Os dias de Royce Gracie, Ken Shamrock e Dan Severn já se foram há muito tempo. Chuck Liddell, Randy Couture, Matt Hughes e Mark Coleman estão aposentados. Até Anderson Silva e Georges St-Pierre fizeram seus melhores trabalhos há mais de 10 anos.
No mundo em constante evolução das artes marciais mistas, em que novas técnicas e estratégias são adaptadas o tempo todo, tivemos três lutadores do sexo masculino que se destacaram acima de todos os outros de 2010 a 2019. Eles foram dominantes, raramente (ou nunca) derrotados e têm argumentos para reivindicar o trono de "melhor da história".
Ariel Helwani, Brett Okamoto e Marc Raimondi dão uma olhada nos três melhores atletas masculinos de MMA da década.

Jon Jones
Honras:
Duas vezes campeão meio-pesado do UFC
10 defesas de cinturão
Lutador mais jovem a ser campeão do UFC (23 anos, 242 dias)
Lutas-chave:
Venceu Maurício Shogun pelo cinturão dos meio-pesados do UFC (UFC 128; 19 março de 2011)
Venceu Daniel Cormier pelo cinturão dos meio-pesados do UFC (UFC 182; 3 de janeiro de 2015)
Luta "sem resultado" contra Daniel Cormier pelo cinturão dos meio-pesados do UFC (UFC 214; 29 de julho de 2017)

Simplificando, não houve ninguém no MMA tão consistente ou dominante quanto Jon Jones nos últimos 10 anos. Ele venceu o título dos meio-pesados do UFC em 2011 e não perdeu o título desde então. Jones (25-1, 1 NC) venceu cinco homens que conquistaram o ouro no UFC durante sua série invicta de 17 lutas. Ele fez tudo isso sob os holofotes também. Cada uma de suas 14 lutas anteriores aconteceu em um evento principal do UFC, pay-per-view.
Fora do octógono, Jones teve altos e baixos, mas dentro dele, ninguém foi capaz de pará-lo.
Jones nunca foi verdadeiramente derrotado no MMA. Sua única derrota ocorreu por desqualificação contra Matt Hamill em 5 de dezembro de 2009, e foi uma interrupção controversa. Considerando a data dessa luta, Jones está invicto ao longo da década em nada além de lutas de alto nível contra a competição mais dura possível: ex-campeões como Lyoto Machida, Rampage Jackson, Rashad Evans e Mauricio Shogun, sem mencionar contemporâneos brilhantes como Daniel Cormier e Alexander Gustafsson.
Se houvesse uma versão MMA do Mount Rushmore, ele seria uma das primeiras caras a acrescentar. Apenas Georges St-Pierre e Anderson Silva têm o tipo de currículo no UFC que pode rivalizar com o de Jones. E aos 32 anos, ele ainda parece estar no auge de sua carreira.
-- Raimondi
Khabib Nurmagomedov

