muito, bateu pouco.

Do outro lado, Maia sabia que não podia entrar no jogo do adversário, passou a querer a luta no chão a qualquer custo.

No fim, vitória por pontos de Anderson Silva: 50-45, 50-45 e 49-46.

O pós-luta

As primeiras palavras de Anderson pareciam mostrar que ele havia entendido o que tinha feito. Em sua biografia, ele diz até que percebeu o erro ainda durante o combate, mas não havia mais tempo de mudar nada.

Dana White sequer entregou o cinturão de campeão ao brasileiro – o deixou com o empresário. Mais que isso, detonou Anderson durante a coletiva de imprensa.

O UFC demoraria quatro anos até voltar a Abu Dhabi, com Minotauro e Roy Nelson na luta principal.

O curioso é que, apesar de se desculpar no octógono, Anderson disse na sequência que não tinha que pedir desculpas por nada, alegando que ele é quem tinha sido ofendido primeiro.

O clima com Dana White esquentou nos dias e meses seguintes. O patrão chegou a cogitar até a demissão de um de seus principais empregados.

A declaração foi justamente no momento em que Dana anunciava o próximo duelo do brasileiro, diante de Chael Sonnen. O norte-americano, aliás, esteve a segundos de ser o cara que destronaria Anderson, mas acabou pego em um triângulo e foi finalizado. Dali para frente, a popularidade do brasileiro só cresceu.

A relação com Dana White nunca chegou a ser exatamente fácil. Só nos anos mais recentes, com o brasileiro já no final de carreira, os dois passaram a se entender um pouco mais.

Com Demian, a relação também demorou a ficar mais amena, os dois nunca se tornaram próximos. O assunto ainda é um pouco um tabu. Mas Anderson coloca o episódio como o único arrependimento de sua carreira.