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De temido no UFC a 'coração mole', as histórias de Brock Lesnar, lenda da WWE, por quem o conhece

Brock Lesnar não gosta de ficar perto de pessoas. Isso não é um truque da WWE ou uma persona que ele usou antes de esmurrar outros pesos pesados no UFC. A menos que você seja alguém que mereceu o respeito dele, Lesnar reconhecidamente não se mistura bem com os outros.

Uma das estrelas mais lucrativas da história dos esportes de combate prefere estar em sua fazenda em Saskatchewan, no Canadá, com sua esposa, Rena, e quatro filhos do que em um estádio com 100 mil fãs gritando. Ele não é das redes sociais. Ele não faz muitas entrevistas.

"Brock Lesnar é um enigma", disse Stephanie McMahon, diretora de marca da WWE, à ESPN. "Ele gosta de manter sua vida pessoal privada."

Neste fim de semana, Lesnar se apresentará em mais uma luta de destaque na WWE. Ele estará defendendo seu título da WWE contra o vencedor do Royal Rumble, Drew McIntyre, no WrestleMania 36. Mas, em vez de o show ser realizado diante de quase 100 mil fãs no Raymond James Stadium em Tampa, Flórida, a ação acontecerá no WWE Performance Center em Orlando, com o ringue cercado por assentos vazios.

Talvez seja o que Lesnar preferiria de qualquer maneira.

Lesnar, de 42 anos, fez muitas conexões ao longo dos anos - amigos, parceiros de treinamento, treinadores, colegas, adversários. Ele é visto como um cara intimidador, um amor de pessoa, um amigo leal e alguém que você não conhece. Lesnar é um atleta que deixou a WWE em 2004 para passar mais tempo com sua família, tentou a NFL e depois se tornou campeão dos pesos pesados do UFC apenas em sua quarta luta profissional. Ele é alguém que quase morreu de diverticulite - ele teve perfurações no intestino grosso - em 2009.

A ESPN conversou com mais de uma dúzia de pessoas que o conheceram ao longo dos anos para contar suas melhores histórias em suas próprias palavras sobre esse ícone dos esportes de combate.


Como Brock foi roubado da chance de mostrar seu potencial máximo

Paul Heyman, amigo, biógrafo e ‘advogado’ de Lesnar nos shows da WWE

Brock Lesnar é absolutamente meu melhor amigo no mundo. Neste apocalipse zumbi que estamos vivendo no momento, se os zumbis começarem a se amontoar na entrada, estaremos indo para a casa de Lesnar. Meu dinheiro nessa luta - como em qualquer outra - estaria em Brock Lesnar.

Acho que cinco minutos depois de termos uma conversa pessoal, nós dois sabíamos que havíamos encontrado um melhor amigo para toda a vida. É uma amizade sem medo, porque nós dois sabemos que o outro fala a verdade absoluta como a vemos. E então não há nada a temer.

Foi durante a batalha de Brock Lesnar contra a diverticulite que estávamos escrevendo seu livro. Então, eu vivi muito disso com ele, através de sua luta contra Shane Carwin em 2010. É claro que havia preocupações. A constatação de que a diverticulite roubou de Brock Lesnar o quão grande ele poderia se tornar. Que, por mais que seja um atleta sem igual, nunca saberemos exatamente o nível que Brock Lesnar poderia ter alcançado e seu domínio na divisão de pesos pesados do UFC. Muito menos na WWE. Porque muito de sua fisicalidade, de seu atletismo foram roubados.

A batalha contra a diverticulite foi um momento muito humanizador para Brock Lesnar. E ele não gostou. Ele estava muito preocupado. Ele quase morreu por causa disso. E então, com razão, preocupou-se com quanto de sua carreira ele seria roubado e privado.

