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Whattimen: conheça o super-herói fã de Romário e ex-dono de quiosque que usa poderes de artilheiro para levar seu time para a Série D

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Histórias da Bola: Watthimen Ranney, do Ji-Paraná, explica origem do nome (0:31)

O atacante espera usar seus "super-poderes" para classificar o Ji-Paraná para a Série D do Brasileiro (0:31)

Em 2017, Watthimen Ranney levava uma vida que nada lembrava os tempos que jogou torneios importantes como o Campeonato Carioca e o Brasileiro da Série A. Bem acima do peso e há dois anos sem atuar por um clube, ele tinha montado um quiosque de salgados e sucos para sustentar a família.

Por conta do trabalho, ele nem sequer jogava no futebol amador ou nas peladas com os amigos aos finais de semana.

Até que um dia ele recebeu uma ligação inesperada do presidente do Brasília-DF, que jogava a elite do Candangão, em uma quarta-feira. O time lutava desesperadamente contra o rebaixamento e iria enfrentar no domingo o Brasiliense, líder da competição.

Ao ouvir a proposta, Watthimem explicou sua situação e disse que não era possível. A insistência do cartola o fez mudar de ideia. Depois de apenas um treino, ele foi para o jogo.

“Nós ganhamos fora de casa por 3 a 1 e eu ainda fiz dois gols. Dá para acreditar? Vi isso como um sinal de Deus para que retomasse a carreira”, contou o atacante ao ESPN.com.br.

Só mesmo um jogador com nome de super-herói para conquistar tal feito. Whattimen foi batizado em homenagem à série “Watchmen”, criada por Alan Moore e Dave Gibbons, que foi lançada como história em quadrinhos em 1985.

“Meu pai gostava de quadrinhos, mas minha mãe diz que meu nome vem também da Bíblia. Por incrível que pareça eu não li o gibi e não consegui ver o filme [dirigido por Zack Snyder] do Watchmen porque dormi em uma parte (risos). Acho que vou assistir”, admitiu.

Mas este não foi o único grande feito do jogador. Atualmente no Ji-Paraná-RO, ele fez os dois gols na vitória da equipe por 2 a 1 sobre o Nacional-AM na primeira partida da fase preliminar da Série D e que vale vaga na fase de grupos da competição.

O gol da equipe amazonense foi marcado por Jackie Chan.

“Estou recebendo muitas mensagens da galera por conta disso. Falaram que só o Whattimen para vencer o Jackie Chan (risos). Eu gosto muito do meu nome e toda vez que tem um jogo contra alguém que tem nome diferente dá essa repercussão”, contou.

Fã de Romário e torcedor do Cruzeiro, o atacante passou por Anápolis-GO e Atlético-GO, no qual foi artilheiro na base e virou profissional. Depois de jogar a Série A do Brasileiro pelo time goiano, ele rodou por equipes como Murici, Inhumas, Duque de Caxias e Volta Redonda.

Depois de ficar entre 2016 e 2018 praticamente afastado do futebol, ele voltou a jogar. Rodou por Luziânia, Alverca-POR, América-GO, Jataiense e Ji-Paraná.

Durante a paralisação do futebol por causa da pandemia, Watthimem precisou montar uma loja de produtos importados para se sustentar.

“Foram cinco meses que precisei me movimentar em outra área”, explicou.

Agora, o atacante espera usar seus “super-poderes” para classificar o Ji-Paraná para a Série D do Brasileiro.

“O futebol evoluiu muito, é um clube que acolhe bem os atletas. Sou muito grato ao presidente José Carlos, que contratou. O pessoal é honesto e tem boa estrutura para morarmos e treinarmos. Dependemos da vaga para permanecermos”, garantiu.