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Árbitro de Palmeiras x Sport participou de 'A Fazenda' e relembra 'roça' contra Vavá, do Karametade

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Sormani fica indignado com o VAR: 'Não deve mais ser usado em impedimento! O erro pode chegar a 30 cm! Como vou confiar?' (4:53)

Felipe Arruda Moura, um dos responsáveis pelo Laboratório de Biomecânica Aplicada da Universidade Estadual de Londrina (UEL), falou sobre a imprecisão do VAR (4:53)

Em tempos em que o VAR tomou o protagonismo no futebol nacional, um árbitro pode bater no peito e dizer que não tem medo das câmeras. Trata-se de Diego Pombo Lopez, que, neste domingo, apita a partida entre Palmeiras e Sport, às 19h45 (de Brasília), no Allianz Parque, pela 10ª rodada do Campeonato Brasileiro.

Isto porque Diego, que é fisioterapeuta de formação, mas também trabalha como modelo, já participou do famoso reality show "A Fazenda", que está em sua 12ª edição na TV Record.

Na ocasião, ele foi cortejado pela produção do programa, mas inicialmente recusou. Um ano depois, ele recebeu novo convite, e desta vez disse sim.

"Em 2011, recebi convite da Record para participar de 'A Fazenda' e neguei. Eu tinha começado a fazer alguns trabalhos de modelo, e isso despertou a atenção deles. No ano seguinte, porém, eu aceitei. Estava num momento conturbado em relação à arbitragem na época. Eu era muito novo, estava com 23 anos, e acabei aceitando", contou, em entrevista à ESPN.

Assim que fechou contrato, o juiz pediu licença da arbitragem e mergulhou de cabeça no reality show.

Diego participou da 5ª edição do programa, que teve vários nomes conhecidos, como a cantora Gretchen, a modelo Nicole Bahls, a apresentadora Penélope Nova, o cantor Vavá (do grupo de pagode Karametade) e a atriz Viviane Araújo, que acabaria como campeã, levando o prêmio milionário.

Oito anos depois, o árbitro, que está novamente consolidado na 1ª linha da CBF, lembra com carinho dos dias que passou confinado com tantos "malucos".

No entanto, ele admite que estar em um programa de TV sendo filmado 24 horas por dia não é para qualquer um.

"Foi uma experiência muito bacana, porque eu convivia com pessoas com quem não tinha afinidade e nunca tinha visto pessoalmente na vida. Cada um com seu jeito de ser, estilos de vida diferentes e formas de pensar diferentes", recordou.

"Ficar lá é um desafio muito grande. É complicado não ter privacidade e estar longe da família e dos amigos. Todo dia é uma prova de resistência, mas, no final, foi uma experiência bacana. A gente estava o tempo todo em contato direto com a natureza e tinha que cuidar dos animais. Para mim foi tranquilo, não tive tanta dificuldade", salientou.

O árbitro passou quase dois meses no confinamento, sendo o 7º eliminado eliminado da atração. No tempo em que ficou na casa, formou fortes laços com dois peões.

"Fiquei 60 dias na fazenda, e fiz amizades muito bacanas com o Rodrigo Capella, que é humorista, e com o Vavá, que todos conheciam do Karametade. A gente conversa até hoje e dá muita risada lembrando das coisas. Na época do programa a gente brincava muito para não deixar a rotina nos estressar", relatou.

Diego foi eliminado justamente em uma "roça" contra Vavá, seu grande amigo. A votação foi apertada, mas o juiz acabou derrotado e deixou o programa.

"Eu fui para a roça com o Vavá e acabei eliminado. O mais difícil da situação foi ir contra um amigo. Foi apertado, mas eu saí com 52% dos votos", afirma Diego, que admite que o fato de ser menos famoso do que o cantor acabou pesando.

"O Vavá sempre foi muito conhecido no Brasil inteiro, e eu era um árbitro em início de carreira, pouca gente me conhecia. Claro que teve aquela tensão, mas não era nada absurdo, consegui controlar. A vida é completamente fora daquilo ali", observou.

A participação em "A Fazenda" ocorreu durante um período sabático que o juiz tirou de seu trabalho nos campos. Por um tempo, ele até pensou em se enveredar pelo meio artístico, mas acabou vendo mesmo que sua vocação era o futebol.

"No total, eu fiquei um ano afastado da arbitragem. Nessa época, trabalhei bastante como modelo e também fiz alguns cursos de interpretação, mas nunca tive dom para ser ator. Foi algo rápido e logo percebi que não era minha praia", contou.

"Aquele período foi um mundo de 'oba-oba'. Hoje, eu sou agradecido pelas experiências, porque me ajudaram a ficar centrado de novo em uma época em que eu não tinha maturidade", completou.

INÍCIO E RETOMADA NA ARBITRAGEM

Nascido em Salvador, Diego Pombo sempre gostou de futebol, e acabou entrando no mundo da arbitragem por meio de um amigo.

"Sempre gostei de futebol desde pequeno, mas nunca tentei ser jogador. Por acaso, eu malhava na mesma academia que o Alessandro Matos, que é auxiliar Fifa e era bem meu amigo. Nisso, fui fazer o curso de arbitragem da Federação Baiana aos 16 anos. Em 2002, comecei apitando jogos de várzea e categorias de base", relembrou.

Foi no futebol amador que o baiano criou a "casca" necessária para ser juiz no Brasil.

"A várzea foi minha primeira escola. Cada jogo é uma aventura. Não tem nenhum tipo de segurança, você vai na cara e na coragem. Houve muitos momentos tensos, mas eu nunca fui agredido, mesmo sendo bem magrelo (risos)", brincou.

"Eu sempre tentava colocar respeito, porque já estava pensando lá na frente. Eu entendia que a várzea era uma etapa de aprendizado, e foi muito interessante", acrescentou.