Ele foi direto para casa depois de vencer Carwin, porque sua esposa estava grávida de nove meses do segundo filho. Ele foi direto da daquela luta gigante e tudo o que ela representava. Aquilo foi um exemplo perfeito de como era sua vida. O primeiro round com Carwin foi muito parecido com diverticulite, pois quase o venceu. E no segundo round, ele finalizou Carwin, que representa Brock derrotando a diverticulite. E então ele foi direto para o modo pessoal. Voltou para casa por conta do nascimento de seu segundo filho homem e seu terceiro no geral.

Nós dois entendemos pro wrestling como um negócio. E não por ser uma vitrine do nosso ego ou um indicativo de uma necessidade de afirmação. Entendemos o que é e o que não é. E entendemos que a arte da performance era um meio de apoio, não uma busca de uma experiência de estrela de rock. Portanto, de muitas maneiras tão diversas quanto nossas origens - um garoto de fazenda da Dakota do Sul e um judeu de Nova York esperto que sempre procura causar problemas - o fato é o que nos levou, o que nos motivou e a perspectiva de nossas vidas era estranhamente parecida.

Como Brock Lesnar, duas vezes All-American e campeão peso pesado da NCAA em 2000, foi parar na WWE

J Robinson, ex-técnico de wrestling da Universidade de Minnesota

Eu conhecia o produtor e o olheiro da WWE, Jerry Brisco. Lutamos no mesmo time de wrestling em Oklahoma State. Eu disse a ele: "Vocês fiquem longe dele até que isso acabe." Quando a carreira universitária de Lesnar terminar, se ele precisar de ajuda para tomar uma decisão ou precisar de algo, estaremos aqui para ele. Mas agora, vocês precisam ficar fora daqui. E, na maioria das vezes, eles fizeram um bom trabalho em ficar de fora de lá.

Você está tentando fazê-lo vencer o campeonato nacional. Você está tentando fazer a equipe vencer. Você não precisa de coisas estúpidas que serão distrações e o levarão para outro lugar.

Eu disse a Brock que esse é o seu trabalho - não assinar e se tornar um pro wrestler. Se você vencer o torneio nacional, o pro wrestling estará lá. E só será melhor. E você só terá mais poder de negociação se tiver isso em seu currículo. Ninguém vai embora nos próximos quatro, cinco meses. E, claro, ele venceu o campeonato nacional em 2000.

Quando Brock Lesnar encontrou com Vince McMahon pela primeira vez

Jim Ross, ex-comentarista da WWE e executivo de relações com os talentos

Eu apresentei Brock ao presidente e CEO da WWE, Vince McMahon, em Minneapolis. Vince nunca tinha nem ouvido falar dele. Brisco e eu o recrutamos por um bom tempo. Foi no final do último ano, então sabíamos que íamos pegá-lo. Se não o fizéssemos, seria um inferno para todos nós.

Estávamos em uma gravação em Minneapolis em 2000, e Vince estava saindo para assumir sua posição na transmissão. Ele vê Brock conversando com Brisco e alguns dos outros caras.

Eu nunca vou esquecer isso - ele deu uma olhada dupla. Se ele estivesse tomando café, ele teria cuspido. Ele se virou e, com aquela caminhada de Vince McMahon que Conor McGregor adora imitar, Vince foi até Brock e ele se apresentou.

Acho que Brisco disse a Brock quando Vince estava chegando: "Este é o grande chefe. Tenha um bom comportamento." Esse tipo de coisa. Não que ele não tivesse. Mas ele nunca havia visto Vince. Brock não era um fã da WWE. Ele não assistia o wrestling. Ele não tinha ideia de quem era Vince McMahon naquela época. Ele o conhece muito bem agora. Eles ajudaram um ao outro e ficaram milionários.

Depois que Vince o conheceu, ele disse: "Meu Deus, ele é um viking". Eu disse a Vince: "Eu estava pensando mais como um touro Hereford". Então Vince começou a me interrogar sobre gado: "O que é um touro de Hereford?" Deixa para lá. Vince ficou impressionado com o espécime atlético que Brock Lesnar era e é até hoje.

