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Como técnico transformou Athletico-PR de time de 'reis da balada' em campeão brasileiro

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Momento fofura! O bebê torcedor do Athletico-PR vai alegrar a sua quarentena (0:27)

O garotinho estava emburrado, mas soltou um largo sorriso ao ouvir a música do time paranaense | via @athleticoparanaense (0:27)

Reportagem publicada dia 23/12/2016


Em 2001, o Athletico-PR venceu o São Caetano por 1 a 0 no Anacleto Campanella e conquistou o Campeonato Mineiro de forma inédita. Foi um desfecho surpreendente, principalmente por causa do começo de campanha repleta de problemas da equipe rubro-negra naquela competição.

"Ou o Atlhletico acaba com a noite, ou a noite acaba com o Athletico". Essa foi a frase dita pelo técnico Mário Sérgio assim que deixou o comando do time paranense durante a competição. Assim que Geninho assumiu seu lugar, na 11ª rodada, precisou administrar o excesso de baladas dos jogadores, que atrapalhava o desempenho dentro de campo.

"Quando cheguei, o grupo era muito criticado e estava desmotivado. A declaração do Mário Sérgio era capa de tudo quanto é jornal. Isso me ajudou muito, por incrível que pareça. Eu usei muito isso ao meu favor, pegava o jornal e falava para eles: 'Vocês estão vendo isso aqui? Agora é a hora de responder dentro de campo'", disse Geninho, ao ESPN.com.br.

"Era um grupo de jogadores que, quando assumiu a responsabilidade, chegou até a final. Não era um time que deixou de fazer as coisas e virou santo de uma hora para outra. Eles saíam nas folgas, mas tinham muita responsabilidade nos treinos e nos jogos".

O Athletico-PR se recuperou ao longo da competição, ficou 12 jogos invictos e terminou a primeira fase na segunda posição. Depois disso, a equipe embalou de vez e contou com a força da Arena da Baixada em jogos únicos para chegar até a decisão.

"Nosso time foi se desenvolvendo durante a campanha, todos se completavam. O jogador de maior qualidade técnica era o Souza. O Kléberson cresceu demais, tanto é que foi para a seleção brasileira. O Adriano Gabiru corria muito, era nosso pulmão. Eu tinha um grande líder, que foi fundamental, que foi o Nem. Ele levava a responsabilidade e assumiu".

Além disso, contava com a dupla de ataque formada por Kléber Pereira e Alex Mineiro, que marcou 17 gols cada um.

"Os dois jogaram muito bem e foram fundamentais no título. O Alex na reta final desandou a fazer gols, a bola batia nele e entrava. Ele fez oito gols na fase final em quatro jogos.Tudo dava certo".

A equipe paranaense eliminou o São Paulo com uma vitória por 2 a 1 nas quartas de final e na semifinal derrotou o Fluminense por 3 a 2. Na final, o adversário foi o São Caetano, dono da melhor campanha da primeira fase e então vice-campeão brasileiro.

Com uma atuação espetacular de Alex Mineiro, que marcou três vezes, o Athletico-PR bateu o São Caetano por 4 a 2 na Arena da Baixada.

Antes do jogo de volta no ABC Paulista, Geninho deu a faixa de campeão para todos os jogadores, em uma jogada motivacional planejada junto com a psicóloga Suzy Fleury. "Eu disse para eles: 'Não deixem que ninguém tire essa faixa de vocês'. Os caras entraram voando em campo".

Com um gol de Alex Mineiro, o Furacão venceu por 1 a 0 e conquistou o Brasil pela primeira vez. "Fomos campeões com todos os méritos: tivemos melhor ataque e melhor aproveitamento dentro e fora de casa".

Geninho se recorda com grande saudade e carinho da trajetória vencedora daquele grupo.

"Me marcou demais. Não tinha ninguém de nome no elenco. Nossa força era o grupo e a união deles. Depois daquele titulo, vários jogadores deslancharam e fizeram carreiras brilhantes".

"Foi o melhor trabalho que fiz na minha carreira. Conquistar um título brasileiro fora dos clubes do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul é muito difícil. É minha grande marca. E será muito difícil de ser repetido no formato dos pontos corridos".

Para o treinador, foi um fim de 2001 perfeito depois de uma grande tristeza quando comandou o Santos no Paulistão daquele ano. A equipe de Vila Belmiro, que estava há 17 anos sem conquistar a competição, foi eliminada no último minuto pelo Corinthians na semifinal com um gol do meia Ricardinho.

"Foi uma redenção para mim. Deus reserva umas cosas pra gente que nem imaginamos. Por isso acho que não podemos nos revoltar com as coisas".

FICHA TÉCNICA
SÃO CAETANO 0 x 1 ATHLETICO-PR

FINAL DO CAMPEONATO BRASILEIRO DE 2001: 2º JOGO

DATA: 23/12/2001
LOCAL: Estádio Anacleto Campanella [São Caetano do Sul]

ÁRBITRO: Carlos Eugênio Simon GOL: Alex Mineiro (Athletico / 21'do 2º tempo)

SÃO CAETANO: Silvio Luiz; Mancine, Daniel, Dininho e Marcos Paulo (Müller); Simão, Serginho (Bechara), Adãozinho e Esquerdinha (Marlon); Anaílson e Magrão.
TÉCNICO: Jair Picerni.

ATHLETICO-PR: Flávio; Alessandro, Gustavo, Nem, Rogério Corrêa (Igor) e Fabiano; Cocito (Pires), Kleberson e Adriano; Kléber (Souza) e Alex Mineiro.
TÉCNICO: Geninho.