<
>

Ex-colegas de La Coruña lembram craque Djalminha: 'Dar porrada era único jeito de não ser humilhado'

play
No Resenha, Nuno Espírito Santo exalta Djalminha: 'Na hora de competir, ele era o cara' (1:03)

Português e brasileiro foram companheiros de Deportivo La Coruña (1:03)

Em uma série de entrevistas ao jornal Marca, diversos ex-companheiros de equipe lembraram a genialidade do ex-meia Djalminha durante seus anos de Deportivo La Coruña.

O hoje comentarista da ESPN Brasil defendeu o "Depor" entre 1997 e 2004, após passagens por Flamengo e Palmeiras no Brasil.

Ele fez parte de vários "supertimes" do La Coruña, e ganhou Campeonato Espanhol, Copa do Rei e Supercopa da Espanha, marcando época no futebol ibérico.

De acordo com o ex-meia Fran, um dos maiores ídolos da história do Deportivo e grande amigo de Djalminha, o brasileiro era extremamente competitivo.

"Ele não gostava de perder nem nos treinos. Estava sempre muito comprometido. Tinha muito caráter, e demonstrava isso sempre que tinha chance", exaltou.

"Lembro uma vez que ele estava com o tornozelo machucado e improvisou uma espécie de uma bota para conseguir jogar. Estava lesionado, mas seu compromisso em relação ao time era altíssimo. Sobretudo nos momentos ruins, ele nunca se escondia e tentava tirar a equipe do buraco", elogiou.

Para Fran, Djalminha era tão único que é impossível compará-lo a outro jogador.

"No futebol atual, não há ninguém como ele. Era um futebolista diferente de tudo o que há por aí hoje. Xavi, David Silva, Iniesta, Neymar... Podem até parecer, mas são diferentes", dissertou.

"Ele era menos vertical que Neymar, por exemplo, mas era um desses brasileiros com condições técnicas endiabradas, mesmo que o físico não acompanhsse tanto. Não era rápido, mas sua mudança de ritmo e sua habilidade permitiam que ele tirasse o equilíbrio de qualquer um", descreveu.

Já o ex-lateral-direito Pablo Pinillos, que foi revelado na base do La Coruña, recordou que muitas vezes era o responsável por marcar Djalminha nos treinos, e frequentemente acabava desmoralizado pelo gênio.

De acordo com o ex-jogador, a única maneira de parar o brasileiro era na base da "porrada".

"Às vezes, há alguns jogadores que fazem coisas incríveis com a bola, mas que, efetivamente, não servem para deseuilibrar uma jogada ou causar dano real ao adversário. Mas Djalminha era diferente. Tudo o que ele fazia causava dano ao rival. Ele não dava pedaladas ou lambretas, mas qualquer coisa que fazia machucava o adversário. É provavelmente o melhor com quem atuei e certamente o que tinha mais capacidade criativa", rememorou.

"Eu era um jogador recém-subido do time B, e, a cada treinamento, tentava dar tudo de mim para ficar na equipe principal. Algumas vezes ele riu de mim com sua técnica nos treinamentos, mas uma vez dei uma pancada e ele ficou bravo. Dar uma porrada nele era a única forma de não ser humilhado. Mas essas coisas ficavam no campo", relatou.

Pinillos também recorda que Djalminha às vezes "sumia" nas partidas pequenas, já que ficava "entediado" de jogar contra rivais mais fracos. Segundo o ex-colega, o craque gostava mesmo é dos jogos contra os grandes.

play
1:15

No Resenha, Nuno Espírito Santo dá dicas para Alex virar treinador: 'Seja você mesmo e proteja suas ideias'

Técnico do Wolverhampton participou do Resenha ESPN de sexta-feira (19)

"Contra Levante, Racing Santander, Getafe, Leganés... Ele ficava entediado. Não gostava muito de jogar contra esses times. As partidas em que ele estava 100% motivado eram as contra os gigantes", afirmou.

A opinião foi corroborada pelo ex-atacante português Pauleta.

"Contra Real Madrid, Barcelona ou Celta de Vigo [clássico da Galícia], você sabia que ele ia ganhar a partida sozinho. Eu joguei durante a carreira com grandes craques, como Luís Figo e Cristiano Ronaldo, mas Djalminha me impactava muito", disse.

O ex-zagueiro Pablo Amo ainda relembrou as rodas de "bobinho" comandadas por Djalminha nos treinos.

"Ele conseguia colocar a bola aonde queria até com a orelha", brincou.

"Os 'bobinhos' eram uma tortura... Eu me lembro que havia acabado de chegar ao La Coruña e começamos a fazer um 'bobinho', que foi uma loucura. Ele também gostava do fut-tênis, batia na bola com qualquer parte do corpo e colocava onde queria. Nos próprios jogos ele fazia isso. Os passes de costas que dava eram incríveis. Se o que as pessoas viam nas partidas já era coisa de cinema, nos treinamentos era 10 vezes mais!", exagerou.