<
>

Fernando Diniz como jogador do Palmeiras: transferência em dólar e comandado por Luxemburgo

Neste sábado, o Palmeiras recebe o São Paulo, às 19h (de Brasília), no Allianz Parque, pelo Campeonato Brasileiro.

Será o reencontro de dois velhos conhecidos: os técnicos Vanderlei Luxemburgo, do Verdão, e Fernando Diniz, do Tricolor, que já trabalharam juntos.

Como jogador, Diniz atuou pelo Verdão em 1996, durante a disputa do Brasileirão, e foi comandado por ninguém menos que Luxa.

Sua passagem pelo Palestra Itália foi rápida e terminou sem títulos, mas foi recheada de histórias curiosas.

No ano seguinte, ele se transferiu para o rival Corinthians, e acabou conquistando o Paulistão de 1997 pelo Timão.

Relembre algumas histórias de Diniz no Palmeiras:

TRANSFERÊNCIA EM DÓLAR

Fernando Diniz, então com 22 anos, foi contratado pelo Palmeiras no 2º semestre de 1996, depois que o famoso "time dos 100 gols" conquistou o Campeonato Paulista de maneira arrasadora e alcançou também à final da Copa do Brasil, sendo derrotado pelo Cruzeiro.

O meio-campista chegou ao Alviverde após passagens por Juventus da Mooca e Guarani, e custou US$ 120 mil à Parmalat, empresa que geria o futebol do Verdão.

À época, o valor era praticamente equivalente a R$ 120 mil. Corrigindo o montante pelo INPC, seria como se hoje a negociação tivesse sido por cerca de R$ 500 mil.

Em sua apresentação no Palestra Itália, o jovem meio-campista mostrou personalidade e disse que mostraria que o investimento em seu futebol valeria à pena.

"Não vim para ser mais um. Se pagaram US$ 120 mil, é porque tenho valor”, afirmou, em declarações reproduzidas ne época pelo jornal A Gazeta Esportiva.

"Encaro minha ida para o Palmeiras com tranquilidade. Sei que irei jogar em um clube de massa, acostumado a ganhar títulos. Mas, se surgiu o interesse, é porque eu tenho valor", bradou.

A chegada de Diniz, aliás, fez parte da reformulação do elenco palestrino naquele ano, já que alguns dos melhores jogadores do time, como Rivaldo, foram vendidos para a Europa.

SÓ UM GOL

Segundo números do "Almanaque do Palmeiras", Fernando Diniz fez apenas 22 jogos pelo Palmeiras durante o 2º semestre de 1996.

Sendo aproveitado na maioria das vezes como opção para o 2º tempo, ele fez só um gol com a camisa palestrina.

O tento solitário saiu em uma vitória por 2 a 1 sobre o Santos, em 9 de setembro de 1996.

No lance, Djalminha levantou com perfeição e Diniz apareceu de surpresa, na pequena área, para completar de chapa para o gol de Edinho.

Freddy Rincón marcou o outro tento palmeirense na partida, enquanto Alessandro Cambalhota descontou para o Peixe.

A trajetória de Diniz no Palestra Itália acabaria nas quartas-de-final do Brasileirão, já que o Alviverde foi eliminado pelo Grêmio de Luiz Felipe Scolari.

Curiosamente, Felipão seria campeão nacional pelo Imortal e, no ano seguinte, iniciaria sua trajetória como técnico do Palmeiras.

'UM CARA SOSSEGADO'

Segundo o ex-zagueiro Sandro Blum, que foi companheiro de Diniz em 1996 no Palmeiras, o então jovem meio-campista era bastante tímido quando chegou ao Palestra Itália.

Em entrevista à ESPN, Blum recordou com carinho a amizade com o ex-colega de equipe e o descreveu como bom jogador e um "cara sossegado".

"O Diniz era um menino vindo do Guarani, bem na dele. Era bem introvertido, não era da galera da brincadeira e da pesada que aprontava uns com os outros. Ele era bem sossegado e ponderado", recordou.

"O perfil dele era algo para se trabalhar como treinador mesmo. Muito focado. Era muito inteligente, rápido e habilidoso. Era um desafogo para gente em campo. Era bem sossegado, bem parceiro e nada estava ruim para ele", contou.

Sandro ainda destaca que Diniz escutava com muita atenção às ordens de Vanderlei Luxemburgo e seguia à risca tudo que o treinador pedia.

"O Fernando queria mostrar o trabalho dele em um grupo com muitos jogadores de seleção brasileira. Era um cara que tinha muita responsabilidade obediente taticamente e fazia tudo o que o Vanderlei pedia para fazer", salientou.

Como treinador, porém, Diniz é conhecido por às vezes ser bastante explosivo, dando broncas fortes em seus jogadores no vestiário e até mesmo na beira do campo.

Outra curiosidade, aliás, que une Fernando Diniz e Luxemburgo: Márcio Araújo, que era auxiliar do "Pofexô" em 1996, hoje trabalha na comissão de Diniz no São Paulo.

MESÁRIO NA ELEIÇÃO

Um dos momentos mais curiosas da passagem de Diniz pelo Palmeiras aconteceu no 2º turno das eleições municipais de São Paulo, em 1996.

Na ocasião, o Verdão, que estava em 5º no Brasileiro, se preparava para um jogo importantíssimo contra o Atlético-MG, 4º colocado, quando teve um "desfalque" inesperado.

Fernando Diniz, assim como o goleiro reserva Marcelo, foram convocados para serem mesários na votação, e desfalcaram os treinos prévios à partida pelo Brasileiro.

Os dois atletas tiveram que deixar a concentração do Palmeiras, que estava treinando em Serra Negra (a 150km de São Paulo), para trabalharem na eleição, que terminou com vitória de Celso Pitta, do PPB, sobre Luiza Erundina, do PT.

À época, Diniz reclamou bastante de ter que ser mesário novamente. Ele já havia sido convocado anteriormente, no 1º turno, e teve até que resolver problema na urna.

"Eu preferia ficar treinando com o grupo. Não é muito bom ser mesário", lamentou o então meia, que votou em Luiza Erundina.

"No 1º turno, a urna eletrônica da minha seção eleitoral teve um pequeno problema na impressão dos mapas eleitorais", recordou, segundo reportagem da Folha de S. Paulo.

Na conversa com a reportagem, Sandro Blum também relembrou o episódio.

"Naquela época, quando você era convocado, era obrigatório ser mesário. Não tinha como fugir! As coisas mudam muito, hoje em dia isso seria algo impensável! Como tirar um jogador para ser mesário?", questionou.

Mesmo tendo faltado aos treinos, Diniz foi relacionado para o jogo contra o Atlético-MG e entrou no 2º tempo. O Verdão ganhou por 2 a 0, gols de Djalminha e Leonardo.