<
>

Hoje na Alemanha, Danilo Soares venceu a depressão e revela sonho: 'Jogar no Atlético-MG'

Danilo Teodoro Soares pode não ser famoso no Brasil, mas é um nome conhecido na Alemanha, onde fez quase toda a carreira profissional. O lateral-esquerdo do Bochum teve uma trajetória bastante inusitada até conseguir viver do futebol.

A ESPN Brasil transmite o amistoso Borussia Dortmund x Bochum, nesta sexta-feira, às 13h (de Brasília).

Antes de virar jogador, ele trabalhou em um bar e restaurante e até como fotógrafo de baile de debutantes.

Nos campos, ele passou por escolinhas em Venda Nova ao lado do meia Fred, atualmente no Manchester United, e ficou uma semana em testes no Cruzeiro, que tinha o atacante Dudu (ex-Palmeiras).

“Eles estavam jogando torneios. Eu não quis permanecer porque ficava mais vendo o treino deles do que treinava”, recordou em entrevista ao ESPN.com.br.

Logo após voltar para casa, Danilo passou por uma depressão depois que os pais se separaram.

“Fiquei seis meses sem estudar por causa disso. Parei de jogar bola e só ficava em casa. Fiz tratamento com remédios e melhorei. Voltei ao colégio, conheci minha esposa e fui melhorando. Ela me disse: Por que você não volta a jogar? Tenta!’”, afirmou.

Danilo passou a jogar em times de várzea de Minas Gerais quando foi apresentado por um amigo para um empresário que levaria jovens para a Holanda.

“Minha família me deu apoio e fiquei um mês na Holanda, mas não deu certo. Nisso, conhecemos um empresário austríaco que nos colocou para treinar e me levou para fazer testes no Austria Lustenau, da segunda divisão da Áustria”, contou.

Começo na Áustria

Depois de ser aprovado nos testes, o brasileiro assinou o primeiro contrato profissional com o time austríaco, no qual permaneceu por três anos.

Em 2013, o lateral foi para o Ingolstadt, da segunda divisão alemã. Após duas temporadas, ele ajudou a equipe no acesso para a Bundesliga.

Lesão e afastamento dos gramados

O problema é que ele passou a ter problema no osso de um dos pés e não conseguia jogar sem dores.

“No fim da temporada eu tive uma oferta do RB Leipzig e passei por exames médicos. O problema é que precisei operar porque estava perdendo os movimentos.”

Com a transferência frustrada, ele precisou operar duas vezes e ficou quase dois anos sem jogar regularmente. Depois de ficar sem clube, foi contratado pelo Hoffenheim, no meio da temporada 2016/2017.

“O time já estava brigando por vaga na Europa League e o treinador Julian Nagelsman foi bem claro: ‘Você terá um tempo de recuperação porque está muito tempo parado. Quando estiver preparado, vai ter oportunidade’. Eu sabia que não seria fácil porque tinha muitos jogadores bons.”

Danilo não conseguiu espaço e deixou a equipe no final da temporada.

“Meu desejo era voltar a jogar porque estava parado. Quando eu saí do clube, o Julian me chamou para conversar e foi bem claro: ‘Acho que você precisa de um clube onde terá oportunidade de jogar. Você precisa de ritmo de jogo.”’

“Eu o agradeci porque é muito difícil você sair de uma lesão e voltar para um time de primeira divisão com a estrutura que tem o Hoffenheim.”

Volta por cima

Danilo foi em 2017 para o Bochum, da segunda divisão alemã, clube no qual está hoje. “Vim para cá para recuperar meu ritmo de jogo e aparecer outra vez. Deu tudo certo nesta temporada. Estávamos brigando contra o rebaixamento e terminamos em oitavo”, afirmou.

No final da temporada, Danilo ficou livre no mercado e teve algumas conversas para sair.

“Eu tive uma proposta do Hannover de dois anos e de times da Turquia e da Grécia. Um empresário me disse que poderia conversar com Santos e Vasco, mas preferi ficar na Alemanha. Chegamos a ter uma conversa com o Schalke, mas eles não iriam me contratar naquele momento porque tiveram um problema com o patrocinador”, contou.

Com a indefinição do mercado, o brasileiro de 28 anos aceitou a oferta para renovar com o Bochum por mais quatro temporadas.

“Priorizei ficar na Alemanha pela qualidade de vida e segurança. Posso pegar a cidadania e vai ajudar minha filha no futuro. Com a instabilidade no futebol, não sabemos como ficará. Ou eu esperava para ver o que ia acontecer ou abraçava o projeto que o Bochum me ofereceu”, explicou.

Sonho de jogar no Atlético-MG

“Eu cheguei até a perguntar no meio do ano para o meu empresário para ver se o Atlético-MG não tinha interesse, mas eles contrataram o [Guilherme] Arana”, recordou.

“Meu sonho era jogar no Atlético-MG, que é o meu time de infância. Mas no Brasil não tem muita estabilidade. Eu acompanho as notícias e vejo muitos brasileiros sofrendo com atrasos de salários. Nunca passei por isso.”

“No futuro pode ser que mude de ideia depois que pegar minha cidadania para ter essa experiência. Mas não descarto permanecer na Alemanha”, acrescentou.

A decisão de permanecer pegou os torcedores do Bochum de surpresa.

“Tive uma aceitação muito grande porque nem eles esperavam que eu fosse ficar. Os torcedores me abraçaram de uma forma que nunca tinha visto. Hoje, estou me tornando uma pessoa mais considerada do que nos outros times que joguei”, finalizou.