Não mexa com o Brock

Rip Rock, um dos treinadores de wrestling de Brock Lesnar na Ohio Valley Wrestling:

Brock era homem quando ainda garoto. Ele não estava acostumado com o mundo do pro wrestling. Alguns caras mexiam com ele, e quando mexem com alguém, isso significa que eles gostam de você. Isso significa que você é aceito. Então, esse cara chamado Vivacious Charles Wimberly, veio tirar uma com Brock, e Brock apenas revidou, deixando-o estatelado no chão em cinco segundos. Charles estava basicamente no chão, prestes a começar a chorar e tudo mais.

Foi tipo, "Brock, que diabos?" Brock respondeu, "Cara, ele disse alguma coisa." Eu disse, "Brock, ele estava zoando." Brock disse, "Bem, o que é isso?" Se ele está brincando com você - isso significa que eles gostam de você. Brock disse: "Oh".

Esse é o Brock.

Uma luta de wrestling de verdade entre Brock e Kurt Angle

Kurt Angle, membro do Hall da Fama da WWE e medalhista de ouro olímpico

O ano foi 2003. Eu não queria lutar com Brock. Eu sei que ele não queria lutar comigo. Mas os caras ficaram agitando e eu estava tipo: "Não, ele não conseguiria me derrotar. Mas se ele acha que pode, vamos fazer isso". Esse assunto sempre aparecia nas nossas discussões. Eventualmente, fui até Brock e disse: "Ei, vamos acabar logo com isso". E ele disse: "Não, cara. Eu estou de chinelos." Eu disse: "Tudo bem, vamos descalços". Ele disse: "Não, não. Eu não vou fazer isso". Então, isso não aconteceu.

Algumas semanas depois, ele e Big Show estavam no ringue. Eles estavam lutando, e Brock estava mostrando seu domínio. O Big Show queria ver como era estar lá com um campeão de wrestling da NCAA. Foi quando o Big Show pesava cerca de 230kg. Ele estava pegando o Big Show no colo e batendo na parte de trás da cabeça dele. Eu falei, "Caramba, esse cara pode me matar." Eu pesava 100kg. O Big Show pesava 230, e o Brock estava acabando com ele. Eu nunca vi alguém fazer isso com um humano.

Então, enquanto eles estavam fazendo isso, eles fizeram uma pausa rápida. As costas de Brock estavam de frente para mim. Eu estava fora do ringue. Olhei para o Big Show e disse: "Saia do ringue". Ele saiu do ringue, eu ando por trás de Brock e bato no ombro dele. Ele diz: "Ah, m***” Ele sabia que estava prestes a acontecer.

Eu não queria lutar com ele, confie em mim. Mas os caras estavam fazendo a coisa deles. Agora, Brock e eu éramos “inimigos”. Então nós lutamos. O boato é que eu o dominei completamente. Isso não é verdade. Foi muito perto. Eu derrubei Brock algumas vezes. Ele não me derrubou. Mas nós lutamos por 15 minutos. Quinze minutos e houve apenas duas quedas. Foi uma batalha bem apertada. Eu ganhei? Se você quer dar a vitória ao que atacou mais, eu venci. Mas foi bem perto.

Brock me impressionou, porque ele era um lutador de faculdade. Não há nada de errado nisso. Um campeão da NCAA é um atleta de classe mundial. Mas há uma grande diferença entre a medalha de ouro olímpica e o título da NCAA. Era o que eu queria provar a Brock no final do dia. Graças a Deus eu venci. Porque se tivesse perdido, ele nunca teria me deixado esquecer.

Como Brock reagiu após o seu erro no WrestleMania

Gerald Brisco, o ex-executivo e olheiro da WWE que recrutou Lesnar

Brock era muito intimidador nos bastidores. Todo mundo comprou essa ideia, e Brock aceitou. Depois que ele tentou fazer um shooting star em Kurt Angle no WrestleMania XIX e machucou o pescoço, ele voltou aos vestiários e começou a quebrar tudo. Nenhum dos médicos chegaria perto dele. Brock não deixaria ninguém olhar para ele. Ninguém. Os médicos queriam chegar até ele. Os treinadores queriam chegar até ele.

