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Leandro chegou ao São Paulo após 'conversa no elevador' e hoje é dono de camarotes no Morumbi

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Birner, sobre Ceni x Gerrard: 'A defesa mais difícil de um goleiro em toda a história do futebol' (1:27)

'Eu olho aquela falta... e parece que a bola vai entrar! Ele tem que ir na bola antes... e deu sorte! Ele teve uma premonição. Nem o Gerrard acredita que o Rogério chegou naquela falta', completou o comentarista (1:27)

Reportagem publicada dia 29/01/2019


Se tem uma imagem que dificilmente sai da cabeça do torcedor do São Paulo, ela é a de Leandro, conhecido como Leandro Guerreiro, sobre as traves de um dos gols do Morumbi ao comemorar o título do Campeonato Brasileiro de 2006.

E por mais que ele tenha se destacado dentro de campo, sendo importante em parte de uma época bastante vencedora do clube, é muito por causa daquela cena que o agora ex-atacante é um dos jogadores mais idolatrados pelo são-paulino.

Esse respeito é tão grande, que hoje em dia Leandro é dono de um dos camarotes mais requisitados dentro do estádio Tricolor.

"Sou muito grato ao São Paulo. Realmente sou torcedor, acompanho bastante o time. Até porque tenho um camarote no estádio e costumo ir a muitos jogos", disse ele, em entrevista ao ESPN.com.br, em que detalhou seu investimento no camarote, local voltado para eventos empresariais, mas que também é aberto ao torcedor que deseja ter um conforto maior na hora de assistir os jogos do time do coração.

É de lá que Leandro costuma acompanhar as partidas acompanhado de alguns de seus ex-companheiros, como Jorge Wagner, Aloísio Chulapa e outros ídolos do São Paulo.

"Além do camarote, tenho também uma produtora de eventos. Nossa produtora produz vários eventos para revistas, shows, bastante trabalho. Estamos fazendo muitas coisas na região de Ribeirão Preto e começamos a entrar no mercado de São Paulo também", explicou.

Leandro passou por inúmeros clubes grandes do Brasil, como Fluminense, Grêmio, Vasco e até mesmo o Corinthians. Porém, foi com o São Paulo que ele construiu uma maior relação. E tudo isso começou graças a uma situação bastante inusitada.

"Eu estava no Fluminense e fui até o escritório do Juan Figger, meu empresário, aqui em São Paulo. No dia eu cruzei com o Juvenal Juvêncio e o Milton Cruz. Eu estava subindo o elevador e eles descendo, saindo do mesmo lugar (risos). Paramos para conversar e o Juvenal me perguntou se eu tinha vontade de jogar no São Paulo".

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"Era a realização de um sonho de criança. Sou são-paulino, mas sempre fui profissional e em todos os clubes que joguei dei o meu melhor. Acabou dando certo e acertamos tudo ali mesmo. Depois falei com o Muricy Ramalho e o Rogério Ceni pelo telefone e no dia seguinte já me apresentei para treinar", relatou.

"Foi uma coincidência que deu muito certo e sou muito grato ao São Paulo e aos torcedores pelo carinho e respeito que sempre me trataram. Foram dois anos e meio fantásticos", contou ele, comemorando bastante o encontro para lá de inesperado.

No período em que Leandro esteve no clube, o São Paulo conquistou dois títulos brasileiros, em 2006 e 2007. No ano seguinte, foi negociado com o Tokyo Verdy, do Japão e não participou da terceira conquista consecutiva.

Isso, porém, não é motivo de arrependimento para o ex-atacante, que já se sente parte da história do clube e do futebol brasileiro.

"O Brasileiro que conseguimos vencer com antecedência, em 2007, foi inesquecível. Acho que fomos os únicos que vencemos o torneio em outubro nos pontos corridos. Foi muito bacana porque era um grupo maravilhoso e era muito concorrido conseguir uma vaga no time", lembrou, dizendo que teve que adaptar seu jogo para conseguir atuar.

"Quando eu cheguei, tinham cerca de nove atacantes no elenco e eu entrei na fila. Eu fui esperar a minha vez e estava trabalhando tanto que a minha estreia foi como lateral-direito (risos). Depois fui para o meio e só depois fui jogar de atacante. Mas time grande é assim, você precisa estar preparado e sempre que o Muricy precisava, eu entrava e dava conta do recado."

Em sua passagem, o São Paulo vivia fase completamente diferente da atual. Se hoje em dia sofre para vencer clássicos, na década passada era soberano.

Tanto é que ficou quatro anos sem perder para o Corinthians. Durante esse período, uma partida é marcante para Leandro.

"Todos os jogos para mim foram especiais, sempre quando entrei dei o meu melhor. Os clássicos são sempre jogos à parte. Você entra mais motivado, adrenalina lá em cima e quer ganhar do rival. O clássico diferente foi em São José do Rio Preto contra o Corinthians, porque na véspera do clássico o Tevez disse que não conhecia nenhum jogador do São Paulo", comentou, relembrando uma entrevista do argentino em que provocou os jogadores do adversário, principalmente o meia Souza, dizendo, entre outras coisas, que "eles estão 'cagados'. Com medo de nos enfrentar".

A afirmação de Tevez, porém, foi por água abaixo, já que o São Paulo venceu por 3 a 1. "A gente foi lá e enfiou três gols neles (risos). Nem precisamos usar essa fala dele para nos motivar porque sabíamos da nossa qualidade e potencial. Vencemos com uma certa facilidade e fui muito feliz. Acho que esse jogo marcou nosso time".

Na ocasião, após a vitória, ainda nas rodadas iniciais do Brasileirão daquele ano, o time do Morumbi arrancou para o seu quarto título nacional, o primeiro dos três conquistados de maneira consecutiva.