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Élson, ex-Palmeiras: 'Eu, Diego Souza e Love íamos pra balada, mas puxávamos a fila nos treinos'

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No início dos anos 2000, o Palmeiras viveu um dos momentos mais difíceis de sua história. Após ser rebaixado para a Série B pela primeira vez, o clube palestrino teve que apostar em uma boa safra das categorias de base e também alguns "desconhecidos" no mercado para voltar à elite nacional.

Um dos nomes que ajudou o Verdão a se recolocar na Série A foi o meia Élson Falcão da Silva, que foi contratado pelo Alviverde após o Campeonato Paulista de 2003 e teve grandes momentos com a camisa palmeirense, especialmente na Série B de 2003 e no Campeonato Brasileiro de 2004.

Curiosamente, antes de auxiliar o Palmeiras se reerguer, Élson foi um dos responsáveis por rebaixar o gigante paulista no Brasileiro de 2002.

"Eu comecei no futebol na escolinha do Goiás e depois fui para o Infantil no Goiânia. Aí, um empresário me trouxe para o Ituano, aos 15 anos. Em 2000, subi para o profissional do Ituano, e depois fui duas vezes emprestado ao Vitória para jogar o Brasileiro, em 2000 e 2002", lembrou o ex-atleta, hoje com 38 anos, em entrevista à ESPN.

"Eu inclusive estava jogando pelo Vitória no jogo em que o Palmeiras foi rebaixado, lá no Barradão. Fui eu quem bateu a falta que o (zagueiro) Alexandre tentou tirar de peixinho dentro da área, e a bola acabou sobrando para o Zé Roberto fazer o gol", rememorou, mostrando memória afiada.

Na sequência, Élson voltou ao Ituano e fez ótimo Campeonato Paulista pelo Ituano e despertando a atenção de muitos clubes. O Palmeiras, porém, fez a melhor proposta e levou o meia, para alegria do jogador.

"Fiz um bom Estadual e o Palmeiras contratou eu e o (lateral-esquerdo) Lúcio juntos. Vários times também tentaram, como o Coritiba, pois a gente tinha ganho deles na Copa do Brasil. Mas era meu sonho jogar no Palmeiras, porque, desde a infância, eu sempre fui torcedor do Goiás e do Palmeiras", contou.

"Eu lembro que, quando chegaram as propostas, falei para o meu empresário que queria ir para o Palmeiras, e foi uma decisão muito acertada. Fomos campeões da Série B e recolocamos o Verdão no lugar do qual ele nunca deveria ter saído", exaltou.

IA PARA BALADA, MAS RESOLVIA

Entre 2003 e 2004, Élson viveu grandes momentos com a camisa do Palmeiras. Ao todo, foram 44 jogos e três gols marcados.

Poucos se lembram, aliás, que, no Brasileiro de 2004, o Verdão chegou a liderar e brigou pelo título até as rodadas finais, mas acabou perdendo fôlego após a venda de Vagner Love e ficou sem a taça.

"Aquele nosso time era muito f***! Ele começou a ser montado na Série B de 2003, ganhou alguns reforços em 2004 e estava muito bem. Se tivesse ficado aquele time, sem as saídas dos jogadores, pode ter certeza que a gente tinha vencido uns dois Brasileiros seguidos", afirmou.

"É só lembrar que a gente era líder do Brasileiro em 2004, inclusive goleando nossos rivais nos clássicos. Só que, quando venderam o Vagner Love, demos uma queda, pois infelizmente não chegou um outro atacante que fazia a diferença como ele estava fazendo naquela época", lamentou.

"2004 foi bom e ruim ao mesmo tempo. A gente perdeu a semifinal do Paulista e caiu nas quartas da Copa do Brasil. Depois, lideramos o Brasileiro por várias rodadas, mas perdemos o campeonato no fim. Ainda deixamos o time na Libertadores, o que foi muito bom, pois o elenco tinha vários atletas jovens. No geral, foi um ano muito bom, ainda mais se você lembrar que o Palmeiras tinha acabado de voltar da Série B, e tem muitos times que, no ano seguinte ao que sobem, brigam para não cair ou são até rebaixados de novo", argumentou.