De repente, o produtor Michael Hayes veio gritando comigo: "Brisco, você precisa controlar seu filho". Fui até lá e disse: "Calma, Brock". Nós dois nos abraçamos e eu disse: "Você está bem?" Ele disse: "Meu maldito pescoço." Eu disse: "Vamos dar uma olhada, vamos buscar ajuda médica". Ele não queria nenhum. Eu disse: "Você precisa disso". Acabamos passando a noite no hospital. Eu fiquei com ele, é claro.

Ele estava bravo com tudo, bravo por ter deixado isso acontecer. Ele havia feito esse movimento várias vezes quando pesava 120, 122kg. Agora, Brock está pesando 135, 140kg. São quase 20kg a mais em relação à quando ele fazia isso sempre – e fazia um tempo que ele não aplicava o golpe. Então, ele estava um pouco nervoso com a mudança que ocorreu no dia do show. Eu disse: "Brock, você não precisa fazer isso". Ele disse: "Só tenho medo, se não o fizer, eles não acharão que sou bom o suficiente para fazer as coisas. Quero fazer isso". A natureza competitiva começou. Era isso. Claro, depois do fato de ele ter dito: "Eu não queria fazer isso". Mas ele se comprometeu a fazê-lo, e ele fez.

Mesmo no hospital, ele estava tão chateado que algo aconteceu com ele que ele ainda estava com raiva. O médico tentou falar com ele. Brock disse: "Eu quero ir embora, eu quero ir embora." Eles fizeram um raio-X e decidiram que seria melhor ele passar a noite lá e dispensá-lo pela manhã. Ele teve ótimos cuidados médicos e estava feliz com isso. Ele se acalmou. Eles também lhe deram alguns sedativos, é claro.

Apenas mais um cara...

Danny Davis, fundador e antigo dono da Ohio Valley Wrestling, e que treinou Lesnar

Uma das muitas coisas que eu gostei sobre Brock é que ele era um cara que não fazia besteiras. O que você vê é o que você vai ter. Se ele gosta de você, ele gosta de você. Se ele não gosta de você, ele não vai querer saber de você. E felizmente, como um de seus treinadores, ele gostava de mim.

Como Brock era um menino grande e do campo, encarreguei-o de dirigir o caminhão que levava o ringue para ter certeza de que ele chegaria à arena a tempo. Eu sabia que ele poderia fazer isso, porque ele cresceu em uma fazenda. Ele era responsável.

No começo, pensei, espere um segundo. Esse cara tem uma cabeça tão grande que ele dirá: "O que você quer que eu dirija?" Eu estava pensando: "Nossa, e se ele me pegar e me jogar pela arena?" De qualquer forma, não havia problema. Ele foi realmente ótimo. O caminhão chegava às arenas com segurança, dentro do prazo, nunca atrasado.

O que mais se destaca é que tivemos muitos caras que pensaram que eram bons demais para montar o ringue. Bem, Brock era apenas um dos caras. Ele não achava que ele era melhor do que ninguém. Ele entrava ali e colocava o ringue e, se alguém não ajudava, ele dava dois berros e todo mundo começava a ajudar.

Pense nisso, se ele está lá pegando equipamentos pesados, fazendo várias viagens da arena até o trailer e você está curtindo enquanto ele está fazendo o seu trabalho, ele parava tudo. Ele faria uma de duas coisas. Ou ele gritava de onde estava, ou ia até você e te fazia até querer ajudar. Daquele jeito Brock. Vou dizer a você que não uma única pessoa - e tínhamos caras grandes como ele - nem uma única pessoa o impediu. Nunca.

