<
>

Ídolo do Palmeiras, Cléber revela 'noites sem dormir' por proposta do Corinthians e pedido de Felipão: 'Fica, seremos campeões da Libertadores'

play
No Resenha, Roque Jr. contou de quando levou bronca de Luxemburgo por erro de Rincón: 'Estava com o olho vermelho olhando para ele...' (0:58)

'Rincón tinha errado para caramba, ele não falou um 'a'', contou o ex-jogador (0:58)

Em 1997, a vida de Cléber poderia ter mudado radicalmente. O zagueiro tinha uma carta na não dizendo que seria liberado pelo Palmeiras caso chegasse uma oferta com um valor estipulado.

Boa parte de seus colegas que formou o esquadrão montado pela Parmalat havia deixado o Palestra Itália nos últimos anos.

O destino do defensor, então com 27 anos, parecia ser o mesmo.

“Tive uma proposta excelente do Kashiwa Reysol, do Japão. O Palmeiras quis cobrir essa proposta, mas eu queria ir para garantir minha independência financeira”, recordou ao ESPN.com.br.

“Nisso, surgiu o [presidente] Alberto Dualib querendo me levar para o Corinthians. Ele me disse: ‘Me dá a carta que cubro essa proposta’. Você não tem noção! Fiquei noites sem dormir porque tenho uma identificação muito grande com o Palmeiras”, lembra.

“Eu falei para o meu empresário que não teria coragem de ir ao Corinthians. A história ficou entre mim, o empresário e Dualib. É a primeira vez que conto isso. Não teve andamento porque não tive coragem de iniciar uma conversa, e a notícia não vazou para a imprensa à época”, revelou.

Cléber recusou o Corinthians, mas ainda estava disposto a sair do Palestra Itália. A chegada do técnico Luiz Felipe Scolari, entretanto, mudou tudo.

“O Felipão me disse: ‘Fica, nós seremos campeões da Libertadores’. Isso me seduziu. O Palmeiras cobriu a oferta do Kashiwa e fiquei. Foi a melhor coisa que poderia ter feito”, garantiu.

O Palmeiras reformulou o elenco e trouxe jogadores experientes, como Paulo Nunes, Arce, Rivarola, Oséas, Júnior Baiano. Em 1997, a equipe foi vice-campeã brasileira após empatar com o Vasco em 0 a 0 nos dois jogos.

No ano seguinte, o time alviverde conseguiu a almejada vaga na Libertadores de forma dramática, ao vencer o Cruzeiro no Morumbi com um “gol espírita” de Oséas nos últimos minutos da final da Copa do Brasil.

“Existia um drama muito grande porque já tínhamos perdido a Copa do Brasil em 96 em casa para o Cruzeiro. Isso não poderia acontecer de novo”, conta.

No segundo semestre, o Palmeiras venceu a Copa Mercosul, novamente contra o Cruzeiro na decisão, que foi uma espécie de laboratório para 1999.

play
0:55

'Vou te quebrar': São Marcos conta quando deu chapéu em Clebão em treino e foi intimado 'com educação'

Resenha ESPN uniu os campeões da Libertadores de 1999 do Palmeiras em edição especial

Duelos inesquecíveis

O Palmeiras caiu em um grupo difícil na Libertadores de 99, ao lado de Cerro Porteño, Olimpia e o arquirrival Corinthians.

Depois de se classificar, o time de Felipão encarou nas oitavas o Vasco, então campeão do torneio. Depois de um empate em casa, o clube alviverde venceu o adversário em São Januário.

“O estádio lotado, era um ambiente muito pesado. Nós saímos perdendo, empatamos e conseguimos vencer por 4 a 2. Teve um gol lindo em uma tabela do Alex com o Paulo Nunes”, recordou.

Nas quartas, o Palmeiras enfrentou o Corinthians. Depois de vencer a primeira partida por 2 a 0, o time alviverde foi derrotado pelo mesmo placar na volta. Nas penalidades, Dinei e Vampeta erraram as cobranças que garantiram o alviverde nas semifinais.

“Foram os jogos mais difíceis da minha vida. O ataque deles nos deu muito trabalho. A gente jogou muita bola, e o Marcos fez defesas espetaculares. Foi aí que ele começou a aparecer ainda mais. Fomos perfeitos nas cobranças porque estávamos bem preparados”.

O último adversário antes da decisão foi o poderoso River Plate, que venceu o jogo de ida na Argentina por 1 a 0. Cléber sentiu uma lesão que o atrapalhou até o fim da competição.

play
2:43

Sentimento palmeirense x alta do dólar e Amaral perdido: César Sampaio relembra palestra de Joelmir Beting e leva Resenha às gargalhadas

Alex e Sampaio contaram que Clebão queria saber sobre o aumento da moeda amaricana durante a palestra e que depois Amaral ficou completamente perdido.

“Nós jogamos muito bem, mas fomos derrotados. Dentro do vestiário, o Scolari nos reuniu e disse para ficarmos tranquilos porque em casa iríamos conseguir o resultado”.

Das arquibancadas do Palestra Itália, Cléber viu o meia Alex fazer um dos melhores jogos da carreira, e o Palmeiras derrotou o River por 3 a 0.

A final

O zagueiro também ficou de fora da primeira partida da final, quando a equipe alviverde foi derrotada na Colômbia pelo Deportivo Cali por 1 a 0.

No Palestra Itália, ele voltou ao time, mas ficou no banco de reservas.

“Era o jogo que todos nós esperávamos porque iria coroar um trabalho de muitos anos. A gente sabia que era a chance das nossas vidas. Nós tivemos uma preparação muito boa e sentíamos uma tensão muito grande”, relembrou.

“O Deportivo Cali não foi a melhor equipe que enfrentamos, mas, por ser uma final, havia um nervosismo. Poderíamos ter vencido no tempo normal, mas os nervos ficaram um pouco alterados porque a gente estava lutando pela primeira Libertadores da história do clube”, afirmou.

Depois de vencer no tempo normal por 2 a 1 e empatar na prorrogação, o Palmeiras derrotou o Deportivo nas penalidades.

play
2:41

'Senhorini, me vê um biscoitini': História de Marcos faz Júnior chorar de tanto rir no Resenha

O ex-goleiro confessou as 'quebradas' de Júnior e de Pena nas viagens do Palmeiras para fora do Brasil.

“Nos pênaltis brilhou mais uma vez a estrela do São Marcos. As defesas dele na campanha toda me impressionam até hoje. Não é à toa que é ídolo dos torcedores e merece tudo isso”, elogia. “Foi uma explosão de felicidade. Eu só queria pegar a taça, beijá-la e dar a volta olímpica com meus companheiros. Sou muito grato por ter conquistado isso. Fizemos uma festa linda com os torcedores e ficará na minha mente para o resto da vida”.

“Foi um peso que tiramos das nossas costas porque era algo cobiçado desde que eu cheguei ao time, em 1993. Tive um sentimento de dever cumprido. Foi o maior título da minha vida como jogador, foi algo mágico!”, finalizou.