Honras:
Campeão peso leve do UFC
28-0
14 vitórias por paralisação (FIN, KO, TKO)
Lutas-chave:
Venceu Conor McGregor, por finalização no quarto round, pelo cinturão dos leves do UFC (UFC 229, 6 de outubro de 2018)
Venceu Al Iaquinta, por decisão unânime, pelo cinturão dos leves do UFC (UFC 223, 7 de abril de 2018)
Venceu Dustin Poirier, por finalização no terceiro round, pelo cinturão dos leves do UFC (UFC 242, 7 de setembro de 2019)
Esqueça o papo de lutador da década: Khabib Nurmagomedov é o lutador mais dominante da história do UFC.
Sim, eu sei que isso é uma afirmação polêmica, mas me sinto confortável a ponto de dizer isso em voz alta.
Khabib começou a década 7-0. Naquele tempo, ele era um lutador ainda relativamente desconhecido, competindo em curcuitos russos. Promoções como a Tsumada Fighting Championship, Golden Fist Russia e ProFC são algumas delas. Cobrir MMA é a minha vida, e eu admito que nunca ouvi falar dessas promoções.
Ele finalmente fez sua estreia no UFC em janeiro de 2012 contra Kamal Shalorus como um recorde de 16-0, mas, se formos honestos, ele ainda não era bem conhecido pela base casual de fãs de MMA. Nos dois anos seguintes, Nurmagomedov subiu na hierarquia de forma constante. Ele era durável, ele era dominante, ele era sólido. Seus haters gostam de dizer que a vitória sobre Gleison Tibau é polêmica, mas os três árbitros daquela noite deram 30-27 para Khabib.
Sua primeira vitória de alto nível foi contra Rafael dos Anjos, que na época havia vencido cinco vezes seguidas. Khabib passou por cima do brasileiro e levou por decisão unânime.
Mas então veio a extrema má sorte. A má sorte era tão grande que muitos se perguntaram se Khabib seria apenas um "e se".
Primeiro veio a lesão no joelho que o forçou a abandonar a luta contra Donald Cerrone em setembro de 2014. Depois veio outra lesão no joelho que o forçou abandonar outra luta contra Cerrone, em 2015. E então uma lesão na costela que impediu sua luta contra Tony Ferguson em dezembro de 2015.
Três lesões diretas. Três cancelamentos de luta direta. Dois anos perdidos.
Nurmagomedov se recuperou muito bem em 2016 com duas vitórias sólidas, mas depois não conseguiu ganhar peso antes da tão esperada luta contra Ferguson em março de 2017, que, mais uma vez, deixou muito seu futuro e seu legado em questão.
Desde então, porém, Nurmagomedov tem sido imperturbável. Ele venceu quatro lutas seguidas, melhorando seu recorde para um perfeito 28-0, e, talvez mais importante, não voltou a abandonar uma luta. Ele finalmente se tornou campeão dos leves em abril de 2018 e, em seguida, alcançou o status de superstar em todo o mundo após sua vitória sobre Conor McGregor em outubro de 2018.

Agora, ele é um dos atletas mais famosos do planeta e um dos lutadores de MMA mais condecorados de todos os tempos. Ele também é o mais dominante. Nenhum lutador competindo por uma grande promoção jamais iniciou sua carreira com um recorde de 28-0. Atualmente, ele está 12-0 no UFC e só perdeu um dos 36 rounds durante seu reinado no UFC.
Isso nunca aconteceu antes.
E ele não mostra sinais de que está diminuindo o ritmo.
Nurmagomedov muitas vezes brinca que ele vai se aposentar em breve. Todos nós sabemos como esse tipo de conversa acontece nos esportes de combate, mas ele parece ser o tipo de pessoa que simplesmente pega e sai quando está no topo e nunca olha para trás.
Portanto, aproveite enquanto pode, porque talvez nunca mais vejamos esse tipo de domínio dentro do octógono.
-- Helwani
Demetrious Johnson
Honras:
28-3-1 na carreira
12 vitórias em lutas por cinturão
Vencedor do campeonato peso mosca da ONE Championship em 2019
Lutas-chave:
Venceu Joseph Benavidez por decisão dividida pelo cinturão dos moscas do UFC (UFC 152, 22 de setembro de 2012)
Venceu Joseph Benavidez por nocaute no primeiro round pelo cinturão dos moscas do UFC (UFC on FOX, 14 de dezembro de 2013)
Venceu Henry Cejudo por nocaute técnico no primeiro round pelo cinturão dos moscas do UFC (UFC 197, 23 de abril de 2016)
Desde o início de 2010, Johnson tem 22 vitórias, incluindo 11 defesas consecutivas de cinturão no UFC, um recorde. Como campeão dos moscas, ele lutou contra uma variedade de estilos e foi completamente dominante contra todos eles.
Suas únicas derrotas no UFC foram contra Dominick Cruz (provavelmente o maior peso galo da história do esporte) e Henry Cejudo (até recentemente, um campeão de dois pesos que conseguiu vencê-lo por uma decisão dividida muito estreita). Durante o trecho do título, Johnson foi o epítome de um artista marcial completo. Ele fazia tudo - todos os aspectos do MMA - em nível de classe mundial. E ele fez isso por um longo tempo.
O único argumento que você ouvirá contra Johnson é que ele não enfrentou o mesmo nível de competição que alguns dos outros campeões da década passada. Não é um argumento injusto, embora certamente exista uma chance de exagerar. Joseph Benavidez é um lutador de elite, e Johnson o nocauteou em um round. Cejudo provou ser um dos melhores de sua geração, e Johnson o nocauteou em um round. Johnson se colocou várias vezes à frente de seus concorrentes. Provavelmente não existe um lutador perfeito, mas Johnson testou essa teoria nos últimos 10 anos.