Brock troca o ringue pelo octógono

Burt Watson, ex-coordenador de eventos do UFC

Foi a noite da primeira luta de Brock no UFC. Quando os lutadores chegam para a luta, eles entram no camarim, e eu tenho homens designados para cuidar das mãos antes que eles coloquem as luvas. Eu designei "Stitch" Duran, para trabalhar com Brock. Na época, a luva do UFC usava um elástico no topo. Isso significava que você tinha que apertar mão com mão para colocar a luva. Bem, a mão desse cara era do tamanho do meu pé. E quando eu coloquei a proteção na mão dele, ficou tão grande quanto minha bunda.

Fui colocar as luvas, e a maior que tínhamos era uma 3X. Nós não conseguimos. Estávamos pensando em desembrulhar as mãos dele para que pudéssemos colocar a luva. Ele não estava ficando chateado, ele apenas viu que isso não estava rolando. Mas ele também sabia que tinha que ter uma luva e apenas olhou para mim e disse: "E agora?" Mas ele estava calmo. Ele não era Brock Lesnar, famoso astro da WWE. Ele estava lá em um mundo totalmente diferente. Ele iria lutar no octógono, podia muito bem gritar conosco pelo que estava acontecendo. Mas perguntou calmamente.

Então, fui até Stitch e disse: "O que acontecerá se você cortar o topo daquela maldita luva de couro? Stitch disse: "M***, eu farei isso, Burt. Se você disser, eu farei."

Stitch continuou e cortou a luva. A luva então se abriu, e conseguimos colocar a luva nas mãos de Brock. Uma vez que ele as colocou, colocamos fita branca em volta dele e fita azul. Mas estávamos suando, cara. Nunca tinha visto alguém que não conseguisse usar uma 3X.

Nós cortamos e funcionou, mas também nos deu uma ideia para um novo tipo de luva. Agora, todas as luvas estão cortadas e elas têm velcro, então é fácil encaixar. Isso começou a partir do momento em que tive que cortar a luva de Brock Lesnar.

O lendário condicionamento físico de Brock Lesnar

Cole Konrad, ex-campeão dos pesados do Bellator e um dos principais parceiros de treinos de Lesnar no MMA

Lembro que quando eu tinha provavelmente 20 anos, em 2004, eu ainda estava na faculdade. E ele havia parado na sala de wrestling da Universidade de Minnesota. Alguém sempre perguntava a ele, "Quanto você consegue levantar?" Sua resposta foi: "O tanto que eu colocar na barra. Isso não importa. Apenas continue colocando peso, eu continuarei fazendo isso".

Depois de ter lutado wrestling com ele e levantado pesos com ele, ele realmente responde isso honestamente. Realmente não importa. Continue colocando mais, ele continuará levantando. Tenho certeza que ele tinha um limite, mas eu simplesmente nunca vi. Eu sei que era muito, muito, muito além do meu limite.

Kurt Angle, membro do Hall da Fama da WWE e medalhista de ouro olímpico:

Eu via Brock com quase 180 quilos no bench press, e ele fazia cinco ou seis repeticções. Ele não era um fisiculturista. Ele não estava realmente treinando para levantar peso. Mas ele tinha a força de um boi. Quero dizer, eu o vi fazendo cerca de sete ou oito agachamentos com 340kg. E o mais louco é que, se você olhar para as pernas dele, as pernas são, justamente, a menor parte do corpo. Para ele agachar tanto peso, você pode imaginar como é a parte superior do corpo?

Deus o fez ser o atleta formidável que todo mundo quer ser, no que diz respeito à força, tamanho, velocidade e explosão. Ele é uma aberração da natureza.

Tivemos um corredor muito rápido, um atleta realmente ótimo na WWE - Billy Gunn. Ele desafiou Brock para uma corrida, um sprint - uma corrida de 60 jardas. Brock acabou com ele. Ele correu 40 jardas em cerca de 4,7 segundos. Foi o quão rápido ele foi - e ele pesava 136kg. Você não corre tão rápido com 136kg. Talvez Brock pudesse até fazer um 4,6, eu não sei.

