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Artilheiro do Brasil em 2020, Léo Gamalho desabafa e revela que quase largou o futebol há dois anos

Artilheiro do Brasil em 2020 – ao lado de Gabigol, do Flamengo - com 16 gols, Léo Gamalho passa por um momento especial. O atacante de 34 anos do CRB-AL é o principal goleador da Série B e também vice-artilheiro da Copa do Brasil.

Uma situação bem diferente da vivida pelo “Ibrahimovic do Nordeste” há duas temporadas, quando ele quase parou a carreira.

“Em 2018 vivi o ano mais difícil da minha vida. Eu guardo esse segredo até hoje, mas vou poder falar para vocês da imprensa e aos torcedores uma hora. Queria largar o futebol. Foi um momento complicado porque não tinha mais alegria e nem vontade de jogar”, revelou o jogador, ao ESPN.com.br.

“Foi uma situação bem complicada, mas me deu ainda mais vontade de superar. Hoje, estou bem feliz com o que faço e quero jogar o maior tempo possível”, contou.

Do Grêmio ao Inter

O atacante começou na base do Grêmio, em 1997. Aos 17 anos, passou uma temporada no time b do River Plate-ARG antes de ser contratado pelo Internacional, em 2004.

“Fiquei na transição de sub20, time B e profissional. Depois da Copa São Paulo de 2005, o técnico Muricy Ramalho me chamou para a equipe principal”.

“Fiz apenas um jogo pelo Inter [na Copa do Brasil de 2005] contra o Friburguense-RJ. Eu tive um problema de púbis, e o time tinha um ataque fantástico. Era complicado jogar”.

Sem chances no Beira-Rio, Léo Gamalho se transferiu para o Botafogo, mas foi dispensado com a chegada do técnico Cuca. Em seguida, passou poucos meses no América de Cali-COL porque não conseguiu se adaptar ao país.

Depois, o atacante defendeu o América de Natal antes de ir para o Valdeves, da terceira divisão portuguesa.

“Minha filha nasceu lá. Fiz muitos gols, mas teve uma crise econômica mundial muito forte. Meu time passou por dificuldades e tive que sair”, contou.

Sopa de tubarão na China

Em 2009, o jogador foi atuar no Shenyang Dongjin, da China, que ainda não era um dos centros mais ricos do futebol mundial.

“No começo era bem difícil, mas foi muito legal viver por lá. É um país com uma alimentação e uma cultura muito diferentes”.

O atacante viveu uma situação inusitada durante um jantar do clube com as famílias, quando foi servida uma sopa de tubarão para o brasileiro comer.

“O problema é que pela cultura deles você não pode recusar. É considerado falta de respeito, mas eu não provei (risos)”.

Andanças pelo Nordeste

Léo Gamalho voltou ao Brasil para jogar pelo Grêmio Prudente no Paulista e na Série B do Brasileiro. Ele ainda defendeu ABC-RN, Caxias-RS e ASA-AL, quando passou a jogar mais por clubes do Nordeste.

“Tenho um carinho muito grande pela região porque sou muito bem tratado. Quando me perguntam por que mudei tantas vezes de clube eu digo que é porque a minha família adora viajar. Quando vamos para um lugar novo meus filhos se empolgam. Eles ficam felizes e perguntam se tem praia”.

Em 2014, no Santa Cruz, o centroavante viveu o melhor ano da carreira. "Fui o vice-artilheiro do Brasil com 32 gols, atrás apenas do Magno Alves, que fez 37. Fui tratado com muito carinho pelo torcedor. Fui artilheiro do Estadual, da Copa do Brasil e quase subimos para a Série A do Brasileiro”.

Léo Gamalho jogou depois por Ceará, Bahia, Avaí e Nacional-URU, Goiás e Ponte Preta antes de ir para o Pohang Steelers, da Coreia do Sul.

“É um lugar de primeiro mundo que a minha família adorou conhecer. Nas folgas, a gente viajava pelo país e meus filhos começaram a ouvir K-Pop. Os coreanos são bem severos e cobram bastante os jogadores no futebol. Eles treinam demais, nunca tinha visto nada igual”.

Sucesso no CRB

“O CRB queria me contratar ano passado, mas por razões pessoais eu preferi ficar mais perto de casa e joguei pelo Criciúma. Naquele momento era o melhor para mim”.

“Neste ano eles me convidaram e não pensei muito porque já tinha passado por Alagoas e tinha um carinho. Estamos bem desde o começo do ano porque fomos campeões Estaduais, avançamos na Copa do Brasil e brigamos na Série B. Estou muito feliz por tudo que tenho passado”.

“Fiquei em Maceió treinando em casa durante para me manter bem. Voltei bem da quarentena e estou colhendo os frutos. Ainda tenho muitas metas para realizar na carreira, mas prefiro guardar para mim mesmo”.