Muito sincero, Élson também contou vários bastidores da equipe de 2003/2004, inclusive revelando que vários jogadores adoravam curtir a noite paulistana.

O ex-meio-campista, porém, garante que, apesar das saídas para casas noturnas, todos demonstravam comportamento exemplar no dia seguinte.

"Eu, o Vagner Love, o Diego Souza e o Lúcio andávamos sempre juntos e aprontamos várias. Nem lembro quantas vezes o professor Jair Picerni encobriu a gente (risos). Eu tinha 20 anos e fazia muita lambança, coisa normal para alguém dessa idade. Por isso, sou muito grato ao Jair e a outras pessoas por terem me encoberto e me ensinado as coisas da vida", relatou.

"A gente ia muito para balada naquela época, e aí chegava daquele jeito (risos). Mas a gente estava sempre bem, e puxávamos a fila do treino no dia seguinte. Teve até um dia que o Picerni falou; 'Calma, vamos parar de correr'. A gente era moleque, e aquela equipe estava voando. No quadrangular final da Série B ele deu uma segurada na gente e fomos campeões", ressaltou.

Élson afirma que é difícil resistir ao deslumbramento de chegar a um grande clube de futebol.

"A gente curtiu muito, tá louco! Não vou mentir para você. Do nada, você sai de uma equipe do interior e vira titular de um dos maiores times do Brasil. Todo lugar que eu ia não me deixavam pagar nada. Aí é f*** (risos)! A gente nunca fez nada de errado, nunca nos envolvemos com drogas, essas coisas. Mas precisávamos de um freio de vez em quando, senão a gente saía demais", admitiu.

O ex-camisa 7 alviverde também sente saudades da torcida palmeirense, apesar de lembrar que algumas vezes sofreu com as "cornetadas" da famosa "Turma do Amendoim".

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"A torcida do Palmeiras era bem legal, mas tinha uma galera da 'Turma do Amendoim' que era fora do normal (risos). Depois de 15 minutos, eles começavam a vaiar e xingar se não estivéssemos ganhando ou jogando bem. A pressão sempre foi gigantesca, mas é porque o Palmeiras é muito grande. A torcida de verdade é maravilhosa", elogiou.

HOJE, ESTÁ NA CONSTRUÇÃO CIVIL

Élson deixou o Palmeiras em 2005, quando foi levado pelo Stuttgart, da Alemanha, para jogar a Bundesliga.

Ao longo da carreira, ele passou por vários outros times importantes, como Cruzeiro, Goiás, Ponte Preta e Criciúma, antes de se aposentar no Castanhal, do Pará, em 2017.

"Castanhal é a cidade do meu pai. Eles estavam na 2ª divisão e me chamaram para ajudar por lá. Eu estava há três anos parado e acima do peso. Perdi 12 quilos, entrei em forma e subimos para a 1ª divisão. No ano seguinte, eu joguei a elite e fomos bem, acabamos em 5º. Aí eu parei de vez e me aposentei, mesmo", disse.

Atualmente, o ex-meia vive no litoral paulista e ainda gosta de disputar duas peladas, além de trabalhar com construção civil.

"Agora, eu moro em Juqueí e jogo futebol nos times daqui, como o Boca Juniors. Também jogo no clube social do São Paulo com Dodô, Gustavo Nery e Fabiano em um campeonato de veteranos. Nosso time é o River Plate", contou.

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"Fora isso, na vida normal, eu trabalho com meu amigo Augusto, que tem uma empresa chamada 'Ar Limpo', na construção civil. Eu não aguentava mais ficar parado, aí entrei para esse mundo. A gente constrói, repara, faz de tudo um pouco. É muito bacana!", finalizou.