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O dia em que Jürgen Klopp acordou em uma caçamba de lixo após ser campeão: 'Ninguém sabe como'

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A temporada 2020/21 da Premier League começa em 12 de setembro, com cobertura total no ESPN.com.br e transmissão dos canais ESPN, FOX Sports e ainda no ESPN App. Atual campeão, o Liverpool conta com a genialidade do técnico Jürgen Klopp para conquistar o 2º título em sequência, o que não ocorre desde os anos 80.

O alemão é conhecido tanto por sua expertise tática quanto pelo jeito espontâneo e fanfarrão, que faz com que ele seja admirado até mesmo por torcedores rivais. E quem conhece Klopp há muito tempo sabe que ele nunca foi um "personagem". Sua personalidade é exatamente essa, com todas as maluquices envolvidas.

É o caso do ex-meio-campista Antônio da Silva, que trabalhou com o comandante no Mainz e depois no Borussia Dortmund, time pelo qual conquistou duas Bundesligas e uma Copa da Alemanha com o hoje treinador dos Reds.

Aposentado desde 2013, quando encerrou sua carreira pelo Duisburg, o brasileiro conversou com a ESPN e relembrou como conheceu Klopp, que pendurou as chuteiras em 2001, no Mainz, e logo em seguida virou treinador do time. Antônio chegaria dois anos depois, e eles trabalhariam juntos por três temporadas.

"A gente começou a trabalhar junto mais ou menos entre 2002 e 2003. Não tinha muito tempo que ele havia se aposentado, então ele era meio jogador e meio técnico ainda. Para a gente foi muito bom, porque ele 'falava nossa língua' e vivia intensamente as coisas como se estivesse dentro de campo", contou.

Antônio, que passou pela base do Flamengo antes de se aventurar ainda jovem no futebol alemão, destaca que Klopp é genial tanto na parte tática quanto na motivacional.

"O Klopp tem uma mente espetacular, e ele fala com o jogador de um jeito que é como se ele fosse colega de equipe. A forma como ele dá as instruções é muito fácil de entender, e nos treinos ele te passa muita confiança naquilo que fala. Isso sem nem citar que ele é um mentor fora de série. Realmente é um cara que sabe motivar todos para caramba", afirmou.

"É demais a forma como ele motiva o grupo antes do jogo. Eu passei por vários clubes e nunca vi nada igual na minha carreira. É de arrepiar! E eu tenho alguns amigos no Liverpool que dizem que ele segue o mesmo, e que ainda arrepia a todos da mesma forma", salientou.

NA CAÇAMBA DE LIXO

Antônio da Silva revela que, em seu início de carreira, Jürgen Klopp também adorava sair para comemorar a farrear com os jogadores após vitórias emblemáticas - e com cerveja e balada no pacote!

"A gente saía muito, porque, no Mainz, a gente ganhava quase todas (na temporada 2003/04), tanto é que subimos para a Bundelisga. E essa alegria do Klopp era fundamental para nossa equipe, pois nós éramos muito unidos. Era um grupo sem estrelas. E o Klopp nunca trabalha com as estrelas: ele faz as estrelas", filosofou.

"Ele sempre participava de tudo que a gente fazia. Podia perder ou ganhar, mas estava sempre junto com a gente para sair. Isso para nós, como jogadores, era algo inimaginável. Mas esse era o Klopp", exaltou.

"Ele sempre fez de tudo para manter a equipe unida no Mainz. Até hoje falam lá no clube que nunca teve um time que era tão amigo quanto aquele. Fora que a comissão técnica foi uma das melhores que eu tive na carreira toda. Isso tudo tem a assinatura do Klopp", explicou.

"A gente saía para os bares e baladas, e ele sempre estava junto com a gente. Era algo inimaginável. E o Klopp não queria nem saber se iam ver que ele estava na bagunça. Era algo meio que 'amanhã a gente resolve esse problema' (risos), gargalhou o brasileiro.

Foi nessa época que o técnico ganhou o apelido pelo qual é chamado até hoje pelos amigos mais íntimos.

"O apelido dele era Harry Potter, por causa da genialidade, do intelecto e das mágicas que ele fazia, mas também porque ele usava um óculos igual ao do personagem. Era nosso mágico (risos). A gente fez muita mágica junta no Mainz", divertiu-se.

Klopp nunca escondeu que também é grande fã de cerveja, como todo alemão que se preze. E, segundo Antônio, o treinador às vezes passava um pouco do ponto e dava o famoso "mim acher".

O episódio mais famoso aconteceu ao final da temporada 2010/11, quando o treinador foi campeão alemão pela 1ª vez com o Borussia Dortmund.

"Depois da festa do 1º título do Dortmund, ele acordou dentro de uma caçamba de lixo perto da casa dele (risos)", relatou Antônio, às gargalhadas.

"Te juro que ninguém sabe como isso aconteceu (risos)... Mas, quando nós ouvimos a história, eu e o (zagueiro Neven) Subotic, que já tinhamos visto tudo e mais um pouco das coisas dele no Mainz, falamos: 'Isso aí para ele é até normal!' (risos)", sorriu.

A 'ÁRVORE DE NATAL'

Antônio da Silva chegou ao Dortmund a pedido de Klopp, que era fã de seu futebol desde os tempos do Mainz, em 2010.

Foi ali que o brasileiro testemunhou a "explosão" do técnico, que enfileirou taças, colocando o poderoso Bayern de Munique no bolso, e chamando a atenção de todo o mundo.

Mesmo já aposentado há alguns anos, o meio-campista lembra perfeitamente as lições de Klopp, as táticas de perde-e-pressiona e os treinamentos que o marcaram.

"Desde que eu conheci o Klopp, eu sabia que era questão de tempo até ele estourar e virar um dos tops da Europa. O fomato tático que ele usa hoje é praticamente o mesmo o mesmo desde o início da carreira, com algumas variações. Os outros times é que precisam se virar para parar o estrago que ele faz", observou.

"A tática que ele usa a gente conhecia como 'árvore de pinheiro'. É um 4-3-3, com a linha de defensores, os três do meio, dois alas e um centroavante, fazendo o formato fechado que lembra a árvore de Natal", desenhou.

"Fora isso, ele é um grande entusiasta da marcação pressão dos atacantes sobre os defensores. Isso era algo que não era muito usado na Bundesliga até o Klopp começar. Ele dava aula pra montar sistema de marcar com dois ou três em cima. Assim que o outro time pegasse a bola, a gente tinha que colocar pressão imediata para recuperar e ter a bola o tempo todo", lembrou.

A intensidade dos treinos também era insana, como nos jogos.

"Os treinos dele eu nunca vi nada igual. Eram uma loucura! Ele colocava um contra um no campo todo. Era 11 contra 11, mas você tinha um marcador fixo, não podia se intrometer no duelo entre outros dois. O cara podia correr até o gol e quem estava imcumbido de marcar o cara tinha que se virar e correr atrás, pois só ele podia marcar. Assim, ele fazia a gente entender que tem que jogar futebol no campo todo", recordou.

"Para falar a verdade, tinha alguns treinos que no começo a gente não entendia nada (risos). Mas ele sempre teve seus méritos e conquistou tudo com eles. Ou seja: ele estava certo (risos)", finalizou.