Quando chegou ao Braga, de Portugal, Márcio Mossoró se surpreendeu com o jeito “sincerão” do técnico Jorge Jesus, atualmente no Flamengo. O brasileiro viu que o Mister não tinha qualquer constrangimento ao apontar os defeitos que via nos jogadores da equipe portuguesa.
“Ele me dizia: ‘Você para atacar é espetacular, vai de gasolina, a mil por hora, mas para defender é a diesel, muito lento. Precisa melhorar isso (risos)’. Ele gosta de comparações com piadas, mas que fazem sentido. Os jogadores crescem porque ele tira o máximo”, disse o jogador, ao ESPN.com.br.
O meia-atacante conta que Jesus gosta que o jogador seja criativo, desde que não exagere no individualismo.
“Ele sempre tinha alguma tiradinha: ‘Você acha que está fazendo malabarismo? Futebol é conjunto, ninguém ganha sozinho. Só existe Ronaldo e Messi. Acha que vai pegar a bola e driblar tudo mundo?’ Ele não manda recado, controla bem o grupo de jogadores”, explicou.
Segundo o brasileiro, Jesus exige que os jogadores devem cumprir à risca as orientações táticas e de posicionamento.
“Sem a bola você precisa fazer o que o Jesus manda, senão ele vai pegar no pé do jogador que for. Não tem estrela, não tem nome... Ele tira do time mesmo”, garantiu.
“O Michael [atacante do Flamengo] é um cara que vai crescer muito nas mãos do Jesus no Flamengo. É capaz de estar pegando no pé dele (risos). Ele não tira o brilho do jogador, mas o Michael gosta muito de driblar e o Jesus vai gesticular se driblar quatro ao invés de dar o passe”, contou.
'Esse cara é louco?'
Campeã da Copa do Brasil pelo Paulista de da Libertadores pelo Internacional, Mossoró defendeu o Marítimo antes de chegar ao Braga.
“No começo eu pensava: ‘Esse cara é louco, não dorme em jogos grandes’. Ele ligava para o fisioterapeuta para ir lá porque ele não conseguia dormir. Ele vive futebol de uma forma que nunca vi”, relatou.
“Ele gosta muito de explicar para os jogadores: ‘Se você fizer o que eu estou falando você será muito mais jogador’. É um cara muito aberto para conversas e tem as opiniões dele, mas escuta os jogadores. Tive a sorte de trabalhar com ele”.
Mossoró não se esquece da conversa que teve com Jesus quando o Braga foi eliminado pelo PSG na Liga Europa de 2009. O treinador o colocou na segunda etapa do jogo de volta e pediu para que o brasileiro decidisse a classificação, o que não ocorreu.
“Eu entrei faltando 20 minutos para o final da partida, mas não joguei bem. No dia seguinte ele me chamou: ‘Eu estou muito triste porque fiz uma aposta em você e achei que daria certo, mas infelizmente não deu. Isso faz parte do futebol. Não sei se estarei aqui, mas acho que você ainda tem muito a melhorar e dará muitas alegrias ao Braga’. E foi dito e feito. Depois dessa primeira temporada eu estourei em Portugal. Me ensinou muito”.
No final daquela temporada, Jesus foi contratado pelo Benfica, no qual fez muito sucesso.
“No Benfica ele não tentou me contratar porque eu tinha uma rivalidade muito grande com Benfica e os torcedores, eram jogos pegados. Eu sempre tive sorte de fazer gols no Benfica e a forma que eu comorava acirrava a rivalidade”, finalizou.