Brock é apenas ... eu não consigo explicar para você. Eu vi o garoto enterrando uma bola de basquete. Estávamos em uma academia, ele pegou uma bola de basquete. Ele não conseguia driblar, mas ele pulou e enterrou a bola de basquete. Isso me impressionou. Nesse mesmo dia, ele venceu Billy Gunn em uma corrida. Ele me mostrou muitas facetas de si mesmo naquele dia.

Brock coloca a família em primeiro lugar

Rey Mysterio, superstar da WWE

Lembro-me de que Brock estava infeliz. Isso foi antes de ele deixar a WWE em 2004 pela primeira vez. Estávamos indo para a Europa, e minha esposa e eu estávamos sentados logo atrás de Brock no avião. Acabei de ver Brock mordendo as unhas e olhando para a foto de um de seus filhos. Realmente o atingiu, o fato de que ele teve que viajar tanto. Esse era o lado humano dele. O instinto de pai que ele tem. Logo depois disso, ele ficou tipo: "Eu tenho que sair daqui, mano. Eu não posso mais fazer isso".

Penso que para muitos de nós, trabalhamos duro para chegar a essa posição e, quando você a tem e a faz, a única coisa que você quer fazer é se preparar e se manter nessa posição - certifique-se de que ninguém leva. Para ele, era como "acho que fiz o que preciso fazer aqui e estou fora". Eu lhe dou muitos adereços para isso.

Eu cresci com isso. Eu meio que esperava que nossa vida fosse desse jeito. Depois de ver Brock assim, ele realmente colocou as coisas em perspectiva para mim. Isso me fez ver minha vida pessoal de uma maneira diferente também. Brock ficou muito mal com isso. Mesmo não vendo, ele é muito próximo de sua família. Isso ficou na minha cabeça. Você tem que escolher um ou outro, e ele escolheu passar mais tempo em casa e não estar tanto na estrada.

O retorno de Brock Lesnar ao futebol americano

Ted Cotrell, coordenador defensivo do Minnesota Vikings quando Lesnar fez o treino

Ele estava longe do esporte há tanto tempo. Ele estava tentando fazer um exercício rápido e acelerado para pegar o jeito. Ele estava lá fora antes do treino, ele estava lá depois do treino. E ele estaria trabalhando entre os treinos com um dos treinadores da linha defensiva e consigo mesmo para acompanhar algumas das técnicas e coisas que ele perdeu por estar longe por tanto tempo. Eu nunca tive que conversar com ele sobre trabalhar duro durante o treino.

A sala de musculação nunca foi um problema. Ele provavelmente poderia levantar toda a maldita sala de musculação, se quisesse. Não sei se ele era o cara mais forte do time, mas ele estava lá em cima.

Para mim, foi uma aventura dele ver se ele poderia fazer isso. Eu acho que se ele realmente se dedicasse a isso e passasse um ano [na equipe de treinos], ele poderia eventualmente fazer parte do time principal.

Isso é loucura. Eu estou mesmo aqui com o Brock!

Daniel Cormier, ex-campeão dos meio-pesados e dos pesados do UFC

Lembro de ter conversado com Brock meses antes do UFC 226 em 2018. Eu falei, "Cara, vou lutar com o Stipe Miocic. Você deveria voltar e lutar. Se eu ganhar esse cinturão, talvez tenhamos a oportunidade de finalmente lutar, de competir um contra o outro".

Quando eu venci a luta, eu o vi e fiquei tipo, "Vou aproveitar". A pior coisa que pode acontecer? Ele não entrar na brincadeira. Mas ele obviamente está lá por uma razão. Ele não sabia o que eu iria fazer. Comecei a falar sobre alguém que eu conhecia, um All-American, alguém isso, alguém aquilo...

Eu o chamei e ele entrou no octógono, e eu fiquei tipo, "Meu Deus, isso está realmente acontecendo". Eu não pude acreditar. No meio de tudo, admito que estava pensando: “Eu realmente estou no mesmo octógono que Brock Lesnar”.

