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Ex-Atlético-MG revela que Ronaldinho queria bater pênalti de cavadinha na final da Libertadores: 'Ia matar todos do coração'

Reportagem originalmente publicada em 02/02/2017


A final da Copa Libertadores de 2013, que terminou com o inédito título do Atlético-MG sobre o Olimpia-PAR, poderia ter sido decidida em um lance que entraria para a história.

Depois de perder no Paraguai por 2 a 0, o time mineiro precisava mostrar força no Mineirão lotado para mais de 56 mil torcedores. Com muito custo, o Galo devolveu o placar - depois de um gol marcado por Leonardo Silva aos 43 minutos do segundo tempo - e levou a decisão para as penalidades.

Os batedores pela orde eram Alecsandro, Guilherme, Jô, Leonardo Silva e Ronaldinho Gaúcho.

"Nós fomos para a disputa por pênaltis e todo mundo naquela tensão, jogo empatado e Mineirão lotado. Estavam escolhendo os batedores. E aí, encosta o Ronaldinho em mim e diz assim: 'Brow, eu vou cavar (risos)'. Disse que ia cobrar de cavadinha", contou Pierre, em entrevista ao ESPN.com.br.

O volante, que defendeu o clube mineiro de 2011 a 2014, se desesperou com a afirmação do craque. "Eu respondi: ‘Logo na final, Ronaldo? Bate firme, do jeito que você cobra nos treinos. Solta o pé no meio do gol. Não cava aqui, não, pelo amor de Deus'", implorou.

O fato é que Ronaldinho nem precisou bater. Miranda e Giménez desperdiçaram para o Olimpia e o Mineirão explodiu com o primeiro título da Libertadores do Atlético Mineiro.

Pode até ser que o torcedor tenha ansiado pela cobrança do ídolo, mas nada que o troféu não tenha superado.

"Imagina se ele cava e a bola entra? Seria lindo! Para fazer isso tem que ter muito talento e personalidade. Isso ele tem de sobra. Se ele cavasse ali, ia matar uns 20 torcedores do coração, com certeza", riu, por fim, Pierre.

Titular absoluto no jogo em Assunção, no Estádio Defensores del Chaco, o volante foi substituído por Rosinei no intervalo em Belo Horizonte. O ano de 2013, o mais aproveitado em termos de atuações - foram 58 aparições em toda a temporada - vai ficar para sempre na memória do jogador.

"Esse jogo foi maravilhoso porque ganhar uma Libertadores em um time com várias conquistas é uma coisa. Agora, ser campeão pela primeira vez com um time é outra. Era uma equipe com uma torcida apaixonada e todo o elenco ficará eternizado", afirmou.

Como disse o próprio Pierre, não foi fácil, mas havia chegado a vez do Atlético Mineiro.

Elenco campeão

Natural de Itororó, na Bahia, Pierre decolou no Palmeiras em 2007, clube com o qual conseguiu destaque e projeção depois de vestir a camisa do Ituano e Paraná. Jogou pelo clube paulista por quatro temporadas, e em 2011 chegou por empréstimo ao time mineiro, trocado pelo meia Daniel Carvalho e, posteriormente, foi selado o acordo de fato.

"Fui trocado com o Daniel Carvalho e fui em definitivo (para o Atlético). O clube me abraçou nestes quatro anos e meio e foi onde tive maiores conquistas, com seis títulos", exaltou. Além da Libertadores, o jogador coleciona os títulos da Copa do Brasil e Recopa Sul-Americana de 2014.

Pierre fala com carinho do elenco campeão de 2013, ano que coroou o ápice de sua carreira. "Algo maravilhoso é a consolidação da Libertadores. Eu fiquei marcado na história do clube junto com os meus companheiros. Foi bom demais jogar com esses jogadores, formamos uma família", relembrou.

Mas não foi somente a conquista da competição mais importante da América que eternizou sua passagem por Minas Gerais. Um ano antes do título, Pierre realizou um de seus maiores sonhos - o de compartilhar o campo com o ídolo Ronaldo de Assis Moreira - o Ronaldinho Gaúcho.

"Foi a realização de um sonho jogar ao lado do Ronaldinho e correr para ele. Sentia muito prazer nisso, porque ele resolvia com o grande talento dele. Construímos uma história bonita", contou.

Depois de retornar da Europa, em 2011, onde passou por gigantes do futebol como Paris Saint-Germain, Barcelona e Milan, Ronaldinho chegou ao Atlético em 2012, após uma passagem pelo Flamengo, e causou surpresa no centro de treinamento da equipe.

"A chegada dele deixou todo mundo pasmo. De repente meu telefone não parava de tocar, me falaram assim: ‘O Galo contratou o Ronaldinho Gaúcho'. Achei legal, mas não acreditei. Daí tinha helicóptero e o triplo de jornalistas no CT do Galo", relembrou Pierre, que ficou bastante próximo do atacante.

Um dos maiores companheiros durante os três anos de Atlético, Pierre não escondeu o carinho e a admiração que sente pelo craque, que até hoje inspira jogadores ao redor do planeta.

"A simplicidade e a humildade do Ronaldinho me chamaram a atenção. Você pensa em um cara como ele, por tudo o que conquistou, e repensa. O convívio e o tratamento servem de exemplo para muitas pessoas. Isso eternizou aquela equipe toda", finalizou.