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São Paulo: César Filho revela como em 2004 quase colocou Ariel Ortega no Morumbi

Reportagem publicada dia 22/02/2019


Ariel Arnaldo Ortega foi um dos principais jogadores do futebol argentino na década de 90. Com apenas 17 anos, já era titular do River Plate e em 96 foi campeão da Copa Libertadores pelo time de Buenos Aires.

Apontado como sucessor natural de Diego Maradona, o meia jogou três Copas do Mundo (1994, 1998 e 2002), atuou na Europa e por muito pouco não veio parar no São Paulo.

Em 2004, 'Burrito' Ortega não jogava há um ano e meio por causa de uma briga com o Fenerbahce, que exigia o pagamento de uma multa de 11 milhões de dólares pela rescisão unilateral do contrato.

Ele havia sido contratado depois do fracasso argentino no Mundial da Coreia do Sul e do Japão, que caiu na primeira fase do torneio.

O meia tentou voltar ao River, mas foi impedido e chegou a anunciar sua aposentadoria com apenas 30 anos. Foi então que César Filho, hoje apresentador da TV Record, teve a ideia de oferecer o meia para o clube do Morumbi.

"Eu conversei bastante com o [técnico] Cuca, que estava querendo um meio-campista. Ele aprovou, mas disse que dependia da diretoria. Eu vi no noticiário que o Ortega estava afastado porque tinha ido para o Fener e não se adaptou por algum motivo. Ele resolveu não voltar à Turquia", disse César Filho, ao ESPN.com.br.

"O clube entrou na Fifa e o proibiu de jogar futebol para o resto da vida porque estava descumprindo um contrato. Na época eu falei com a [advogada] Gislaine Nunes, que fazia trabalho para vários jogadores. Ela analisou o caso e disse: 'Traz ele para o Brasil. Eu entro na Justiça do Trabalho e ele poderá jogar em dois ou três dias'. Ela me passou todas as partes burocráticas", relatou.

O apresentador, torcedor são-paulino, passou a cuidar da complexa operação para trazer o camisa 10 da Argentina na Copa do Mundo de 2002 para o Morumbi.

"Eu tinha uma amigo argentino que mora no Brasil que conhecia familiares próximos do Ortega. Consegui o telefone da casa dele e liguei. No começo ele ficou um pouco assustado, mas assim que dei as garantias para ele que iria jogar pelas leis trabalhistas do Brasil, ele super se animou. A gente ia pela Justiça do Trabalho, não pela Esportiva", afirmou.

Para evitar o assédio da imprensa e estragar a negociação, Ortega permaneceu "escondido" por um tempo em sua casa, em Buenos Aires. Enquanto isso, César Filho tentava convencer a diretoria do São Paulo de que o negócio era viável.

"A situação andou um pouco, mas no fim, a diretoria ficou com medo de sofrer represália. Eu falei com Juvenal Juvêncio, que era diretor de futebol à época, e eles acharam que a Fifa poderia fazer algo contra o clube", contou.

Após não acertar com o São Paulo, Ortega foi para Newell's Old Boys, que chegou a um acordo com o Fener e topou pagar cerca de 3,5 milhões de dólares. Na equipe de Rosário, 'Burrito' conquistou o Torneio Apertura.

"Seria bacana porque eu conseguiria fazê-lo voltar ao futebol e no meu time de coração. Mas não deu certo. Pelo menos fiquei feliz que depois ele voltou ao futebol e foi campeão. Resolveu sua situação. Talvez tenha sido até melhor para ele voltar à Argentina", admitiu.

Ortega ainda voltou para o River Plate e venceu o Clausura de 2008. Depois, sua carreira entrou em declínio - ele admitiu que teve muitos problemas com o alcoolismo - e ele ainda passou por times de menor expressão como Independiente Rivadavia, All Boys e Defensores de Belgrano antes de se aposentar, aos 38 anos.