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Artilheiro do Brasil em 2020, Léo Gamalho já deu carona para Falcão García e duelou com Boca na Bombonera

Artilheiro do Brasil em 2020 com 18 gols, Léo Gamalho se despediu do CRB-AL e vai defender o Al-Khor, do Catar. O atacante de 34 anos ainda é o principal goleador da Série B e também da Copa do Brasil.

Em entrevista ao ESPN.com.br, o “Ibrahimovic do Nordeste” revelou diversas histórias curiosas de uma carreira que conta mais de 15 clubes em sete países diferentes.

Carona para Falcao García

Após ser aprovado em teste, Léo jogou alguns anos na base do Grêmio e foi levado - antes de estrear no profissional - por um empresário ao River Plate.

“Fui morar com a minha família por um ano em Buenos Aires e foi uma experiência incrível. Não podia jogar partidas oficiais porque tinha que resolver algumas questões jurídicas com o Grêmio. Fui para o time b do River com jogadores que estavam nos juniores e desciam ao profissional. Fui colega de Falcao García, Conca, Higuaín e muitos outros”.

O atacante se surpreendeu com a boa recepção dos argentinos, que sempre falavam sobre Ronaldinho Gaúcho e Kaká.

“O Falcao era mais amigo porque a gente ia à reunião cristã toda segunda-feira que tinha em Buenos Aires. Assim que cheguei, comprei um carrinho e o buscava no estádio Monumental de Núñez, onde ele morava".

Vindo de uma família humilde, o astro colombiano ainda era um jovem desconhecido.

"Era bacana. A gente perdeu o contato com o passar dos anos, mas foi uma relação bacana. Um cara gente fina, fantástico e merecedor de tudo”, contou.

O brasileiro sofreu um pouco para aprender o idioma e se adaptar ao país.

“No começo era tudo novidade e eu subia algumas vezes para treinar com o time principal que tinha Cavenaghi, Maxi López e Salas. O camisa 10 era o Gallardo, que é o atual treinador do River. Foi uma das melhores coisas que vivi no futebol”, afirmou.

“Quando fui liberado no Grêmio poderia ter ficado na Argentina, mas fui contratado pelo Inter em agosto de 2004. Voltei para Porto Alegre porque minha família sentia falta do Brasil”, contou.

Léo ficou na transição do time B ao profissional e foi efetivado ao time principal por Muricy Ramalho, mas pouco atuou.

O atacante ainda passou por Botafogo, América de Cali-COL, América de Natal-RN, Valdeves-POR, Shenyang Dongjin-CHI, Grêmio Prudente-SP, ABC-RN, Caxias-RS, ASA-AL e Santa Cuz.

“No Santa Cruz vivi o melhor ano da minha carreira. Fui o vice-artilheiro do Brasil com 32 gols, atrás apenas do Magno Alves, que fiz 37. Fui tratado com muito carinho pelo torcedor, Fui artilheiro do Estadual, da Copa do Brasil e quase subimos para a Série A do Brasileiro”.

Apelidos

No Santa Cruz ele passou a receber vários apelidos. ”Eu usava cabelo solto e a torcida me chamava de Falcao Garcia e Cavani no Nordeste. No Ceará, às vezes a faixa caía no meio do jogo. O técnico Sérgio Soares falou para eu prender o cabelo para não atrapalhar. Nisso, o pessoal começou a me chamar de Ibrahimovic, mas não foi uma vontade de imitar”.

“Eu me divirto com os apelidos como Samurai ou pegam uma parte do meu nome e juntam com a de outro atacante. Já me chamaram de Léo Gamalhowski, Léo Gamalhovic e assim vai. Torcedor é brincalhão e eu levo na boa. Prefiro que me chamem pelo nome, mas levo numa boa”, afirmou.

Sósias

“O [zagueiro] Renan Fonseca é meu amigo e a gente jogava juntos em 2014 no Santa Cruz e até nos concentrávamos juntos. Ele raspava o cabelo, mas foi deixando ele crescer e passou a amarrar também. Ano passado eu estava no Criciúma e nos enfrentamos pela Série B. No meio do jogo, ele estava me marcando o tempo todo e o pessoal falava da nossa semelhança por causa do cabelo e da barba”.

“Para piorar, tinha um cara parecido com a gente atrás do gol e a câmera da televisão nos enquadrou. Falaram que algo do universo, os clones. Foi muito engraçado e dei risada. Mas eu não acho que nos parecemos”.

“Recebo até hoje muitas fotos e memes da galera por causa do lance. Esse ano nos enfrentamos de novo na segunda rodada da Série B, quando ele jogava no Oeste, mas não teve a mesma repercussão”. “Se a gente continuar sendo adversário ou jogarmos no mesmo time será assim em todas as partidas. Eu falo para o Renan cortar o cabelo, mas ele diz para eu raspar a minha barba. Mas eu fui o primeiro a usar o visual (risos)”.

Em 2015, ele foi campeão baiano pelo Bahia e vice-campeão da Copa do Nordeste.

“Formamos um ataque chamado de KGB que fazia muitos gols. Era o Kieza, eu e o Maxi Biancucchi [primo de Lionel Messi]”.

Duelo com Boca

Léo jogou depois pelo Avaí e foi emprestado por seis meses ao Nacional-URU para a disputa da Copa Libertadores da América.

“Os jogadores uruguaios jogam com muito mais raça do que os brasileiros. Se precisar colocar a cabeça na chuteira adversária para disputar a bola eles não têm medo. Aprendi demais e cresci como jogador”, contou.

O Nacional eliminou o Palmeiras na primeira fase e passou pelo Corinthians nas oitavas. O adversário nas quartas foi o Boca Juniors. Depois de um empate em casa, a equipe uruguaia vencia por 1 a 0 até o final na Bombonera.

“A torcida deles gritava demais a cada lance e a sensação era de que o estádio ia desmoronar. O gramado treme! Nós levamos o empate no final do jogo e a decisão foi para os pênaltis. Chegamos a ter a chance de vencê-los nas penalidades, mas o goleiro Orión, do Boca, pegou três cobranças. Foi difícil assimilar essa derrota, mas foi um jogão. Merecíamos ter classificado”.

Léo ainda atuou em Goiás, Ponte Preta, Pohang Steelers-COR e CRB.

“A Coreia é um lugar de primeiro mundo que a minha família adorou conhecer. Nas folgas, a gente viajava pelo país e meus filhos começaram a ouvir K-Pop. Os coreanos são bem severos e cobram bastante os jogadores no futebol. Eles treinam demais, nunca tinha visto nada igual”.