Diego morre de rir ao lembrar uma de suas grandes aventuras na várzea.

"Teve um jogo eliminatório que era muito quente. Só se falava a semana inteira nisso. Aí a liga local mandou dois seguranças para me acompanhar na partida. Quando o negócio começou a esquentar, olhei para ver onde eles estavam... E os dois estavam tomando cachaça no bar (risos). Na hora eu pensei: 'Hoje estou f***! Não vou sair vivo daqui!'. Ainda bem que não precisou (risos)", gargalhou.

Aos poucos, o juiz foi tomando o caminho da arbitragem profissional.

"Eu fiz de tudo: bandeirei, fui 4º árbitro... Em 2007, comecei na 2ª divisão baiana como árbitro profissional. No ano seguinte, subi para a 1ª divisão e, em 2009, fui para a CBF", relatou Lopez, antes de lembrar suas partidas favoritas.

"Os jogos mais marcantes para mim foram dois. O primeiro foi no Campeonato Intermunicipal, que é muito valorizado na Bahia. É amador, mas organizado pela Federação. São estádios lotados e um nível técnico altíssimo. E, no profissional, foi um Itabuna x Poções, pela 1ª divisão do Baiano de 2008", afirmou.

"Aí, em 2010, fiz meu primeiro jogo de Série B, que foi um ASA x Ponte Preta. Em 2001, a estreia na Série A, com Figueirense x Grêmio, no Orlando Scarpelli".

Ao mesmo tempo que trabalhou como juiz, Lopez exerceu sua "outra" profissão.

"Eu sou fisioterapeuta de formação, e trabalho com atletas fora do futebol. Depois, fui trabalhar com fisioterapia respiratória em emgerência num hospital público da Bahia. Atendia muitos pacientes baleados, enfartados e esfaqueados. Fazia em média uns dois plantões de 24 horas na semana", contou.

"E, em 2012, tirei a licença da arbitragem por causa da participação em 'A Fazenda'", citou.

Falando sobre seu período sabático, Diego diz que não se arrepende das decisões tomadas.

"Minha carreira no começo foi bem meteórica, mas eu tinha muita responsabilidade. Sempre encarei a arbitragem com muita seriedade. E eu me afastei dela exatamente pelo comprometimento que sempre tive", assegurou.

Conforme o tempo foi passado, porém, a saudade da arbitragem bateu, e ele não pensou duas vezes em retornar.

"Fiquei com saudades do futebol, e recebi um convite da Federação para voltar. Retornei a apitar o Baiano e, dois anos depois, fiquei de vez na arbitragem e me afastei de todo o resto. Voltei a ficar 100% na vida de juiz, que eu me desviei um pouco na época. Mas a arbitragem sempre foi meu desejo de vida maior", salientou.

"Retomei a carreira em 2013, na abertura do Campeonato Baiano, e, em 2015, retornei para a CBF. Fiz um outro curso de arbitragem, para estar sempre no mesmo nível que todos. Sempre honrei todos os protocolos e exigências da CBF. Aos poucos, fui subindo os degraus todos de novo, até retornar à Série A", exaltou.

"Meu objetivo e sonho é integrar o quadro da Fifa para poder fazer jogos internacionais. Hoje, existem só 10 árbitros Fifa no Brasil. Meu objetivo é fazer parte dessa lista", complementou.

ESTÁDIOS VAZIOS E VAR

Para Diego Pombo, o ambiente do futebol mudou muito com os estádios vazios pela pandemia de COVID-19, mas principalmente para os jogadores. O árbitro garante que, para os homens do apito, as coisas seguem as mesmas.

"Sem a torcida, é claro que você perde a atmosfera que tinha antes. Mas, para a gente, apitar não mudou quase nada... Apenas a questão de manter a mesma firmeza ao que se é falado em campo. Os jogadores têm sempre que manter o equilíbrio e o respeito, porque absolutamente tudo que é falado é escutado pelos juízes", afirmou.

"Eu falo sempre aos jogadores: 'Vocês são ídolos e exemplos para muitas crianças. A forma como vocês agem serve de espelho para elas'. Tento sempre passar a importância desse bom exemplo para os outros", explicou.

Sobre as muitas polêmicas do VAR no atual Campeonato Brasileiro, o baiano é claro em sua visão sobre a ferramente.

"O VAR foi a melhor coisa que aconteceu ao futebol, por mais que tenha muita gente que reclama. A ferramente trouxe justiça ao futebol. Não existe mais de um clube vencer por conta de um equívoco da arbitragem. A gente precisa julgar muitos lances, e o VAR veio para trazer legitimidade e justiça ao futebol", sentenciou.

"Atuar com o VAR é um privilégio muito grande. O juiz de campo precisa decidir tudo o que vê, mas, se houver um equívoco, existe um 'anjo da guarda' chamado VAR para nos corrigir", comparou.

"E eu já fui assistente de VAR na cabine. É preciso manter uma frieza muito grande para analisar todos os detalhes dos lances, para não deixar passar nada. Precisamos fazer jus à tecnologia, pois não pode haver equívocos", acrescentou.

Sobre a chance de apitar Palmeiras x Sport, neste domingo, no Allianz Parque, Diego se mostra confiante em fazer uma partida tranquila.

"Estou num momento muito bom na arbitragem. Venho numa progressão muito positiva e bacana. Estou me dedicando há muitos anos para ter essas oportunidaes. Agarro todas com afinco para condizer com as escalas. A comissão está dando um respaldo muito grande ao nosso trabalho, por meio do (Leonardo) Gaciba. Palmeiras x Sport será um jogo bem interessante. Tenho convicção de que faremos um excelente trabalho", encerrou.