Eu já o tinha visto em tantas ocasiões diferentes e nunca pensei que ele e eu teríamos esse tipo de momento. E, enquanto está acontecendo, estou pensando, isso é enorme. E a multidão... a multidão foi à loucura. Levou apenas um minuto e meio, mas pareceu uma eternidade.

Fomos amigáveis ao longo dos anos. Mas isso foi muito diferente. Nós íamos lutar. O interruptor havia mudado de todas aquelas interações amigáveis. Quando você está naquele octógono na frente do inimigo, é uma intensidade muito diferente. Com Brock, multiplique por 100 vezes. Porque ele é um grande e mal filho da mãe. Eu definitivamente pude sentir a diferença.

Foi demais. Foi tipo, estou tendo meu momento na WrestleMania, este é o meu momento. Obviamente, com o pensamento de que poderíamos ter lutado, e isso poderia ter culminado em mim derrotando-o. Isso nunca aconteceu. Mas nós entendemos. Para dois caras que se conhecem há 20 anos, para nós, foi incrível.

Brock toma conta dos seus

Jacob “Stitch” Duran, o “cutman” de Lesnar no UFC

Sempre fui eu quem cuidou as mãos dele. Lembro-me da época em que ele lutaria com Heath Herring em 2008. Estou lá, trabalhando nas mãos dele. Lembro que disse antes disso: “É uma camiseta legal''. Porque ele tinha camisas legais. E ele disse: 'Eu tenho uma para você'. Ele disse: 'Quando eu estava fazendo as malas, minha esposa perguntou: 'Devo levar uma camisa para o Stitch?’ Quando eu terminei, ele pegou uma camiseta na mala e me deu. Foi bem legal. Eu nem faço parte do time, mas me fez sentir como se fazia parte do time, era uma das camisetas do time.

Quando ele lutou com Cain Velásquez em 2010, ele acabou com aquele grande corte na bochecha. Você podia literalmente ver o osso. Quando estou trabalhando nele, apenas entre ele e eu, ele disse: 'Stitch, cuide de mim.' Eu disse: "Não se preocupe, irmão. Estou com você.”.

Sendo espontâneo no maior palco de todos

CM Punk, ex-campeão da WWE; enfrentou Lesnar no SummerSlam de 2013

Não quero estragar a imagem dele. Eu acho que ele é um amor de pessoa. Esse é um cara que, quando entrei no MMA e deixei o pro wrestling, ele me mandou uma mensagem que dizia: “Me avise se você precisar de alguma ajuda". E eu sou muito desconfiado. É difícil se abrir e confiar nas pessoas no mundo do pro wrestling. Mas ele nunca foi nada além de um verdadeiro amor comigo. Foi um prazer trabalhar com ele. Ele é um cara legal, eu acho.

Acho que sou um dos sortudos com quem ele queria trabalhar no pro wrestling. Tivemos uma luta bem especial. Não acho que Brock receba o crédito pelo quão inteligente ele é como pro wrestler.

Não sabia como Brock seria receptivo a nenhuma ideia. Então eu, especialmente naquele ponto da minha carreira, fiquei tipo: "Vamos lá e decidimos no ringue". Ele estava totalmente entusiasmado por fazer isso. Eu meio que disse: "Eu só quero fazer isso e isso e isso". Ele disse: "Ah...". Depois de todas as idéias que tive, ele teve três ideias que ele queria fazer.

Foi divertido. Essa luta envolveu tudo que eu amei no pro wrestling. Apenas dois caras se unindo e dizendo "F***-se, vamos fazer o que quisermos e vamos nos divertir".

Eu acho que Brock tem um grande coração, e isso é algo sobre o qual muitas pessoas não falam. Vão falar sobre a força e as coisas atléticas loucas que ele fez em sua carreira, suas conquistas. Mas eles não falam sobre o fato de que ele ama sua esposa, seus filhos, mora em uma fazenda e só quer ser deixado em paz. Toda a fama, o dinheiro e tudo é realmente apenas um efeito colateral de ter sucesso no que ele quer fazer. E ele faz o que quer, quando quer. Essa é a beleza de Brock Lesnar.